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Luiz Philippe de Orleans e Bragança

Luiz Philippe de Orleans e Bragança

A falência moral das elites e o dilema do Brasil

Caso Epstein: entre o fogo e a frigideira, escolha o isqueiro

O financista Jeffrey Epstein, em uma das fotos divulgadas pelas autoridades americanas. (Foto: Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA/Divulgação/EFE )

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A divulgação da lista de Epstein não é apenas um escândalo jurídico ou midiático; é a erupção de um sintoma purulento que revela a subversão total das chamadas democracias liberais. O que se torna evidente é que o tecido social de países na Europa, nos Estados Unidos e até aqui, em nossa América Latina, está esgarçado pela exposição de entes políticos, influenciadores e magnatas cujas ações tingem a alma da humanidade.

A lista funciona como um “buraco negro” moral, sugando a credibilidade de regimes que, mesmo abertos, escondem em seus bastidores práticas que beiram o incompreensível.

Navegamos por águas onde o absurdo se tornou rotina. Vemos relatos de rituais que evocam o que há de mais sombrio e satânico, com atos que comprometem as figuras envolvidas não apenas legalmente, mas como entidades morais. Essa perversão escancara a fragilidade dos regimes ocidentais, que se mostraram vulneráveis a décadas de manipulação por grupos de interesse.

O grande fato que emerge desse abismo é que as elites globais, movidas por agendas próprias, são as verdadeiras mãos que operam as marionetes dos regimes abertos do Ocidente.

Em contrapartida ao caos libertino do Ocidente, observamos o bloco liderado por Rússia e China, onde imperam regimes fechados e autocráticos. Estabelece-se, então, um jogo de espelhos sombrios: enquanto os grupos de interesse ocidentais tentam romper as autocracias para expandir seu controle, os regimes autocráticos buscam subverter as democracias para moldá-las à sua imagem e semelhança.

É uma batalha de gigantes em que a virtude, a idoneidade e a bondade parecem ter sido banidas do tabuleiro de xadrez geopolítico

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Apesar da densidade dessa maldade, é preciso enxergar as nuances. Existe uma forma de “bondade” residual mesmo dentro desse cenário hostil. As democracias liberais, por mais maculadas que estejam, ainda preservam uma percepção de liberdade individual que as autocracias desconhecem.

Por outro lado, os modelos autocráticos, em sua rigidez, conseguem proteger melhor suas estruturas sociais contra os métodos subversivos que destroem as nações por dentro. É aqui que o conceito de Yin e Yang se aplica com precisão cirúrgica.

Nesse equilíbrio precário, uma força negativa pode ser dominante, mas ainda carregar um gérmen de positividade, enquanto forças aparentemente positivas podem abrigar núcleos de profunda negatividade. Entender esse balanço é fundamental para contextualizarmos o Brasil e o desafio colossal que temos pela frente.

Atualmente, o nosso país se encontra completamente dominado por esses grupos de interesse. Muitos deles bebem na fonte do autoritarismo, enquanto outros se vestem com as roupas da democracia liberal, mas todos carregam sua dose de veneno e seu componente de luz.

Nós, brasileiros, estamos sendo avassalados por esses dois polos, equilibrando-nos na cúspide de uma decisão que pode nos lançar para um lado ou para o outro. No entanto, a verdadeira liberdade exige a compreensão de que nenhuma dessas alternativas prontas é saudável.

O caminho para o futuro não reside em escolher um dos lados desse conflito global, mas, sim, em realizar uma profunda introspecção nacional sobre o nosso destino. O lado que devemos escolher não é “lado nenhum” das opções oferecidas; é um caminho totalmente novo.

O novo constitucionalismo e o despertar da consciência

Trilhar essa nova via é a tarefa mais difícil que podemos abraçar. Os dois grandes blocos de interesse mundial farão tudo o que estiver ao seu alcance para impedir que o Brasil trace sua própria rota, utilizando-se de coação, opressão e corrupção.

Olhando para a nossa realidade, percebo que o nosso governo, o nosso Estado e até a nossa Constituição não representam o caminho correto para o futuro. Já há algum tempo, temos discutido novas propostas de Constituição, com destaque para a Libertadora, cujo texto está disponível para consulta e debate em www.constituicaolibertadora.com.br.

O que temos hoje é apenas o reflexo das forças destruidoras que perambulam pelo mundo.

A verdade, a bondade e a virtude não estão representadas nas instituições ou nos papéis amarelados da lei, mas elas ainda pulsam na população. Por isso, defendo a necessidade urgente de um movimento novo constitucionalista que blinde o Brasil dessas forças maldosas.

Já mencionei essa necessidade em outras ocasiões, mas agora ela se torna cristalina: precisamos buscar nosso próprio destino e travar nosso próprio combate, sem as amarras de agendas estrangeiras que nos tratam como mera peça de reposição.

Esta é a nossa missão, e precisamos ter plena ciência dela para não cairmos nas armadilhas que serão colocadas em nossa jornada. Estamos caminhando sobre uma linha tênue, um fio de navalha que exige lideranças forjadas no rigor da opinião pública e no compromisso real com a nação.

A mediocridade brasileira será prolongada se não houver uma cobrança total da população na formação dessas novas lideranças no curto prazo

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A consciência brasileira está crescendo de forma exponencial. O cidadão comum percebeu que as opções oferecidas pelo mercado global de ideologias não nos servem.

A melhor opção para o Brasil é, e sempre será, a opção brasileira, mas ela ainda precisa ser maturada e desenvolvida dentro da consciência coletiva. Não podemos aceitar o banquete de sombras que nos é servido; precisamos cultivar nossa própria semente.

O desafio é hercúleo, pois não lutamos apenas contra homens, mas contra sistemas de poder que atravessam séculos. Contudo, a alma de um povo que desperta é a única força capaz de romper o ciclo de subversão.

O Brasil não deve ser o quintal de democracias apodrecidas, nem o laboratório de autocracias rígidas. Nossa vocação é a síntese, o caminho novo que o autoritarismo teme e que a libertinagem não compreende.

Se não tomarmos as rédeas agora, seremos apenas as cinzas da fogueira alheia. O futuro exige que sejamos os arquitetos de uma nova estrutura, protegida pela virtude da nossa gente e blindada por uma nova ordem constitucional que nasça, finalmente, da nossa própria essência. A linha é fina, o abismo é fundo, mas o destino é nosso para ser conquistado.

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