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O que um católico espera quando vai à Missa? Rezar, ouvir a Palavra, encontrar consolo, correção, esperança e, sobretudo, unir-se a Cristo na Eucaristia poderiam ser algumas das respostas, certo? Mas, infelizmente, nos últimos dias, dois padres — se é que eles podem ser considerados de fato padres — ganharam destaque não pelo que estão fazendo por Cristo, e sim por utilizarem suas posições de liderança na Igreja para proferir ataques contra mim, com base em seus posicionamentos ideológicos particulares, que curiosamente vão de encontro ao próprio Cristianismo.
O primeiro episódio emblemático ocorreu no Santuário Nacional de Aparecida, quando o padre Ferdinando Marcílio, durante uma celebração, criticou a Caminhada Acorda Brasil, iniciada por mim no mês passado, afirmando: “Não é marcha pelo povo, é marcha pelo poder.” A fala, feita no contexto da homilia, soou menos como reflexão evangélica e mais como militância política — algo incompatível com a natureza da liturgia.
Ainda mais grave foi o caso do padre Flávio Ferreira Alves, de Caratinga–MG, que chegou ao extremo de negar a Eucaristia a fiéis que me apoiassem, pedindo que deixassem a igreja. Ao declarar que quem concordasse com os meus posicionamentos “não merecia receber a Eucaristia”, o sacerdote rompeu frontalmente com a doutrina da Igreja, que ensina que a Eucaristia é dom gratuito de Cristo e sacramento de unidade, jamais instrumento de coerção política ou exclusão ideológica.
Se a intenção do “servo de Deus” que expulsa o povo da casa do Senhor era intimidar os presentes ou, magicamente, fazê-los passar a apoiar quem ele gosta, o resultado foi muito diferente, já que os próprios caratinguenses gravaram e condenaram as falas vergonhosas do padre da cidade.
A repercussão foi tão negativa que a própria Diocese de Caratinga precisou intervir, divulgando nota oficial de desculpas e reconhecendo que a fala do padre não condizia com as orientações pastorais da Igreja. A diocese foi clara ao reafirmar que a Eucaristia não pode ser usada como fator de divisão dentro da comunidade católica, algo que jamais precisaria ser lembrado se não houvesse tamanha distorção do papel sacerdotal.
Esse desespero de alguns padres militantes não surge do nada. Ele ocorre porque, apesar de protestante, tenho conquistado cada vez mais apoio entre católicos justamente por defender publicamente e de forma coerente os valores cristãos, e só tenho a agradecê-los pelo reconhecimento. Esse fenômeno, inclusive, foi destacado por um colunista da Folha de S. Paulo, em janeiro de 2025, ao reconhecer que parte significativa do eleitorado católico tem se identificado com a minha postura firme na defesa da fé cristã.
Quando me posicionei em defesa do Frei Gilson, que passou a ser atacado por setores da esquerda simplesmente por realizar lives de oração, não vi nenhum desses mesmos padres militantes, tão falantes contra a direita, ter coragem de defender o catolicismo. Eles criticam votos ou posições políticas específicas como se fossem pecados mortais, mas evitam qualquer palavra sobre graves escândalos e denúncias envolvendo setores da esquerda, preferindo a conveniência do alinhamento ideológico ao dever de falar a verdade.
Como bem escreveu o colunista católico Paulo Briguet, em um excelente texto direcionado a mim:
“O altar, Nikolas, não é lugar para o PT, nem para qualquer movimento político reduzir o Evangelho a um programa de governo — especialmente um programa de governo inspirado no socialismo, movimento político amplamente rejeitado pela Igreja. Quando um padre usa a homilia para condicionar o acesso ao Corpo de Cristo a uma opinião sobre o modelo de distribuição de botijões de gás, ele está, na prática, tentando domesticar o Infinito. Ele transforma o presbitério em palanque e o sacrifício da missa em assembleia de sindicato. Isso está profundamente errado.”
A verdade é que muitos desses líderes percebem que estão perdendo influência. Os fiéis estão mais atentos, mais críticos e menos dispostos a aceitar tentativas de doutrinação travestidas de homilia
Assim como já acontece nas escolas e universidades, também dentro das igrejas o discurso militante encontra cada vez mais resistência. E isso, ao que tudo indica, tem incomodado profundamente aqueles que confundiram o Evangelho de Cristo com um projeto ideológico. Querendo eles ou não, os católicos estão e seguirão acordando.




