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Lorenzo Carrasco

Lorenzo Carrasco

Ruptura globalista

Mais um golpe de Trump na agenda ambientalista-woke

Trump retira EUA de 66 organizações internacionais, incluindo 31 entidades da ONU. (Foto: Francis Chung/EFE/EPA/Pool)

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O presidente Donald Trump está mesmo empenhado em desmantelar o braço ambientalista-identitário da agenda globalista nos EUA. Agora, com a Ordem Executiva 14.199, acaba de determinar a saída do país de nada menos que 66 organizações internacionais vinculadas àquela estrutura de governança global, inclusive várias ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU).

Entre elas, destacam-se o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e a Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC), duas peças-chave da agenda da “descarbonização” da economia mundial, além da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), uma das ONGs que integram o “Estado-Maior” do ambientalismo internacional.

Desde a década de 1990, o IPCC tem sido um dos principais articuladores de uma cobertura “científica” para a falaciosa tese das mudanças climáticas induzidas pelas atividades humanas, enquanto a UNFCCC se encarrega de mobilizar o esforço diplomático para os necessários acordos internacionais de restrição do uso de combustíveis fósseis, discutidos nas Conferências das Partes (COPs), realizadas anualmente desde 1996.

A medida representa um duro golpe para o financiamento de tais entidades, das quais os EUA costumam despontar entre os principais financiadores

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No caso do IPCC, na década passada, as contribuições estadunidenses chegaram a atingir 40–45% do orçamento do órgão.

Em um caso anterior, o da Agência Internacional de Energia (AIE), uma ameaça semelhante do governo Trump fez com que a agência, antes uma das principais propagandistas da “descarbonização”, reorientasse os seus estudos sobre o setor energético em bases mais realistas, enfocando a necessidade de novos investimentos no setor de hidrocarbonetos, para manter os níveis de produção atuais ao longo da próxima década.

O título da ordem executiva especifica: “Retirando os Estados Unidos de Organizações Internacionais, Convenções e Tratados que são Contrários aos Interesses dos Estados Unidos.”

Entre as entidades integrantes da lista, além das já citadas, destacam-se as seguintes:

  • Pacto de Energia Livre de Carbono 24/7;
  • Comissão para Cooperação Ambiental;
  • Instituto Interamericano para Pesquisa de Mudanças Globais;
  • Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável;
  • Plataforma Intergovernamental Ciência-Política sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos;
  • Fórum Internacional de Energia;
  • Agência Internacional de Energia Renovável;
  • Aliança Solar Internacional;
  • Organização Internacional de Madeiras Tropicais;
  • Rede de Política Energética Renovável para o Século XXI;
  • Secretariado do Programa Ambiental Regional do Pacífico;
  • Programa Colaborativo das Nações Unidas sobre a Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação Florestal em Países em Desenvolvimento;
  • Energia Nações Unidas;
  • Entidade das Nações Unidas para Igualdade de Gênero e Empoderamento de Mulheres;
  • Nações Unidas Oceanos;
  • Fundo de População das Nações Unidas;
  • Nações Unidas Água;
  • Universidade das Nações Unidas.

Em uma declaração, o secretário de Estado Marco Rubio justificou a medida:
“O governo Trump estabeleceu que essas instituições são redundantes em seu escopo, mal administradas, desnecessárias, perdulárias, precariamente dirigidas, capturadas pelos interesses de atores que promovem as suas próprias agendas, contrárias às nossas, ou uma ameaça à soberania, às liberdades e à prosperidade geral da nossa nação.”

Sem dúvida, o mesmo se aplica a todos os demais países que sustentam tais agendas, lamentavelmente ainda dominados pelos promotores das mesmas.

A reação do aparato “descarbonizador” foi das mais previsíveis. Algumas delas foram registradas pelo jornal inglês The Guardian, o seu principal porta-voz midiático em todo o mundo.

O secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, classificou a medida como “um colossal gol contra, que deixará os EUA menos seguros e menos prósperos”.

Manish Bapna, presidente da ONG Natural Resources Defense Council, uma das maiores dos EUA, apelou para o falacioso bordão das energias “renováveis”: “Enquanto o governo Trump está abdicando da liderança global dos EUA, o resto do mundo está continuando a mudar para fontes de energia mais limpas e a efetuar ações climáticas. O governo Trump está cedendo os trilhões de dólares em investimentos que a transição para energias limpas traz às nações dispostas a seguir a ciência e abraçar as fontes de energia mais limpas e mais baratas.”

E Gina McCarthy, ex-assessora climática sênior da Casa Branca no governo de Joe Biden, qualificou a decisão como “míope, embaraçosa e tola”. Para ela:
“Como o único país do mundo que não é parte do tratado da UNFCCC, o governo Trump está jogando fora décadas de liderança e colaboração dos EUA nas mudanças climáticas. Esse governo está abrindo mão da capacidade do nosso país de influenciar trilhões de dólares em investimentos, políticas e decisões que teriam promovido a nossa economia e nos protegido de custosos desastres, causando caos em nosso país.”

Em colunas anteriores, comentei aqui o fato de que outros países, em especial na África e na Ásia, estão gradativamente dando as costas ao catastrofismo ambiental e climático. Quiçá o atropelo de Trump possa ajudar a acelerar o processo.

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