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Lorenzo Carrasco

Lorenzo Carrasco

O petróleo reage

Da Noruega, ventos frios para a transição energética

A instalação norueguesa de Statfjord A, em 1982, com a plataforma-hotel Polymariner. (Foto: Jarvin Jarle Vines/Wikimedia Commons)

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A Offshore Northern Seas (ONS) é uma conferência da indústria petrolífera que se realiza a cada dois anos em Stavanger, cidade da Noruega considerada a capital do petróleo do país. A edição deste ano, ocorrida entre 24 e 27 de agosto, reunindo quase 70 mil participantes de 92 países, reforçou a dupla tendência à retomada do interesse pelo petróleo e gás natural e ao recuo da equivocada transição energética baseada no seu recuo, que já se manifestava antes do retorno de Donald Trump ao governo dos EUA e ganhou um forte impulso com ele.

Em Stavanger, a abertura de novas fronteiras exploratórias, como o Ártico, o Alasca e a Margem Equatorial Brasileira, recebeu o devido destaque, em meio às turbulências geopolíticas que têm impactado os preços dos hidrocarbonetos e aos crescentes questionamentos à viabilidade das tecnologias de redução de emissões de carbono. Além disso, várias empresas manifestaram a intenção de voltar a pesquisar e explorar o Mar do Norte, revertendo a tendência das últimas décadas, influenciada por políticas governamentais e estratégias empresariais baseadas no bizarro conceito de “carbono zero líquido” (net zero).

No evento, representantes de majors petroleiras manifestaram as dificuldades crescentes para viabilizar comercialmente tecnologias badaladas pelos defensores da transição energética, como hidrogênio “verde”, captura de carbono (CCS, na sigla em inglês) e eólicas offshore.

Entre eles, como registrado pelo sítio especializado em energia Eixos, o CEO da francesa TotalEnergies, Patrick Pouyanné, foi enfático:

“Há cinco anos, parecia óbvio para a indústria tentar desenvolver essas tecnologias, mas hoje estamos de volta ao fundamento da energia, que é o preço acessível. Se não é acessível, não se pode fazer o que se quiser. Todos nós embarcamos em 2020 no projeto de CCS Northern Lights. E o que acontece hoje? Temos dificuldades em encontrar clientes.”

A referência é ao projeto de armazenamento de carbono no Mar do Norte, uma joint-venture entre a TotalEnergies, Shell e a estatal norueguesa Equinor.

O executivo criticou a política da União Europeia que obriga as empresas a investir em projetos de captura de carbono “sem clientes”: “As pessoas precisam aceitar que estamos arbitrando o dinheiro que gastamos da maneira mais eficiente para contribuir com o clima.”

Seu colega da Shell, Wael Sawan, foi igualmente crítico: “Não conseguimos criar o retorno para o investimento que esperávamos. Então estamos nos direcionando para outros segmentos dessa cadeia de valor, como baterias e comercialização de energia.”

No mesmo painel, a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, concordou com a dificuldade de se encontrarem clientes dispostos a pagar o preço dos combustíveis de menor emissão de carbono.

Da mesma forma, o ministro de Energia da Noruega, Terje Aasland, admitiu que ainda serão necessárias mais pesquisas, conhecimento e tecnologias para viabilizar tais projetos: “A inovação não deve apenas produzir novas tecnologias, mas também reduzir custos.”

Pelo visto, os ventos do Norte não andam favoráveis à agenda “verde”

Dos EUA, veio a mensagem de que o Alasca está sendo considerado uma das regiões do mundo com maior potencial de desenvolvimento energético, transmitida pelo presidente da Comissão de Pesquisa do Ártico (USARC), Thomas Dans: “Uma mudança fundamental de sinalização sob o governo Trump é a de que, como nação, vamos realmente focar no Ártico e dar grande ênfase ao desenvolvimento de nossos recursos na região (Eixos, 25/08/2026).”

Segundo ele, a região deve ser a destinatária de mais de US$ 55 bilhões em investimentos no setor nos próximos anos, com o desenvolvimento do projeto Alaska LNG Project, de produção de gás natural liquefeito pelo Glenfarne Group, além de outros projetos em andamento, além do grande potencial para mineração e hidrogênio natural.

E, falando em regiões árticas, o ministro Aasland aproveitou a conferência para dar o recado de que a Noruega não quer problemas com seus planos de exploração de hidrocarbonetos no Ártico e acaba de advertir a União Europeia (UE) para não interferir com eles.

Diante dos apelos do bloco europeu para uma moratória na exploração da região, ele ressaltou que os planos serão mantidos e que a UE não deveria mais ver seu país como a “bateria verde” da Europa (RT, 25/08/2026).

Embora não seja membro da UE, a Noruega integra o Espaço Econômico Europeu, o que lhe confere acesso ao mercado único do bloco com todas as vantagens de livre circulação de mercadorias, serviços, capitais e pessoas. Após o início da guerra na Ucrânia e a rejeição europeia ao gás natural da Rússia, o país passou a ser o principal fornecedor do produto ao bloco.

A política da UE para o Ártico contempla a não exploração dos combustíveis fósseis na região, ao que Aasland retruca:

“No atual ambiente geopolítico e de segurança, e dada a situação dos recursos, eu acredito que a atividade continuada no Mar de Barents serve tanto aos interesses noruegueses como europeus.”

De acordo com ele, a Noruega seguirá desenvolvendo tais áreas e pretende manter a produção e as exportações de petróleo e gás nos níveis atuais até pelo menos 2035, sendo o Mar de Barents crucial para tal objetivo.

Vale tomar nota, para recordar quando ONGs do aparato ambientalista-indigenista que opera no Brasil e recebedoras de recursos de órgãos governamentais da Noruega – Observatório do Clima, WWF-Brasil, Imazon, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM etc.) – se manifestarem contra a exploração de hidrocarbonetos na Amazônia, em especial, na Margem Equatorial Brasileira.

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