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O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu enterrar a CPMI do INSS. A investigação que revelou um rombo bilionário nos contracheques de aposentados, idosos e deficientes físicos foi forçosamente encerrada por ministros que, pessoalmente, têm muito a temer com o avanço das apurações. São ao menos três os ministros cujos familiares aparecem em negócios ligados ao Banco Master, um dos operadores do esquema.
A esposa de Alexandre de Moraes mantinha um contrato de R$ 129 milhões com a instituição fraudulenta e o próprio ministro trocava mensagens frequentes com o banqueiro corrupto – inclusive no dia de sua primeira prisão. O ministro Dias Toffoli pegou carona no jatinho do advogado do Master e vendeu cotas suas e de seu irmão de um resort de luxo – o famoso Tayayá – para um fundo ligado ao banco Master. Já o filho do ministro Kassio Nunes, Kevin, de apenas 25 anos, foi associado a uma consultoria que recebeu R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS entre agosto de 2024 e julho de 2025.
O que o Supremo fez não foi um exercício jurídico. Foi uma operação de autoproteção. A toga emprestou verniz de legalidade ao que, no fundo, é a proteção dos próprios ministros de uma investigação que já estava chegando em gente muito próxima
Apesar de todos esses fatos já serem públicos e, resultantes de investigações da Polícia Federal e divulgados pela imprensa, nenhum desses três ministros se declarou impedido de votar no mandado de segurança que pedia a prorrogação da CPMI, que foi apresentado pelo presidente da Comissão, Carlos Viana, pelo relator Alfredo Gaspar e por mim. Muito pelo contrário. Votaram para enterrar as investigações.
A CPMI do INSS ambicionava apenas 120 dias a mais de investigações. Tão somente isso, para que pudesse concluir investigações sobre o esquema que desviou bilhões dos mais vulneráveis do Brasil. O Supremo disse não. Dino e Gilmar disseram que não se poderia prorrogar por apenas 120 dias uma investigação sobre roubo de aposentados, pois poderia se igualar à prática de regimes “autoritários”. É o mesmo Supremo que mantém aberto, há mais de sete anos, o inquérito das fake news. Um inquérito sem prazo, sem base legal e voltado exclusivamente à perseguição da oposição ao governo Lula, ao PT e a quem é crítico aos desmandos do próprio STF. Ou seja, a prorrogação da CPMI do INSS é autoritarismo, já o inquérito das fake news de 7 anos, uma “defesa da democracia”. A hipocrisia é de gelar.
O que o Supremo fez não foi um exercício jurídico. Foi uma operação de autoproteção. A toga emprestou verniz de legalidade ao que, no fundo, é a proteção dos próprios ministros de uma investigação que já estava chegando em gente muito próxima – por que não, neles mesmos?
A decisão do STF, porém, não apaga o que já foi descoberto: o esquema bilionário, as empresas de fachada criadas logo após a eleição de Lula, os mecanismos de fiscalização propositalmente desmontados, a mesada de R$ 300 mil recebida por Lulinha do Careca do INSS; o sindicato do irmão de Lula, Frei Chico, que saltou de R$ 23 milhões para R$ 154 milhões em descontos no período mais crítico do esquema. Nada disso desaparece com uma canetada do Supremo.
A Comissão encerrou suas atividades na sexta (27). Mas a investigação do roubo dos aposentados continua sob a relatoria de André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. E a verdade, mesmo a mais inconveniente, sempre acaba aparecendo.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








