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O dinamarquês Bjorn Lomborg é um economista, cientista político e estatístico que tem ocasionado acirradas polêmicas na discussão dos problemas ambientais desde o lançamento de seu célebre livro O Ambientalista Cético – revelando a real situação do mundo, em 2002, que ganhou uma edição brasileira no mesmo ano.
Baseando-se em uma rigorosa aplicação do método científico e em análises estatísticas precisas, é um crítico ferrenho do catastrofismo ambiental, com ênfase em sua variante climática.
Sua obra mais recente é o livro Falso alarme: como o pânico das alterações climáticas nos custa bilhões, atinge os mais pobres e não salva o planeta, de 2024, também lançado no Brasil.
Embora não questione a validade da proposição fundamental do catastrofismo climático — a alegada influência humana na dinâmica climática global —, ele se opõe à agenda da descarbonização acelerada da economia mundial, que considera contraproducente.
Em contrapartida, propõe uma abordagem de adaptação às mudanças climáticas inevitáveis, com investimentos de longo prazo em soluções para problemas mais importantes — poluição, pobreza, desnutrição e doenças epidêmicas, como a malária, entre outras.
Atualmente, é pesquisador visitante na Hoover Institution, da Universidade de Stanford, e segue escrevendo regularmente sobre temas ambientais e energéticos. Seu texto mais recente é um artigo publicado em vários sítios com o título “Por que o recuo global do alarmismo climático é uma boa coisa”, do qual destaco alguns trechos relevantes:
“Como um único ano pode fazer diferença. O impulso, antes dominante, para reformular radicalmente a sociedade, na esperança de evitar uma catástrofe climática, entrou em colapso. Vejam o Fórum de Davos, evento de debates há muito dominado pela defesa do clima. Esse consenso foi praticamente abandonado por seus antigos e mais fervorosos defensores.
“Um exemplo emblemático dessa mudança: a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, não mencionou a transição climática uma única vez em seu discurso em Davos este ano, depois de tê-la destacado nos anos anteriores. (...)
Nos EUA, os políticos democratas deixaram de priorizar as mudanças climáticas como tema central em suas campanhas, enfocando-se, em vez disso, na acessibilidade, nos preços baixos da energia e em medidas de alívio econômico imediato. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, o democrata socialista vencedor da eleição de novembro passado, fez campanha com base nas contas crescentes nos supermercados e nos custos de moradia, e quase não mencionou as mudanças climáticas.
Para ele, a mudança não se deve apenas à eleição de Donald Trump nos EUA:
“(...) Os eleitores estão fartos do alarmismo climático constante, o que significa que muitas vozes da defesa do clima, como o ambientalista e escritor Bill McKibben, tiveram de moderar seus discursos. Anunciar o apocalipse não está trazendo ganhos políticos.
“Outras questões se tornaram muito mais importantes para os eleitores, e as pessoas estão lendo e assistindo a menos notícias sobre mudanças climáticas no Hemisfério Norte. A própria mídia tem falado menos a respeito. De acordo com um levantamento do Washington Post, 2025 registrou o menor número de menções às mudanças climáticas na mídia desde que o jornal começou a monitorar o tema, em março de 2022.
“Uma pesquisa do Searchlight Institute destacou que os eleitores em estados decisivos estão priorizando as preocupações financeiras, em detrimento de ameaças ambientais abstratas, com estrategistas políticos aconselhando a não falar sobre ‘mudanças climáticas’ de forma alguma, porque ‘quando os líderes dizem as palavras “mudanças climáticas”, os eleitores ficam com má impressão’.”
De acordo com Lomborg, “essa correção de rumo significa que a mídia e os políticos de esquerda estão se alinhando ao público, que diz que as mudanças climáticas ocupam uma posição baixa na lista de prioridades, mesmo em comparação com outras preocupações ambientais”.
Aqui no Brasil, apesar da inexistência de levantamentos semelhantes, é perceptível que os excessos do catastrofismo e da militância ambiental têm recebido mais atenção, a despeito da grande força política da máquina “verde” no aparelho do Estado, principalmente no Executivo, no Judiciário e no Ministério Público.
Voltando a Lomborg, ele afirma:
“Esse recuo é bom para a formulação de políticas sensatas, porque a abordagem alarmista fracassada se baseava em uma série de deturpações persistentes. Considere-se a afirmativa de que eventos meteorológicos extremos provocados pelas mudanças climáticas pioraram drasticamente nossa situação. Isso simplesmente não é verdade.
“As mortes por desastres relacionados ao tempo, incluindo tempestades, inundações, secas e incêndios, têm diminuído drasticamente ao longo do último século, com a década passada registrando alguns dos números mais baixos da história, apesar de a população global ter quadruplicado no período. Na década de 1920, o número global de mortes era de quase meio milhão por ano, em média — no ano passado, foi inferior a 10 mil, uma redução de mais de 97%.
“Esse progresso resulta de melhores sistemas de alerta, infraestruturas mais robustas, resposta a desastres aperfeiçoada e uma riqueza social geral que possibilita tais proteções. A adaptação por meio da inovação provou ser muito mais eficaz do que as restrições motivadas pelo medo.”
Outros dois trechos que valem destaque referem-se à China e à Alemanha, apontadas como paradigmas da mal denominada transição energética. Segundo ele: “A realidade é que a China depende massivamente de combustíveis fósseis, assim como todos os outros países. Há meio século, a China obtinha 40% de sua energia de fontes renováveis — quando dependia da queima de lenha e esterco, porque sua população era pobre. Com o enriquecimento massivo da população chinesa, desde então os combustíveis fósseis atingiram o pico de 92% da energia do país em 2011 — e esse número diminuiu apenas ligeiramente, para 87% em 2023, o último ano para o qual existem dados. (...)
“A Europa proporciona a advertência mais contundente sobre o choque entre o idealismo e a realidade. A tão alardeada transição energética da Alemanha tem sido um exemplo clássico de como o medo do clima levou a decisões ruins, mas imensamente custosas. Agora, o chanceler Friedrich Merz confessa que a Alemanha realizou ‘a transição energética mais cara do mundo’.”
Sua mensagem pode ser resumida nesta passagem: “As táticas de medo exageradas levaram ao distanciamento público, a políticas ruins e a reações políticas negativas. Agora, precisamos nos concentrar no que funciona. Por ora, devemos fornecer energia barata e segura para impulsionar a prosperidade, enquanto inovamos para um futuro mais verde.”
O artigo original de Lomborg, que pode ser lido como um diário de bordo do naufrágio ambientalista no último ano, encontra-se neste link.








