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Ameaças de morte, sim; orações cristãs já é demais. Esse é o pensamento de militantes nas universidades públicas brasileiras. Na teoria, esses locais, que servem para o ensino e são mantidos com o dinheiro de todos os brasileiros, deveriam refletir pluralidade.
No entanto, o que se vê é um ambiente cada vez mais dominado por uma única visão ideológica, onde o contraditório não apenas é rejeitado, mas muitas vezes hostilizado. Episódios recentes na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) demonstram bem isso.
Nesta semana, alunos (aqueles que realmente estudam) me enviaram imagens de ameaças direcionadas a mim, que se tornaram frequentes e, pior ainda, normalizadas dentro da instituição.
No prédio da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH), por exemplo, entre diversas pichações já comuns, há uma frase explícita incitando a minha morte. Trata-se de algo gravíssimo, que ultrapassa qualquer limite de liberdade de expressão, mas, como é de se esperar, eles não ligam.
E não para por aí. Nem mesmo em eventos festivos, como as chamadas “calouradas”, eles se esquecem de mim. Em um cartaz de divulgação recente, o nome de Charlie Kirk e o meu foram associados ao nazismo, em mais um exemplo claro daquela lógica simplista resumida no meme “todo mundo que eu odeio é Hitler”. Como se não bastasse, ainda colocaram um alvo sobre a minha cabeça, novamente uma simbologia que remete à violência e à eliminação de adversários políticos.
O mais alarmante é perceber que esses episódios, assim como outros casos semelhantes, incluindo palestras com títulos como “educando com o c*”, são tratados com naturalidade por setores da esquerda e, muitas vezes, pelas próprias instituições.
A Reitoria da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por exemplo, publicou, em suas redes sociais, uma nota contra a minha presença, mas a universidade recebeu de braços abertos Aleida Guevara, filha de Che Guevara. Sobre isso, não há indignação proporcional, nem tentativas de impedimento, muito menos responsabilização.
A história muda completamente quando um grupo cristão decide simplesmente se reunir pacificamente dentro da própria UFMG para realizar orações.
Recentemente, o organizador dos cultos foi acionado no Ministério Público Federal, e os fiéis ainda foram rotulados como “grupos terroristas”.
Ou seja, manifestações ideológicas alinhadas à esquerda são toleradas, até mesmo quando flertam com o absurdo, enquanto expressões religiosas ou conservadoras são tratadas como ameaça
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Onde está a democracia que tanto se prega? Onde está a pluralidade de ideias que deveria ser o alicerce do ambiente acadêmico? Engana-se quem ainda acredita que há equilíbrio nesse cenário. O que existe, cada vez mais, é intolerância disfarçada de virtude. E, justamente por isso, a reação de quem defende a liberdade de pensamento se torna não apenas legítima, mas necessária.
Recuperar o verdadeiro espírito universitário, aquele baseado no debate e no respeito às diferenças, é fundamental. Caso contrário, os centros de produção de conhecimento serão transformados em meros espaços de reprodução ideológica, completamente desconectados da realidade e da própria democracia.








