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Lorenzo Carrasco

Lorenzo Carrasco

Contra o aparato

Em Davos, Trump sepulta a “transição energética”

O presidente dos EUA, Donald Trump, segura uma carta fundadora assinada na reunião do "Conselho da Paz" durante a 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (FEM), em Davos, Suíça, em 22 de janeiro de 2026. (Foto: Gian Ehrenzeller/EFE/EPA)

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Desde o início do seu segundo mandato, como já registrei em várias colunas, o presidente Donald Trump tem se empenhado em desmontar o aparelho institucional e regulatório construído em torno da alegada necessidade de “descarbonização” da economia mundial e da consequente “transição energética”, com a substituição dos combustíveis fósseis – petróleo, gás natural e carvão mineral – por energias ditas renováveis ou limpas, com ênfase em fontes eólicas e solares e na eletrificação da frota rodoviária.

Uma transição que, na verdade, envolve mais complementações de novas fontes energéticas em relação às antigas do que substituições reais, e que em todo o mundo está evidenciando as suas limitações técnicas, com as fontes intermitentes, como as eólicas e solares, demonstrando a sua incapacidade de atender à chamada geração de base (contínua), em especial com a rápida expansão dos centros de dados e da Inteligência Artificial (IA).

Para não poucos analistas, é altamente duvidoso que essa agenda consiga sustentar-se sem o poderoso suporte dos EUA, que, juntamente com o Reino Unido, foram os berços da criação do movimento ambientalista como instrumento político antidesenvolvimentista.

Assim como já havia feito na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, em setembro, Trump utilizou a sua presença na reunião anual do Fórum de Davos, na semana passada, para desfechar novos e duros golpes na “transição” descarbonizadora. Vale observar algumas passagens do seu contundente discurso no resort alpino suíço que reúne a nata das elites “globalistas” do planeta.

Primeiramente, investiu contra as fontes intermitentes e o afastamento dos combustíveis fósseis por seus antecessores:

“Em vez de fechar usinas de energia, estamos abrindo novas. Em vez de construir moinhos de vento ineficientes e deficitários, nós os estamos demolindo e não aprovando nenhum novo. Em vez de fortalecer os burocratas, estamos demitindo-os. E eles estão conseguindo empregos no setor privado, ganhando duas ou três vezes mais do que ganhavam no governo. Então, eles me odiaram quando os demiti, mas agora eles me amam.

“Nos Estados Unidos, eu interrompi as políticas energéticas destrutivas que aumentam os preços enquanto enviam empregos e fábricas para os maiores poluidores do mundo. Eles são, de fato, poluidores. Sob o governo do sonolento Joe Biden, os novos contratos de exploração de petróleo e gás no país caíram 95%. Pensem nisso. E eles se perguntam: por que a gasolina subiu tão rapidamente? A gasolina chegou a ultrapassar US$ 5 por galão e, em alguns lugares, US$ 7 por galão, e mais de 100 grandes usinas de energia foram fechadas violentamente por pessoas incompetentes que não tinham a menor ideia do que estavam fazendo.”

Em seguida, ressaltou o incentivo que seu governo está dando à energia nuclear:

“Eu assinei uma ordem autorizando a aprovação de muitos novos reatores nucleares. Estamos investindo pesado em energia nuclear. Eu não era muito fã dela, porque não gostava do risco, do perigo, mas o progresso que fizeram com a energia nuclear é inacreditável, e o progresso em segurança é incrível. Estamos muito envolvidos com a energia nuclear, e agora podemos tê-la a bons preços e com muita, muita segurança.”

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Praticando um dos seus atuais esportes favoritos, Trump disparou várias farpas contra a Europa:

“Graças à minha vitória esmagadora nas eleições, os Estados Unidos evitaram o colapso energético catastrófico que atingiu todas as nações europeias que seguiram a ‘Nova Fraude Verde’, talvez a maior farsa da História. A ‘Nova Fraude Verde’, com moinhos de vento por toda parte, destruindo suas terras. Cada vez que isso acontece, você perde mil dólares. Deveria ser para ganhar dinheiro com energia, não para perder. Aqui na Europa, vimos o destino que a esquerda radical tentou impor aos Estados Unidos. Eles se esforçaram muito. A Alemanha agora gera 22% menos eletricidade do que em 2017. E não é culpa do atual chanceler. Ele está resolvendo o problema. Ele fará um ótimo trabalho. Mas o que fizeram antes de ele chegar lá, eu acho que é por isso que ele chegou lá. E os preços da eletricidade estão 64% mais altos. (...)

“O Reino Unido produz apenas um terço da energia total proveniente de todas as fontes que produzia em 1999. Pensem nisso, um terço. E eles estão sentados sobre o Mar do Norte, uma das maiores reservas do mundo. Mas eles não a utilizam. E essa é uma das razões pelas quais sua energia atingiu níveis catastróficos, com preços igualmente altos. Preços altos, níveis muito baixos. Pensem nisso, um terço, e eles estão sentados sobre o Mar do Norte. E eles gostam de dizer: ‘Bem, você sabe, está esgotado’. Não está esgotado. Tem 500 anos. Eles nem sequer encontraram petróleo. O Mar do Norte é incrível. Eles não deixam ninguém perfurar. Ambientalmente, eles não permitem a perfuração. Eles tornam impossível para as companhias petrolíferas irem. Eles ficam com 92% das receitas. Então as companhias petrolíferas dizem: não podemos fazer isso.

Eles vieram me ver. ‘Há algo que você possa fazer?’ Eu quero que a Europa prospere. Quero que o Reino Unido prospere. Eles têm uma das maiores fontes de energia do mundo e não a utilizam. Aliás, o preço da eletricidade subiu 139%.”

E, sempre ironizando a tecnologia eólica, comentou a política energética da China (que também já tratei nesta coluna):

“Há moinhos de vento por toda a Europa. Há moinhos de vento por todo o lado. E são um fracasso. Uma coisa que notei é que quanto mais moinhos de vento um país tem, mais dinheiro perde e pior fica a sua situação. A China fabrica quase todos os moinhos de vento e, ainda assim, não consegui encontrar nenhum parque eólico na China. Já pensaram nisso? É uma boa forma de analisar a situação. Sabe, eles são inteligentes. A China é muito inteligente. Eles fabricam as turbinas. Vendem-nas por uma fortuna. Vendem-nas a pessoas desavisadas que as compram, mas não as utilizam. Construíram alguns grandes parques eólicos, mas não os utilizam. Construíram-nos apenas para mostrar às pessoas como poderiam ser. Não giram. Não fazem nada. Utilizam principalmente carvão. A China investe em carvão. Investe em petróleo e gás. Está começando a olhar para a energia nuclear e está indo muito bem. Mas eles ganham uma fortuna vendendo turbinas eólicas e acho que, sinceramente, não se surpreenderiam se essa indústria parasse. O que os choca é que ela continua.”

E concluiu: “As consequências dessas políticas destrutivas têm sido drásticas, inclusive menos crescimento econômico, níveis de vida mais baixos, taxas de natalidade mais baixas, mais imigração socialmente disruptiva, mais vulnerabilidade a adversários estrangeiros hostis e forças armadas muito, muito menores.”

Trump costuma dizer o que lhe dá na mente e nem sempre se baseia em fatos reais. Mas, no que diz respeito ao catastrofismo climático e à supostamente imprescindível transição energética, está coberto de razão.

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