
Ouça este conteúdo
Acorda, Brasil! Depois de três anos de medo, seguidos de torpor, a mensagem, embora direta, carrega em si a necessidade e a urgência que o momento exige. Não se trata apenas de um brado retórico, mas de uma convocação necessária para despertar aqueles que se encontram dormentes ou confusos diante do atual cenário político. Precisamos dialogar com todos: desde o eleitor do centrão até aquele que se posiciona à esquerda. O objetivo é único e soberano: a retomada da consciência cívica brasileira.
Recentemente, o deputado Nikolas Ferreira foi aclamado como uma liderança capaz de ressuscitar o espírito do movimento “Acorda Brasil”, que, entre 2014 e 2016, obteve sucesso ao engajar diversas camadas da população contra os graves desvios do governo da época. Naquele período, a mobilização culminou no impeachment de Dilma Rousseff, no combate à corrupção, apoiando a Operação Lava Jato, e na subsequente prisão de Luiz Inácio Lula da Silva.
Entretanto, há uma lição fundamental daquela época que corre o risco de ser esquecida: o sucesso daquelas manifestações não se deveu a partidos ou políticos profissionais. Foram cidadãos comuns, de diversas matizes sociais, que se mobilizaram organicamente.
Movimentos como o Revoltados Online, Vem Pra Rua, Nas Ruas, MBL, Avança Brasil e o próprio Acorda Brasil nasceram da espontaneidade da sociedade, sem palanques políticos ou protagonismos partidários. É esse o espírito que precisamos resgatar.
A partidarização das mobilizações
Ao final de sua caminhada, Nikolas Ferreira afirmou em alto e bom tom: “vocês agora acordem o resto do Brasil”. Apesar de político, Nikolas falou como cidadão consciente dos limites que os políticos hoje têm. Essa fala ressoa profundamente com o que tenho defendido em minhas colunas e intervenções públicas.
É inaceitável que a organização de manifestações dependa exclusivamente de políticos e da estrutura de partidos. Tal dependência é limitante e perigosa
A partidarização de um movimento popular restringe o discurso e a ação ao que é meramente “aprazível” ou executável dentro das conveniências da sigla. A população, contudo, não deve — e não pode — operar sob esses mesmos limites. A liberdade de ação popular é fundamental, porque os restritos limites impostos pelas instituições representativas muitas vezes agem contra os interesses reais da nação.
Embora eu faça parte do Partido Liberal (PL), que hoje lidera a voz de oposição e de engajamento direto com o público, reitero: a população deve se mobilizar espontaneamente, para além das amarras partidárias.
Os políticos podem dar apoio a ela, mas o ideal é que segmentos da população liderem. Somente uma força externa ao sistema político estabelecido terá a legitimidade e a potência necessárias para promover as transformações institucionais profundas que o Brasil clama.
A “junta” de Brasília e o modelo autocrático
Precisamos encarar a realidade com a devida gravidade. Hoje, o que vemos em Brasília é um poder ditatorial constituído — uma “junta” que comanda o país de maneira absoluta e sistêmica. Esta junta não representa a vontade popular; ela serve a grupos de interesse internos, externos, econômicos e políticos.
Ao longo de décadas, o poder foi retirado do povo, de seus representantes, e concentrado no “deep state” brasileiro, resultando em uma falta de transparência total e em uma corrupção institucionalizada. Vivemos sob o risco de uma lei tirânica do poder público a qualquer momento, em que a divergência é punida com o cárcere, ou pior, assemelhando-se às autocracias mais diabólicas do mundo contemporâneo.
O alinhamento do atual governo brasileiro com tiranias que assassinam e privam suas populações de liberdade não é coincidência. Estamos lidando com um poder que, embora brasileiro, compartilha o mesmo DNA autoritário de regimes como os da Rússia, Cuba, Nicarágua, Venezuela, Irã e China.
Se o governo ainda não atingiu o nível de barbárie dessas nações, é apenas porque ainda não possui os meios necessários para tal, mas o estágio de poder que busca é exatamente esse. O freio — e a reversão desse caminho — deve partir de uma mobilização nacional.
Da política de cargos à transformação institucional
Lideranças como Nikolas Ferreira e Jair Bolsonaro são fundamentais como canais de comunicação direta com as bases mais distantes da compreensão do complexo sistema político. Eles possuem acesso à intuição da população que, mesmo sem entender todo o contexto e as complexidades políticas, responde em sintonia quando escuta a verdade. E fazem capilarizar a mensagem de despertar.
No entanto, para que seu legado seja efetivo, transformador e duradouro, eles precisam abraçar uma missão mais profunda. Além do despertar.
Não basta ser um representante popular; é preciso ser um transformador do Estado. O foco não deve ser meramente em políticas públicas superficiais, mas na reforma das instituições. Atualmente, as instituições brasileiras foram criadas à semelhança de seus criadores: socialistas e corruptos. Por essa razão, estão todas aparelhadas por membros dessa junta criminosa que comanda o país.
Se o objetivo dessas lideranças for apenas alcançar ou manter cargos eletivos, o sucesso será ilusório e efêmero.
A verdadeira missão é a libertação do povo brasileiro por meio de reformas institucionais que devolvam a soberania ao cidadão e ao país. A abertura de consciência que vivemos agora deve ser canalizada para essa cobrança
Breve histórico do nome: “Acorda, Brasil”
A expressão “Acorda Brasil”, consagrada como mote na caminhada empreendida por Nikolas, seguida por milhares ou milhões de apoiadores, possui uma trajetória que reflete as mudanças nas correntes ideológicas do país:
- Origem classista: Antes de 2014, existia um movimento homônimo de viés classista e ligado a setores da esquerda, como sindicatos de classe (possivelmente bancários), que acabou perdendo força em 2013 e ficando estagnado.
- O ressurgimento (2014–2016): O nome foi resgatado por grupos de orientação liberal e conservadora, dentre eles o movimento Brasil Melhor, que se uniu a nós, do Avança Brasil, do qual fui um dos fundadores. Isso tudo nos fez ganhar uma nova identidade e um propósito totalmente distinto. Foi sob essa nova roupagem que o movimento se tornou um dos motores do impeachment de Dilma Rousseff.
- A característica anti-personalista: Naquele período, o movimento prezava pelo “anti-protagonismo”. Não havia lideranças personalistas evidentes; o foco era a causa nacional, o que facilitava a adesão espontânea da sociedade civil. Sem heróis nem palanques, só pautas e cobrança.
- A reativação atual pelo Nikolas: Após um período de desmobilização dos movimentos cívicos (especialmente após a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro em 2018), o termo volta a ser utilizado como um catalisador para despertar a população contra o atual sistema de poder.
Compromisso com a cidadania
O confronto com o inimigo da liberdade não se faz apenas com siglas partidárias. É necessário massificar o sentimento de cidadania. O “Acorda Brasil” precisa ser abrangente, apolítico no sentido de não se curvar a interesses de palanque, e focado estritamente no Brasil.
Aqueles que hoje detêm a voz popular devem entender que seu papel é ser o combustível para essa revolução institucional. Não permitiremos que o território brasileiro seja comandado por uma junta pautada por grupos de interesses. O despertar já recomeçou e, como já deu certo antes, vai dar certo mais uma vez. Estamos voltando.




