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Um samba-enredo claramente político; uma homenagem eminentemente eleitoral. Uma apresentação inteiramente constrangedora e um resultado nada menos do que esperado. O rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio, aquela que homenageou Lula no seu desfile, fechou de forma merecida o feriadão da semana que passou. As notícias sobre o caso, porém, não se encerraram. Pelo contrário.
No pós-desfile atualizaram-se os valores repassados à Acadêmicos para sua apresentação. Nada menos que R$ 9,6 milhões, até o momento, foram computados como originários de cofres públicos, somando-se os recebidos da prefeitura de Niterói, do governo do estado do Rio de Janeiro e do governo federal. Também os processos judiciais, administrativos e eleitorais contra a escola e contra o petista seguem na mídia.
Diz-se que o diabo faz a panela, mas não faz a tampa. Que o digam a Acadêmicos de Niterói e o seu homenageado: acreditaram estar abafando, mas agora terão de lidar com as péssimas consequências de suas soberbas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acionado pelo partido NOVO, não impediu o desfile alegando censura prévia (diferentemente dos seus julgados anteriores, como no caso do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro”, da Brasil Paralelo, em 2022), porém alertou para a potencialidade do ilícito eleitoral. Consumada a evidente transgressão, basta aguardarmos pelo registro da candidatura de Lula como candidato à reeleição para que se reabra a discussão no TSE e defina-se pela inelegibilidade ou não do candidato.
Independentemente de decisões judiciais, o dano político a Lula e ao PT já foi causado pela própria escola de samba. O entorno do presidente percebeu o grande erro em embarcar na aventura criada por uma escola desconhecida e que tentou fazer do “desfile de ode ao líder" - uma prática bem comum em regimes ditatoriais, aliás - um instrumento para seu próprio sucesso. Deu tudo errado.
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As notas dos jurados anunciadas na quarta-feira de cinzas, uma após a outra, colocavam os últimos pregos no caixão de uma iniciativa malfadada do início ao fim. Da queda da audiência da TV Globo, enquanto transmitia o desfile na Sapucaí, ao barraco familiar protagonizado por Janja e Lurian, filha de Lula, no camarote do evento, tudo deu errado. No público e no privado, na passarela e nos bastidores, o fiasco foi completo.
A confiança em excesso é péssima conselheira. Diz-se que o diabo faz a panela, mas não faz a tampa. Que o digam a escola de samba Acadêmicos de Niterói e o seu homenageado: acreditaram estar abafando, mas agora terão de lidar com as péssimas consequências de suas soberbas.




