
Ouça este conteúdo
Esta é a data de nascimento da identidade do brasileiro e é maior do que qualquer ideologia política ou partidária. Um dos aspectos mais vitais do Dia da Independência do Brasil e por isso não necessita de propaganda ou evento organizado por governo nenhum, pois ele transcende a tudo e a todos na nação. É um dia para todos, pois gerou todos os aspectos que compõem nossa grande nação.
Um dos defeitos da psique brasileira, criada pelo sistema de ensino, pela mídia, pelos artistas e até por nossas famílias é sistematicamente negar a legitimidade dos fundamentos históricos que conduziram o país ao estado atual. Apequenar e negar os símbolos e heróis, datas e marcos de avanços políticos, econômicos e sociais que ocorreram é método político de enfraquecimento da sociedade.
Sem dúvida, nossa evolução não foi perfeita, com seus percalços, conspirações, golpes, atrasos e conflitos. Poderíamos estar muito além do que estamos hoje? Sim. Mas chegamos aqui melhor que a maioria das nações do mundo. Hoje somos uma potência social, cultural, econômica e regional. Por incrível que pareça, temos instituições políticas com mais tradição que muitos países desenvolvidos. Por isso, se há problemas maiores na nação brasileira de hoje são o de não reconhecermos que somos essa potência e de não exigir liderança de nós mesmos e de nossos governantes.
Não é exagero. Precisamos nos auto impor nossa condição de liderança. É uma exigência para conosco, em nossas famílias e com nossos filhos. E quando a fizermos, isso tudo vai mudar para muito melhor. É acreditar para ver. A obviedade de nossa liderança já é clara para todos ao redor do mundo exceto para nós mesmos. E o maior inimigo que temos é o nosso modo de ser, moldado por comportamentos de servilidade, de coletivismo e de pobreza que dominam nossas mentes, corações, e por consequência, nossa representação política há muito tempo.
A obviedade de nossa liderança já é clara para todos ao redor do mundo exceto para nós mesmos
Eu chamo a isso de ethos do “inho”: cafezinho, churrasquinho, cervejinha, casinha, carrinho, mulherzinha, maridinho etc. Esse ethos, por mais que desarme e “humildifique” nosso ego coletivo, também nos diminui como povo, enfraquece-nos e torna nossas exigências pequenas, fortalecendo aventureiros sociopatas corruptos que prometem mais “inho”, para nos manter na condição passiva de sempre.
Essa postura é inversa à de D. Pedro I. Ele sabia que sair de uma atitude passiva para ativa gerava desconforto. O brado da independência foi uma decisão contra a servilidade e os benefícios que ele, d. Leopoldina e José Bonifácio poderiam obter ao simplesmente sucumbir às vontades das cortes portuguesas. Ao contrário, eles assumiram a liderança e decidiram pela independência. Estavam plenamente conscientes dos desconfortos que isso traria, não só para eles, mas para toda a nação brasileira naquele momento.
O nosso futuro de liderança forte, soberana, próspera, influente e livre de ditadores e de corruptos depende da nossa reconciliação com nossa história (nossos pais e mães do passado), da nossa consciência de grande missão como povo e nação que temos e de que tudo isso está ao nosso alcance, pois faz parte de quem somos. O nosso ethos do “ão” (do churrascão, do carrão, do jogão, do golaço, do maridão, do mulherão, do “maior e melhor do mundo”) também existe dentro de nós e só precisa de um “empurrãozinho” para se tornar dominante.
Associado ao ethos do “ão” vemos os atributos de liderança, força, independência, autossuficiência e autodeterminação que precisamos para exercer nosso destino conjunto. Isso significa ser líder em ciência e tecnologia, matemática, filosofia, na língua escrita, nas artes, nos influências de padrões de consumo regional e mundial Nos fóruns de política percebemos claramente como o respaldo do comportamento e das exigências da sociedade refletem nas decisões. Destaco este ponto, pois não é uma questão de definir se é o “ovo ou a galinha” que vem primeiro. Nesse caso, são nítidas a causa e consequência; a mudança começa na sociedade.
Aos que percebem o nosso país à luz da grandeza que sempre fomos, celebremos nossa independência em grande estilo. Aos outros, que ainda não veem o país dessa maneira, sugiro refletir sobre o que mencionei acima e definir se não é seu comportamento que pode estar afetando sua percepção. Quem sabe o dia 7 de setembro possa ser um renascimento para algo muito melhor?
Seja como for, Sete de Setembro é o seu dia. Celebre-o como bem entender. Parabéns a você, brasileiro, é o seu aniversário!
Conteúdo editado por: Jônatas Dias Lima

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de d. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França. Autor dos livros “Por que o Brasil é um país atrasado”, “Antes que apaguem”, “A Libertadora – Uma Nova Constituição para o Brasil” e “Império de Verdades”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



