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O salário inicial de um consultor técnico IV do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) é de R$ 78 mil. O valor final pode chegar a R$ 182 mil — equivalente a quatro tetos remuneratórios do serviço público (R$ 46.366 cada). O diretor regional do Senac no Rio de Janeiro recebe salário final de R$ 135 mil, enquanto o consultor técnico III em São Paulo chega a R$ 137 mil. Já o consultor técnico II tem rendimento de até R$ 120 mil; atualmente, há três servidores nesse cargo. Um assessor V e um consultor técnico I recebem R$ 90 mil mensais.
Dinheiro não falta no Sistema “S”. Em novembro de 2025, o Conselho Nacional do Senac aprovou a previsão orçamentária para 2026: R$ 1,6 bilhão. A fartura se espalha pelo país. No Departamento Nacional, cargos em comissão de níveis 1 e 2 têm salário final de R$ 84 mil, totalizando 13 profissionais nessas funções. No Ceará, o diretor regional e outros sete diretores recebem R$ 72 mil.
No Rio de Janeiro, um diretor ganha R$ 86 mil, enquanto cargos de assessor variam entre R$ 11 mil e R$ 61 mil, com 13 profissionais nessa condição. Em Goiás, uma diretora executiva tem rendimento máximo de R$ 68 mil. No Distrito Federal, a remuneração é fixa, de R$ 60 mil. No Espírito Santo, o diretor regional recebe R$ 57 mil, e no Mato Grosso, R$ 62 mil. Já na Bahia, o salário final do diretor regional é de R$ 59 mil.
A origem do dinheiro
A principal fonte de recursos do Senac vem das contribuições sociais. Em 2026, elas deverão alcançar R$ 1,2 bilhão. A remuneração de depósitos bancários será de R$ 318 milhões, e os serviços educacionais deverão somar mais R$ 42 milhões. Por outro lado, as despesas também são significativas: as contribuições do Senac totalizarão R$ 819 milhões; vencimentos e vantagens fixas, R$ 160 milhões; serviços de terceiros, R$ 300 milhões. Os gastos com tecnologia da informação e comunicação alcançarão R$ 123 milhões, enquanto passagens e locomoção somarão R$ 13 milhões.
No Senai, o orçamento chega a R$ 1,8 bilhão.
Embora o Sistema “S” seja composto por entidades de direito privado, ele presta contas ao Tribunal de Contas da União (TCU), como os órgãos públicos federais. No entanto, por não estarem submetidas ao teto remuneratório constitucional, as remunerações são pagas integralmente.
O Senac é financiado principalmente por contribuições parafiscais obrigatórias — equivalentes a 1% sobre a folha de pagamento —, pagas por empresas dos setores de Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Essas receitas sustentam cursos livres, técnicos e de graduação.
Outro lado
A assessoria do Senac respondeu aos questionamentos feitos pelo blog. Em relação à política remuneratória, a instituição afirma que "o Senac é uma entidade de direito privado, organizada sob a forma de serviço social autônomo, não integrando a administração pública. Por essa razão, não se aplicam à instituição os parâmetros de remuneração estabelecidos para o setor público".
A instituição acrescentou ainda que "os recursos que financiam o Senac são provenientes de contribuições sociais recolhidas de empresas do setor do comércio, além de receitas oriundas da oferta de serviços educacionais, sendo integralmente destinados às atividades institucionais, sem distribuição de lucros".









