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Marcel van Hattem

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Banco Master

Quando investigar vira exceção

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não prorrogar a CPI do Crime Organizado, limitando o avanço das investigações sobre o caso Banco Master (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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Os documentos da Receita Federal levados à CPI do Crime Organizado comprovaram as informações que já eram graves: transferências de R$ 80 milhões do Banco Master ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes. Não podem usar mais a desculpa de narrativa política, são dados oficiais que exigem uma apuração rigorosa e imediata.

O que se vê, porém, é o oposto. O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, que deveria liderar esse processo de esclarecimento, anuncia que vai encerrar a CPI sob o argumento de que estamos em um ano eleitoral. Trata-se de uma inversão inaceitável de prioridades. A lógica implícita é clara: a conveniência política fala mais alto do que o dever constitucional de fiscalizar. Quando o calendário eleitoral serve de desculpa para interromper investigações, abre-se espaço para a institucionalização da impunidade.

O que está em jogo não é apenas mais um escândalo, mas a própria credibilidade das instituições. Um parlamento que se omite enfraquece a democracia que deveria proteger e transmite à sociedade a mensagem de que há intocáveis no topo da República

Como se não bastasse, novas informações apontam que o mesmo Banco Master bancou viagem do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para participar de um fórum jurídico em Londres. Passagens, hospedagem, locomoção e até alimentação e uma degustação do caríssimo Whisky Macallan pagas pelo banco de Daniel Vorcaro. Só uma diária do hotel escolhido passa de R$ 6 mil. A pergunta que se impõe é simples: como garantir isenção na atuação de órgãos de investigação quando há vínculos dessa natureza?

Em Brasília, onde rumores circulam com rapidez, suspeitas sobre a atuação do Banco Master já eram comentadas há tempos. Ainda assim, autoridades que deveriam agir com cautela mantiveram proximidade com a instituição e o próprio Vorcaro. É exatamente o caso do diretor-geral Andrei Rodrigues, da Polícia Federal. Mais grave: o aparato estatal tem sido utilizado para constranger parlamentares que denunciam abusos, invertendo completamente a lógica do Estado de Direito.

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Não surpreende, portanto, que uma parcela expressiva da população já veja no próprio Judiciário um fator de enfraquecimento da democracia. Esse dado não pode ser ignorado. A confiança nas instituições é o alicerce de qualquer regime democrático, e sua erosão é sempre um sinal de alerta.

A Constituição de 1988 não conferiu poderes ilimitados a ninguém; ao contrário, instituiu limites justamente para impedir que autoridades se blindem atrás de seus cargos. Quando o Senado se recusa a agir diante de fatos graves, deixa de ser parte da solução e passa a integrar o problema, alimentando um ambiente onde a falta de responsabilização se torna regra.

O que está em jogo não é apenas mais um escândalo, mas a própria credibilidade das instituições. Um parlamento que se omite enfraquece a democracia que deveria proteger e transmite à sociedade a mensagem de que há intocáveis no topo da República. Isso é incompatível com qualquer noção de Estado de Direito. Se há um caminho para reverter esse quadro, ele passa por romper com a inércia e restabelecer o princípio mais básico de uma nação livre: o de que poder sem controle degenera, e autoridade sem fiscalização abre espaço para abusos. O Brasil não precisa de mais silêncio, precisa de responsabilidade e responsabilização daqueles que se julgam intocáveis.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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