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Lisboa, 1908. O rei Carlos de Bragança e seu filho Luis Filipe passavam de carruagem aberta pela cidade. Apesar das inúmeras ameaças de morte, Carlos era popular e dispensava proteção. Em um momento, quando a carruagem diminuiu a velocidade para virar a esquina, dois assassinos o atacaram com disparos de revólveres, alvejando-o fatalmente. Luis Filipe, com 20 anos, andava sempre armado e tinha treinamento militar, revidou o ataque com tiros, matando um dos atacantes, mas foi também fatalmente alvejado. Eram os últimos descendentes de D. Pedro I no poder e assim terminou a monarquia portuguesa.
Seus nomes se somaram às centenas de assassinatos de reis, presidentes, aristocratas, militares, bispos e padres, que ocorreram todos ao longo dos séculos 19 e 20. E continuam até hoje...
Propaganda
No início do século 19, foi criado um movimento anarquista que pregava a “propaganda pelo feito” que vem do Francês propagande par le fait. Trata-se de uma ação política direta, específica e destinada a ser exemplar para os outros. No século 19, serviu de catalisador para a revolução e, no século 21, para a combater os “reacionários e contrarrevolucionários”.
O movimento justificava que regicídios e assassinatos de símbolos vivos eram atos justificáveis em prol da revolução contra o sistema tradicional “opressor”. Para eles, atos individuais e isolados eram vistos como propaganda revolucionária.
Ao longo dos próximos 200 anos, muitos atentados e mortes têm sido cometidos por esse movimento disperso e obscuro. Quantos? Centenas. Todos foram punidos com morte ou prisão perpétua, o que não fez diminuir o número de voluntários dispostos ao sacrifício. Por isso, esse movimento continua, com a diferença de que hoje são devidamente descartados pela mídia. E considerados atos isolados de marginais desequilibrados ou lobos solitários fanáticos.
Ética sim, mas qual?
É importante afirmar que não existe somente uma ética. Na ética cristã, matar é pecado. Na ética anticristã, matar é tolerável. Por isso a esquerda sempre aceitou cometer assassinatos políticos como parte de seu ethos. Lenin e Trotsky sempre aceitaram o assassinato como ferramenta política, mas argumentavam ser preciso observar o contexto. A ação não deveria ser um ato individual, mas sim dentro de um movimento coletivo, para se obter efetividade política. Foi o que fizeram com Mussolini, por exemplo, morto por comunistas nas fronteiras. Mas, para matar o símbolo, os revolucionários levaram seu corpo para ser mutilado e pendurado pela população em uma praça de Milão.
Lenin e Trotsky também temiam, e com razão, que atos individuais levariam a mais opressão do Estado. Mas essa visão mudou depois que a esquerda assumiu o Estado na Rússia e em vários outros países.
Deep state contra os conservadores
Enquanto no século 19 a “propaganda pelo feito” era um movimento social, subterrâneo e contra o Estado, no século 20 ele se tornou braço do Estado, com países criando agências — como CIA e KGB — para ativar células. No século 21, além das ações dessas agências, o movimento se tornou mais difuso e público com uso estratégico da grande mídia, que se encarrega diariamente de ativar os lobos solitários contra os “conservadores reacionários”.
O deep state, ou “burocracia profunda”, é um agente de controle da sociedade, e para manter esse controle precisa desativar os contra revolucionários
Não por acaso, o deep state está intrinsecamente ligado à ética revolucionária de constante destruição de símbolos da sociedade. Sobretudo símbolos como Donald Trump, que prometeu acabar com o deep state nos EUA. É só observar a reação da grande mídia — parte do deep state — ao atentado contra a vida de Trump, que se percebe seu apoio explícito.
Efeito contrário
No momento em que se ataca um símbolo americano, o candidato de uma parcela expressiva da população que quer vê-lo como seu presidente, atacam-se também o americanismo e os valores da identidade americana. Dessa forma, o efeito obtido com esse tipo de ação revolucionária costuma ser a união em torno de um líder, como em tempos de guerra, o chamado rally around the leader, quando todos se unem em torno de um líder, pois a essência comum do país está em jogo.
Em que pese quem goste ou não de Trump, a maioria não quer expor sua ética de cumplicidade com assassinatos.
Assassinato como parte da ética revolucionária
Basta acompanhar um pouco a mídia e as redes sociais para constatar que artistas, influenciadores, jornalistas, políticos e o próprio Biden, estimularam a população com discurso de mal e morte contra Donald Trump.
Essa propaganda subliminar que se expressa até como chiste e galhofa atinge o imaginário de quem se deixa influenciar pela propaganda de massa, hoje refinada nas narrativas do deep state.
Como esse tema é extenso, pois constitui parte integral da esquerda, comente aqui se você quer saber mais e publicarei no próximo artigo.
Conteúdo editado por: Aline Menezes

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de d. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França. Autor dos livros “Por que o Brasil é um país atrasado”, “Antes que apaguem”, “A Libertadora – Uma Nova Constituição para o Brasil” e “Império de Verdades”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



