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Lorenzo Carrasco

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Agenda mundial

Segurança energética na ordem do dia

Plataforma Troll, no Mar do Norte: o gás norueguês se tornou peça-chave da segurança energética europeia após a guerra na Ucrânia. (Foto: Håkon Thingstad/Wikimedia commons)

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A Equinor informa: sai a sustentabilidade, entra a segurança energética. Em entrevista ao jornal O Globo, de 28 de dezembro, o CEO da estatal petroleira norueguesa Equinor, Anders Opedal, confirmou que o conceito de segurança energética se firma cada vez mais no cenário energético global, diante da até há pouco prevalecente agenda da descarbonização/sustentabilidade, motivada pelas preocupações com as mudanças climáticas.

Segundo ele, a guinada se deve a motivos pragmáticos, entre eles a guerra entre a Rússia e a Ucrânia: “(...) A grande mudança para nós foi a guerra na Ucrânia, quando o gás russo deixou de chegar. Tivemos que substituir isso por gás da Noruega. Vimos uma mudança clara: a sustentabilidade foi substituída pela segurança energética em muitos países. Muitos focam mais em óleo e gás por mais tempo, e firmamos contratos de gás de longo prazo com empresas europeias.”

E ressalta: “Há cinco anos, a Agência Internacional de Energia dizia que não seriam necessários novos poços de exploração. Agora, diz que precisamos investir mais apenas para manter a produção estável. A sustentabilidade deu lugar à segurança energética e à acessibilidade. Antes da guerra na Ucrânia, quase ninguém falava de segurança energética. Hoje, ministros de Energia, chanceleres e presidentes tratam disso. Vemos investimentos em renováveis, mas também em óleo e gás, pois precisamos garantir energia acessível e segura.”

Opedal faz questão de dizer que a empresa segue investindo na chamada transição energética — “solar, eólica, eólica offshore, captura e armazenamento de CO₂ (dióxido de carbono)” —, mas observa que “ainda haverá necessidade de óleo e gás por bastante tempo”. Por isso, enfatiza: “continuamos investindo fortemente em óleo e gás na Noruega, no Brasil, no Canadá e nos EUA”. No momento, o Brasil é o maior destino dos investimentos da empresa no exterior.

O que ele não diz é que, como outras majors petroleiras, a Equinor está reduzindo significativamente seus investimentos em fontes “sustentáveis” e pretende ampliar em 10% a sua produção de petróleo e gás natural até 2030, ao mesmo tempo em que investe em uma fonte realmente promissora, como a energia de fusão, apoiando a Consolidated Fusion Systems (CFS), startup estadunidense que pretende colocar seu inovador reator em uso comercial até o final da década.

A estratégia da estatal se coaduna com a orientação do governo de Oslo em relação aos hidrocarbonetos, cuja exploração está sendo incentivada em sua zona marítima de exploração exclusiva, inclusive por empresas estrangeiras.

Os recentes acontecimentos na Venezuela reforçam a tendência em favor da segurança energética, haja vista a ênfase dada à necessidade de modernização e expansão da produção petrolífera do país pelo presidente Donald Trump.

Não por acaso, a vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo de Nicolás Maduro, é também ministra dos Hidrocarbonetos e tem ao seu crédito o fato, reconhecido em Washington, de conseguir sustentar a combalida infraestrutura petrolífera venezuelana em condições operacionais mínimas, mesmo enfrentando as duras sanções impostas pelos EUA.

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Convém lembrar que a Venezuela detém as maiores reservas petrolíferas do planeta, com mais de 300 bilhões de barris, à frente da Arábia Saudita, Irã, Iraque e Canadá

Desde o início de seu novo mandato, Trump tem favorecido a exploração dos combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), em detrimento das fontes “renováveis”, das quais tem retirado os vastos subsídios oferecidos por seu antecessor, Joe Biden.

Além disso, tem golpeado sistematicamente a infraestrutura institucional da “descarbonização” nos órgãos governamentais estadunidenses, em especial no Departamento de Energia, no Departamento do Interior, na Agência de Proteção Ambiental (EPA), na Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) e no Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica (NCAR).

Em relação ao NCAR, o chefe do Gabinete de Gestão e Orçamento da Casa Branca, Russ Vought, anunciou, em dezembro: “Essa entidade é uma das maiores fontes de alarmismo climático no país. Uma revisão abrangente está em curso, e quaisquer atividades, como a pesquisa meteorológica, serão transferidas para outra entidade ou local.”

Na forma falaciosa característica dos catastrofistas, a cientista-chefe da ONG The Nature Conservancy, Katharine Hayhoe, lamentou, dizendo que “desmontar o NCAR é como um golpe de marreta na pedra fundamental que sustenta o nosso entendimento científico do planeta”.

Sem dúvida, uma marretada no alarmismo “descarbonizador” representa um reforço na segurança energética, e não apenas dos EUA, mas de todo o mundo.

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