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Estamos a poucos passos da tirania absoluta da esquerda. Mesmo quem não acompanha a política sabe disso. Muitos perguntam como a esquerda chegou lá. Eu sempre respondo que foi promovendo a democracia com mais diversidade, mais equidade e mais inclusão.
Para entender essa dinâmica, é necessário saber responder por que a esquerda ainda insiste e permanece clamando por democracia mesmo quando, de fato, ela é quem comanda o poder do estado, das instituições e das políticas públicas.
Por que ela insiste em manter essa narrativa de que é o único movimento que preza pela democracia? Como o termo “democracia” é usado no contexto atual? Por definição, estamos em um estado moderno, em que a esquerda detém o controle das instituições e das políticas públicas.
No século 21, a esquerda tem determinado as narrativas para a opinião pública, com a adesão dos meios tradicionais de comunicação. Entretanto, no século 18 e 19, a história era bem diferente.
Foi no período setecentista que surgiram vários desses movimentos liberais e constitucionalistas, que precisavam representar uma classe até então sem voz na sociedade: mercadores, comerciantes, alta e baixa burguesia, artesãos, industriais e todos aqueles que surgiram no rescaldo da revolução industrial.
É fundamental conhecer esse movimento, porque até então o poder político era a aristocracia, o clero, a nobreza e os reis. No regime tradicional (antigo regime) a participação política dependia de pertencer a um desses canais e por concessão de seus agentes.
Petrificação da cristandade: Esse era o antigo regime que teve origem a partir do final do império romano, controlado pelos reis cristãos. Mas como todo modelo político há sempre um início libertador e inspirador e um final trágico e opressivo.
O regime tradicional se distanciou de suas raízes de legitimidade com a maturação do estado moderno. Nesse novo contexto as tradições, mitos, valores, e conexões entre governante e governado foram se petrificando e tornando-se opressivos.
A relação se acirrou entre rei, clero e nobreza com uma nova classe média emergente, urbana, liberal e móvel. Esse foi o pano de fundo de diversas revoluções do século 18 e 19.
Distanciamento da realidade: Esse distanciamento é notável e pode ser exemplificado pela criação do palácio de Versailles. O rei Luís XIV era muito receoso de levantes populares, provavelmente devido a um trauma de infância.
Seu palácio no Louvre foi invadido duas vezes por nobres rebeldes e em uma delas ele só sobreviveu porque fingiu que estava dormindo e quando dada oportunidade fugiu com sua mãe e o cardeal Mazarin, então regente da França.
Três anos após assumir o trono, em 1664, ele começa a construção de Versailles, concluída em 1682, e ao se mudar leva consigo toda a corte francesa. Luís XIV não apenas centralizou a nobreza mas também a cultura, criando uma cultura própria e muito distante do que estava acontecendo na sociedade.
Esse distanciamento, a falta de raízes na sociedade e a falta de canais de comunicação e de política mais abertos são algumas das razões da Revolução Francesa.
Foram esses fatores que deram vazão a uma revolta dos não-representados dessa nova classe burguesa, que conquistava cada vez mais poder, mas permanecia com representação distante.
Democracia, a libertadora: Nesse contexto, os conceitos de democracia, república e ciência eram percebidos como libertadores da sociedade enquanto a monarquia, a tradição e a cristandade se tornavam repressores na narrativa de todos os revolucionários.
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Marxismo mutante: O marxismo adquire fervor naquele instante do século 19 em que a Europa, mais uma vez, arde com fervor revolucionário e coloca em xeque vários regimes tradicionais a partir de 1848.
Mas no século 20, a situação complica para os marxistas, pois se por um lado, a esquerda assume o comando em diversos países, por outro, a narrativa marxista teria que ser readaptada para essa nova realidade.
Muitas das políticas propostas por marxistas se tornaram políticas públicas em diversos países à medida que eles assumiram as máquinas de estado e as transformaram em esteios naturais a militantes da esquerda. A substituição dos nobres, aristocratas e clérigos e suas tradições do antigo regime foi completa.
