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Luís Ernesto Lacombe

Luís Ernesto Lacombe

Carnaval e eleição

Uma alegoria em pedaços

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O presidente Lula no Sambódromo, durante o desfile da Acadêmicos de Niterói. (Foto: Antonio Lacerda/EFE)

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A fantasia do carnaval dura pouco. Um enredo sobre Lula não podia ter mesmo nada de verdadeiro... Ou não seria uma “homenagem”. Seria mais uma forma de afirmar que o Brasil estaria muito melhor, se Lula nunca tivesse entrado para a “política” e criado o PT. E, infelizmente, não é exatamente uma surpresa ver uma escola de samba homenageando gente ruim... O ex-governador do Rio Anthony Garotinho foi enredo da Acadêmicos de Santa Cruz, em 2003. Getúlio Vargas, um ditador, um fascista, já foi homenageado algumas vezes, inclusive pela Unidos do Viradouro, que venceu o carnaval do Rio de Janeiro este ano. Em 2023, Lampião, um criminoso cruel, foi celebrado pela Imperatriz Leopoldinense, que levou o título... Não, não é à toa que o diabo é enaltecido nos desfiles pelo país, enquanto Jesus Cristo é ridicularizado...

Pelo menos, a Acadêmicos de Niterói ficou em último lugar e foi rebaixada. Não importa se acabou fazendo uma desastrosa campanha eleitoral antecipada para o Lula, e com dinheiro dos pagadores de impostos. Foi campanha eleitoral antecipada, e pronto. Vamos ver se os ministros do TSE terão a coragem dos jurados do carnaval do Rio para também punir Lula. Seria apenas um consolo ter o petista inelegível, quando se sabe que ele deveria ter cumprido duas penas longas por corrupção e lavagem de dinheiro. Em junho, Kassio Nunes Marques toma posse como presidente da corte eleitoral, com André Mendonça na vice-presidência... O que se pode esperar deles? Nada que lembre uma “ilusão de carnaval”, por favor.

Nada do que vimos na campanha de 2022 pode se repetir agora. É preciso que tenhamos uma campanha justa, equilibrada, dentro das leis

Jair Bolsonaro foi tornado inelegível porque fez uma reunião com embaixadores estrangeiros. Foi uma resposta a um encontro anterior do então presidente do TSE, ministro Edson Fachin, com os mesmos diplomatas. E quem dos dois criou um enredo fantasioso? Fachin jurou que o nosso sistema eletrônico de votação e apuração dos votos era infalível... Bolsonaro disse que não era bem assim. E eu fico pensando como nenhuma escola de samba ainda não teve a ideia de fazer um enredo sobre as nossas urnas... No futebol, elas já foram homenageadas. O TSE pegou de novo dinheiro deles, dos pagadores de impostos, e mandou fazer urnas eletrônicas gigantes infláveis, que foram montadas no meio do gramado durante jogos do Brasileirão e da Copa do Brasil de 2022...

Que TSE teremos este ano, com a mudança no comando da corte? Não pode ser aquele que, há quatro anos, proibiu a campanha de Bolsonaro de usar imagens de sua visita a Londres, do seu discurso na ONU, do 7 de Setembro em Brasília. Não pode ser aquele tribunal que proibiu Bolsonaro de fazer lives do Palácio da Alvorada, que mandou remover outdoors de apoio a ele no Distrito Federal. Aquele que perseguiu e censurou apoiadores do então presidente, que proibiu exibição de documentário sobre o atentado contra Jair Bolsonaro, que mandou remover vídeos que associavam Lula a esquemas de corrupção, à defesa da censura, do aborto, de criminosos, de ditadores como Nicolás Maduro e Daniel Ortega.

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O que o TSE, comandado por Nunes Marques e André Mendonça, vai permitir a Lula, se ele for mesmo candidato? O petista vai poder chamar, de novo, Jair Bolsonaro de “genocida”? Vai conseguir derrubar vídeos com críticas pertinentes a ele? Vai poder chamar um veículo de comunicação de “braço mais estridente do bolsonarismo” e conseguir que o TSE abra uma “investigação”, como foi feito contra a Jovem Pan, em 2022? Quem não lembra que a corte eleitoral mandou a emissora excluir o vídeo em que a senadora Mara Gabrilli associava Lula à morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel?

Nada do que vimos na campanha de 2022 pode se repetir agora. O anseio dos brasileiros deve ser um só e incansável. É preciso que tenhamos uma campanha justa, equilibrada, dentro das leis. E “pau na máquina”, se me permitem a expressão... Ninguém pode aceitar um TSE “carnavalesco”, bufão, farsesco, canastrão, hipócrita... Quero muito acreditar que não teremos a repetição da tragédia de 2022, quando Alexandre de Moraes pintou e bordou. E o resultado, tenho, sim, esse sentimento, será a morte política de Lula. E a imagem que me vem é aquela da alegoria que representou o petista no carnaval sendo arrastada e se despedaçando no asfalto, depois do desfile na Sapucaí.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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