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Lorenzo Carrasco

Lorenzo Carrasco

Realidade econômica

Curto-circuito na eletrificação veicular

O recuo global dos elétricos expõe o fracasso da agenda climática: sem subsídios, vendas caem, prejuízos explodem e a realidade econômica se impõe. (Foto: Michael Marais/Unsplash)

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Em meio ao refluxo generalizado do catastrofismo climático, o destaque vai para o rápido recuo da chamada eletrificação veicular, baseada em incentivos e regulamentos específicos para promover as vendas de automóveis, utilitários e caminhões elétricos, que já se observa nos EUA, na União Europeia e até na China.

Nos EUA de Donald Trump, a retirada do incentivo de US$ 7.500 para a compra de um veículo elétrico, seguida da revogação dos requisitos de consumo de combustível em níveis virtualmente inalcançáveis (nome oficial: Corporate Average Fuel Economy – CAFE), ambos estabelecidos pelo governo de Joe Biden, provocaram efeitos imediatos no mercado de elétricos. Dos 12% registrados em setembro, quando expiraram os incentivos, as vendas caíram para pouco mais de 5% em outubro, reforçando uma tendência que já se manifestava antes mesmo das novas medidas do governo.

A General Motors anunciou um prejuízo de US$ 1,6 bilhão nas vendas esperadas para o presente ano fiscal. Na Tesla, líder do setor, as vendas no segundo trimestre do ano caíram quase 13%, levando o CEO Elon Musk a antecipar “trimestres difíceis” para a companhia (NBC News, 16/10/2025).

Em 15 de dezembro, o Wall Street Journal informou que a Ford teve um prejuízo de US$ 13 bilhões em seus investimentos em veículos elétricos nos últimos três anos, obrigando a empresa a fazer uma provisão geral de US$ 19,5 bilhões para compensá-los. Segundo o jornal, “o valor está entre as maiores baixas contábeis já registradas por uma empresa e representa, até agora, o maior reconhecimento da indústria automobilística estadunidense de que não poderá concretizar as suas ambições em relação aos veículos elétricos em um futuro próximo” – um eufemismo para, em momento algum.

A nota observa ainda que os prejuízos da Ford já se manifestavam durante a vigência dos incentivos do governo anterior.

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Em outubro, o mesmo jornal registrava que o fenômeno não era exclusivo dos EUA:

“O resto do mundo está seguindo o recuo dos Estados Unidos em relação aos veículos elétricos. Canadá, Reino Unido e União Europeia estão abandonando as suas metas para veículos elétricos, à medida que a realidade econômica se impõe, e até mesmo a China mostra sinais de fragilidade. As montadoras argumentam que o modelo de negócios dos veículos elétricos não é lucrativo, devido aos custos ainda elevados das baterias, à infraestrutura de recarga irregular e à redução dos subsídios governamentais. Programas de incentivo foram encerrados ou reduzidos em toda a Europa, nos Estados Unidos e no Canadá.”

Do outro lado do Atlântico, a União Europeia também começa a render-se à realidade de que ideologias e modismos não são substitutos para os fundamentos da termodinâmica e da economia na formulação de políticas, ao menos no tocante à substituição acelerada da centenária tecnologia dos motores a combustão, para a qual os “eurocratas” de Bruxelas haviam estabelecido a data-limite de 2035.

Forçados pelos fatos e diante dos protestos generalizados da indústria automobilística europeia, os “eurocratas” tiveram de moderar as pretensões. Agora, em vez de proibição total, passa a valer uma exigência de redução de 90% das emissões de dióxido de carbono (CO₂) nos motores produzidos a partir de 2035 — mas é questão de tempo para que esse índice também seja reduzido, como ocorreu nos EUA com os requisitos de consumo de combustível.

Em entrevista à agência Reuters, o presidente do Partido Popular Europeu (PPE), o eurodeputado alemão Manfred Weber, anunciou a mudança de rumo: “Também não haverá meta de 100% [de redução] a partir de 2040. Isto significa que o banimento tecnológico dos motores de combustão está fora dos planos. Por conseguinte, todos os motores atualmente fabricados na Alemanha poderão continuar a ser produzidos e vendidos.”

A medida, disse ele, transmite um sinal importante “a toda a indústria automotiva e assegura dezenas de milhares de empregos industriais”.

No frigir dos ovos, a fulminante ascensão e queda da eletrificação veicular é séria candidata a tornar-se o maior símbolo da desmoralização da agenda “descarbonizadora” e do já tardio ocaso do irracional catastrofismo ambientalista.

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