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Lorenzo Carrasco

Lorenzo Carrasco

Disputa pelo petróleo

As águas turvas da campanha contra a Margem Equatorial Brasileira

Petrobras
A exploração da Margem Equatorial enfrenta entraves ambientais, enquanto o mundo realista amplia investimentos em petróleo e gás. (Foto: Antônio Lacerda/EFE)

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O aparato ambientalista-indigenista que opera no Brasil não desiste de sua campanha contra a exploração de hidrocarbonetos na Margem Equatorial Brasileira (MEB).

Na coluna anterior, comentei a reação beirando a histeria do climatologista Carlos Nobre ao anúncio da descoberta de petróleo no poço exploratório Morpho, perfurado pela Petrobras no campo FZA-M-59, situado a 175 km do litoral do Amapá. Nobre, como se sabe, é um dos mais graduados operativos daquele aparato comprometido com a insana agenda do “carbono zero”, que propõe uma redução acelerada do uso de petróleo, gás natural e carvão mineral nas próximas décadas, alegadamente, para evitar uma inexistente emergência climática.

Agora, a Petrobras aguarda novas licenças ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para os três poços complementares com os quais pretende delimitar as dimensões da descoberta e avaliar a sua viabilidade comercial. Ao mesmo tempo, as seções do Amapá e do Pará do Ministério Público Federal (MPF) questionaram o órgão ambiental sobre o novo licenciamento, argumentando que a pretensão da empresa descumpre normas ambientais. Iniciativa que não surpreende, pois o MPF atua com frequência como um braço legal do aparato “verde-indígena”, em sintonia com certos setores do Poder Judiciário igualmente alinhados com a causa.

É aí que mora o perigo, como dizem os brasileiros.

De acordo com o sítio especializado em energia Eixos (21/08/2026), as exigências do Ibama para os novos poços incluem: uma nova embarcação dedicada à proteção da fauna, uma nova simulação de emergência de vazamento de óleo (que passaria a ser anual) e a atualização do estudo de modelagem de dispersão de óleo.

A Petrobras já se comprometeu a disponibilizar a nova embarcação exigida antes do início da perfuração do próximo poço no bloco. Todavia, as exigências de uma nova simulação de emergência e a dita atualização da modelagem de uma hipotética dispersão de óleo vazado não têm qualquer fundamento técnico ou científico razoável, dado que nem as capacidades de resposta às emergências nem, tampouco, as características oceanográficas da área de perfuração sofreriam mudanças relevantes entre um poço e outro.

Em seu ofício, o MPF sugere que o Ibama não conceda as licenças até o pleno cumprimento das exigências.

Além de atrasar as pesquisas por meses e acarretar prejuízos à Petrobras, a campanha coordenada contra a exploração da MEB tem o objetivo explícito de manter o Brasil como uma bizarra vitrine da “descarbonização” da economia mundial, num momento em que a maior parte do mundo começa a descartar essa agenda antidesenvolvimentista.

Uma nota do WWF-Brasil, uma das ONGs mais influentes dessa estrutura que chamo a “Máfia Verde”, em 19 de agosto, deixa clara a intenção:

“Uma eventual decisão de avançar para novas etapas no FZA-M-59 também poderá criar um precedente para a expansão da exploração petrolífera em toda a Margem Equatorial. Por isso, os critérios utilizados neste caso terão consequências que vão muito além de um único bloco. O momento exige justamente o contrário: ampliar a análise antes de avançar. O Brasil está construindo, internacionalmente, um roteiro para a transição para o fim dos combustíveis fósseis, enquanto sua estratégia nacional ainda não foi concluída. Não faz sentido abrir novas fronteiras petrolíferas antes de definir como o país pretende reduzir sua dependência econômica, fiscal e energética do petróleo (grifos no original).”

No mesmo dia, o Instituto Internacional Arayara reforçou o coro das lamúrias, afirmando que o anúncio da Petrobras “decorre de licenciamento problemático em leilão de bloco que jamais deveria ter ocorrido”.

Ora, até mesmo a Agência Internacional de Energia (AIE), que nas últimas décadas tem sido uma porta-bandeira do catastrofismo climático, reintroduziu em seu último estudo anual um cenário em que a demanda por petróleo e gás natural ainda continuará a crescer por várias décadas. Um aceno à realidade do indisfarçável abandono das promessas grandiloquentes de redução de emissões de carbono feitas anteriormente por numerosos governos nacionais em conferências internacionais.

A guinada da agência se deveu à forte pressão do seu principal financiador, os EUA, onde o governo de Donald Trump tem desfechado duros golpes na indústria do catastrofismo climático do país, com importantes repercussões além de suas fronteiras.

O impulso tem tido contrapartida na África e na Ásia, onde um número crescente de países amplia os investimentos em seus recursos de petróleo e gás natural.

Em um relatório recém-divulgado, o banco Morgan Stanley considera o futuro imediato como uma “era de ouro” para a indústria petrolífera, marcada por uma forte demanda por combustíveis, concentração de investimentos no setor energético e valorização de empresas ligadas à economia real. Entre as principais apostas, o banco destaca as refinarias complexas, produtoras de petróleo integradas e empresas capazes de capturar margens elevadas próximas aos grandes centros consumidores.

A Petrobras está entre as empresas destacadas nesse cenário, junto com as estadunidenses ExxonMobil e Valero, a espanhola Repsol e a chinesa Sinopec, sendo que o documento é anterior ao anúncio da descoberta no Amapá.

Em outras palavras, a despeito dos esforços daqueles luditas pós-modernos de turvar as águas da Margem Equatorial, não é difícil discernir quem está na corrente certa da História.

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