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Lúcio Vaz

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Oportunismo

Em ano eleitoral, Lula faz mais visitas a obras e viagens para entrega de equipamentos

Lula em cerimônia de entrega de habitações do programa Minha Casa, Minha Vida. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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Em janeiro, em Rio Grande (RS), o presidente Lula participou da entrega de 1.276 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida. Na ocasião, visitou as instalações do estaleiro Ecovix e acompanhou a assinatura de contratos para a construção de navios gaseiros, empurradores e barcaças. De maneira bem-humorada, contou uma história: em 2010, no Rio de Janeiro, percebeu que o conjunto habitacional não tinha “varandinha”. “Eu apelidei de varanda do pum”, brincou. “Além da varandinha do pum, vocês fizeram uma churrasqueira — uma coisa extraordinária.”


Em 23 de janeiro, Lula esteve em Alagoas para entregar unidades odontológicas móveis e ambulâncias do Samu. Também participou da cerimônia que marcou a contratação de 2 milhões de moradias do programa e da entrega de 1.337 casas em Maceió. Em Salvador, prestigiou o encerramento do 14.º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).


No dia 6 de fevereiro, Lula retornou a Salvador para a entrega de ambulâncias do Samu, equipamentos para unidades de saúde e instrumentos cirúrgicos, no âmbito do Novo PAC Saúde. Visitou ainda as Obras Sociais Irmã Dulce e participou do ato político pelos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT).
Na Bahia, o presidente fez um discurso enfático:


“Preste atenção no que aconteceu nesses três anos. Além de recuperarmos tudo o que estava paralisado, fizemos o maior PAC da história do Brasil. O PAC estabeleceu uma política de investimento público e privado de R$ 1,7 trilhão. Só aqui na Bahia, R$ 45 bilhões já foram executados. Já chegamos a quase 70% do PAC a nível nacional — e vamos avançar ainda mais até o final do governo.”


Lula completou: “Quando venho para a Bahia, venho para aprender. Não venho para ensinar.” Em tom descontraído, contou: “Eu não conhecia o Otto. Encontrava esse velhinho de cabelo branco e pensava: ‘Po&%a, esse cara é mais velho do que eu’. Hoje ele é mais novo do que eu, cara! Meia hora de conversa com o Otto e nasceu uma amizade que vai perdurar o resto da vida.”


Em São Paulo, visitou o Centro de Produção de Vacina contra a Dengue do Instituto Butantan. De 14 a 24 de fevereiro, viajou ao exterior. De volta ao Brasil, inspecionou áreas afetadas pelas chuvas em Ubá e Juiz de Fora — ações que também rendem visibilidade eleitoral.


A partir de março, Lula diversificou seus destinos. Houve entrega simultânea de unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida no Palácio do Planalto, apresentação do primeiro caça F-39E Gripen montado no Brasil, em Gavião Peixoto (SP), visita ao Centro de Manutenção de Aeronaves da Latam e anúncio de novos investimentos da empresa — ações com foco em tecnologia e menos em campanha política.



“É para isso que serve o Estado”


O Minha Casa, Minha Vida é o xodó de Lula. Na entrega das casas em Rio Grande, ele declarou:


“Confesso a vocês que, cada vez que participo de uma solenidade entregando uma casa, minha vida passa pela cabeça com muita rapidez, porque eu já vivi o que é morar num lugar sem banheiro, sem chuveiro, sem água encanada. Vivi até os nove anos usando o mato como banheiro. Então tenho a exata noção do que significa uma casa própria para as pessoas mais humildes deste país.”


E completou: “Quando a gente governa, a gente cuida. E, quando cuida, escolhe quem precisa de cuidado. Os ricos merecem respeito, mas as políticas públicas devem ser voltadas ao povo trabalhador, à classe média e às pessoas abandonadas. É para isso que serve o Estado brasileiro.”

A varandinha do pum

“Fui ao Rio de Janeiro, há muito tempo, quando começamos o Minha Casa, Minha Vida, visitar e inaugurar um conjunto habitacional. Descobri que não tinha uma varandinha. Não queria uma varanda de 30 metros quadrados, só uma varandinha. Eu apelidei de ‘varanda do pum’. Parece um palavrão, mas todo mundo sabe o que é. E eu achava uma falta de respeito — numa sala de três metros quadrados, a família toda reunida, alguém podia não estar bem e precisava sair um pouquinho para fora, sem obrigar os outros a cheirar os gases. Então criei a ‘varanda do pum’. Mas vocês inovaram: além dela, fizeram uma churrasqueira — algo extraordinário. E mais importante: nos novos conjuntos habitacionais, todos terão biblioteca.”



Estaleiro, churrasqueiras, quadra poliesportiva, salão de festas...

“No estaleiro, vamos anunciar a retomada da construção de navios pela Petrobras, para gerar empregos e renda. Foi com tristeza que vi, quando fizeram o impeachment da Dilma, este porto mandar à rua mais de 4 mil trabalhadores. Um porto que antes gerava muito emprego ficou praticamente vazio, na penumbra de governos irresponsáveis que não levaram em conta a soberania nacional e o transporte marítimo. A construção de estaleiros é uma forma de exercer nossa soberania.”


O presidente anunciou ainda a criação de espaços para lazer e convivência: quadra poliesportiva, academia ao ar livre, salão de festas, quiosques com churrasqueira, playground e centros comunitários. “Não estamos apenas construindo um conjunto habitacional”, concluiu Lula. “Estamos construindo um novo modelo de cidade, aqui, na cidade de Rio Grande, para o Porto de Rio Grande.”

Outro lado

A Presidência da República foi questionada sobre a escolha e a frequência de agendas com esse perfil em ano eleitoral. Como resposta enviaram a seguinte nota:

"Não há qualquer irregularidade nas agendas realizadas pelo presidente. Todos estão plenamente compatíveis com as atribuições constitucionais do chefe do Poder Executivo.

As declarações citadas ocorreram em eventos oficiais de governo, voltados à apresentação e ao acompanhamento de programas amplamente estruturados, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Mar Aberto e o Minha Casa, Minha Vida. Nesse sentido, as falas não devem ser classificadas como 'promessas', uma vez que se tratam de iniciativas em execução.

Também em momento algum houve desrespeito aos participantes. O presidente possui uma trajetória amplamente reconhecida pelo diálogo direto com a população, pelo incentivo à participação social e pela defesa permanente dos valores democráticos."

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