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Não há no esquerdismo nenhum apego à realidade. A verdade, para quem está nessa, deve ser mesmo relativa. Como a democracia do Lula. Não é à toa que o comunismo tem base em mentiras, que Ludwig von Mises, há muitos anos, apontou com precisão. Mas o desafio permanece, é diário, à medida que gente como Lula não sente o menor pudor em mentir descaradamente. Há poucos dias, ele disse que “o Brasil vive seu melhor momento econômico”... E o petista não ficou nem ruborizado, mesmo que os números e o sofrimento do povo e dos empresários o desmintam.
Provavelmente, ele se referia a si próprio. Em discurso recente, Lula disse o seguinte: “Nós, que somos pobres, gostamos de coisa boa”... E a pergunta inescapável é: Lula é pobre? Tendo declarado patrimônio de quase R$ 8 milhões, ele está entre a minoria mais rica do Brasil. Se pudéssemos considerar o patrimônio dos filhos, da família dele, dos tantos amigos generosos que tem, talvez saltasse para a turma do bilhão... E outro problema dos grandes é que o ocupante do Palácio do Planalto usa o dinheiro dos pagadores de impostos como se fosse seu.
O Brasil inteiro fica refém dessa covardia que é transformar o orçamento federal em ferramenta para gerar popularidade em ano de eleição
Ninguém mais tem condições de sustentar uma máquina perversa como a montada pelo governo do PT. As “bondades” eleitorais de Lula este ano comprometem ainda mais a economia do país. São R$ 403 bilhões que cada um de nós vai ter de pagar... E os pobres podem até gostar de coisa boa, mas estão endividados, quebrados, assim como a classe média, assim como o país. Não tem como dar certo. E o Brasil inteiro fica refém dessa covardia que é transformar o orçamento federal em ferramenta para gerar popularidade em ano de eleição.
Nas duas últimas semanas, em campanha corrida, Lula teve 19 compromissos em sete estados. Tudo permeado pela mentira deslavada. Ele “inaugurou” o canteiro de obras da ponte que vai ligar a capital baiana à Ilha de Itaparica. E não teve vergonha de dizer: “Finalmente, saiu a ponte Itaparica”... Lula também “inaugurou” o túnel de irrigação Major Sales, no interior do Rio Grande do Norte, sem uma única gota d’água. Ele tinha pressa em fazer sua propaganda enganosa, já que a lei proíbe entregas oficiais nos três meses que antecedem o primeiro turno das eleições. E o que Lula acha disso? Uma “papagaiada desgraçada”.
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A definição do petista poderia ser empregada para classificar o editorial da Folha de S.Paulo do último domingo. Era um “alerta” sobre como “o populismo de direita se tornou endemia”. Era um texto confuso, que misturou um pouco de tudo, das eleições municipais brasileiras em 2016 ao pleito nacional de 2018, coronavírus, eleições nos Estados Unidos e na Europa. O editorial falou em políticos “encastelados, distantes da vida do cidadão mediano, demagogos”... Falou em “rapapés, regabofes, regalias”, em “egoísmo e autoproteção”, em “narizes empinados”, numa gente com “motoristas e jatinhos particulares”... Servia direitinho ao Lula e à sua turma, mas a eleição está logo ali; não tem por que jogar contra.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Luís Ernesto Lacombe é jornalista há 37 anos. Trabalhou nas principais emissoras de televisão do Brasil. Recebeu o Troféu Imprensa e, por duas vezes, o Prêmio Comunique-se. Hoje, comanda a Revista Timeline e produz conteúdo para suas redes sociais, que reúnem quase 10 milhões de pessoas. É autor best-seller, com cinco livros publicados, de gêneros variados: poesia, literatura, romance e crônica. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