No novo regime, a burocracia tecnocrata se torna a grande reguladora e normatizadora da sociedade. Este é o momento em que a esquerda redireciona o uso da força da “democracia” contra si mesma
O que vem a seguir é a alta perversidade que se observa dentro dos pensadores dos movimentos de esquerda.
A democracia é o prenúncio do caos: Na antiguidade, a democracia foi considerada contraproducente por antigos filósofos, como Sócrates, assim como muitos de seus pares. Todos entendiam as dinâmicas sociais e políticas pelo viés de ciclos. Platão, inclusive, chega a esboçar uma teoria de ciclos, a qual mencionei em artigos anteriores e em meu livro “Por que o Brasil é um país atrasado?” (Ed. Maquinaria).
Pela teoria dos ciclos, a criação de um regime ditatorial é precedida por um momento democrático. Lembrando: a sociedade começava com uma monarquia, deteriorava-se para uma tirania, da tirania surgia uma aristocracia que vinha resgatar o bem-comum, mas essa aristocracia eventualmente se corrompia para uma oligarquia, e a pólis era resgatada pela força da democracia, mas depois da democracia inexoravelmente entra o caos.
Na sequência desse momento de caos volta a monarquia, mais forte, mais centralizada, considerada como a única capaz de restabelecer a paz social.
Alguns filósofos, no intuito de preservar os momentos virtuosos da sociedade, defendiam que era necessário uma constituição para preservar as forças virtuosas desses ciclos. Advém desse pensamento a criação dos três poderes, por Montesquieu: a monarquia, a aristocracia e a democracia.
A definição de Executivo, Legislativo e Judiciário é uma subversão semântica usada dentro do conceito de estado moderno.
Decifrando o enigma da esquerda: Continuando com a questão, por que desde o final do século 20 até agora, início do século 21, a esquerda se diz democrática quando ainda está no poder?
Considerando a teoria dos ciclos, o leitor já deve ter respondido à questão: os esquerdistas sabem que fomentando cada vez mais democracia, a sociedade estará mais próxima do caos; e quem será o novo rei todo poderoso?
Aquele que já está organizado, o próprio estado. Seria brilhante se não fosse perverso fazer a sociedade crer que quanto mais democracia, mais liberdade; mas não, o efeito é o contrário.
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DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão): São as novas ideias da esquerda na intenção de promover uma democracia caótica. Essa é a meta, pois no caos ela consegue reforçar seu próprio poder sobre sociedade.
Vale ressaltar que os socialistas estão não só no comando das instituições e das políticas públicas, mas adotaram um novo desafio: controlar o comportamento e o pensamento da população. E como pretendem conseguir essa façanha?
Gerando mais caos e sempre pregando uma democracia diversa, com cada vez mais equidade e inclusão de personalidades que não devem ser incluídas, pois exibem comportamentos, valores e até mesmo religiões destrutivas da paz social vigente.
Discursos e táticas maquiavélicas: Saul Alinsky, filósofo estadunidense do século 20, foi organizador de comunidades em áreas de conflito nos anos 50, e em uma passagem importante de sua obra ele descreve como elementos da esquerda se fantasiaram de membros da Ku Klux Klan, e adotando discurso e práticas racistas, e se apresentavam publicamente junto a movimentos da direita, com o intuito de descredibilizar e descredenciar a direita.
Pois é, essa prática é muito astuta, antiga, recorrente e assume várias formas e meios. Mesmo assim, uma parcela da opinião pública sempre cai vítima da óbvia manipulação.
Em diversos casos vemos a esquerda se travestindo de direita para destruir o movimento conservador. Literalmente, em todos os sentidos. As táticas são inúmeras, e há sempre uma nova geração de desavisados pronta para ser enganada.
Ou será que essa geração é a geração que não se engana mais? Essa é a minha esperança.
Conteúdo editado por: Aline Menezes

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de d. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França. Autor dos livros “Por que o Brasil é um país atrasado”, “Antes que apaguem”, “A Libertadora – Uma Nova Constituição para o Brasil” e “Império de Verdades”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



