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A saúde mental dos trabalhadores, a preparação das lideranças e os impactos da inteligência artificial estão no centro dos debates do 19º Congresso Paranaense de Recursos Humanos (CONPARH 2026), aberto nesta quarta-feira (28), em Curitiba. O evento, realizado no Viasoft Experience, reúne profissionais de recursos humanos, executivos e especialistas para discutir como as empresas podem se adaptar às transformações do mercado de trabalho sem perder de vista o papel das pessoas nos resultados dos negócios.
Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná (ABRH-PR), que completa 60 anos em 2026, o congresso tem como tema “O insubstituível: humanidade e liderança em tempos de incerteza”. A programação segue até quinta-feira (29), com palestras, painéis, atividades de aprendizagem e uma feira de negócios voltada a soluções para gestão de pessoas.
Durante a abertura, o presidente da ABRH-PR, Gilmar Silva de Andrade, apresentou quatro pilares considerados prioritários para as organizações: saúde organizacional, liderança humanizada, tecnologia e inteligência artificial, além de cultura e aprendizagem.
Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, realizada no espaço de imprensa instalado no congresso, Gilmar destacou que o avanço tecnológico precisa ser acompanhado por mudanças na forma de liderar e desenvolver profissionais.
“A primeira preocupação do líder é de olhar as pessoas como o centro da organização, ou seja, colocar as pessoas no centro da estratégia”, afirmou.
Saúde mental ganha espaço nas empresas do Paraná
Entre os quatro pilares apresentados na abertura, Gilmar apontou a saúde organizacional como uma área que passou por mudanças importantes nos últimos anos.
Segundo ele, a pandemia ampliou a atenção das empresas aos aspectos psicológicos do trabalho. Antes desse período, a preocupação das organizações estava mais concentrada na saúde física, enquanto problemas relacionados à saúde mental eram frequentemente tratados com receio pelos próprios funcionários.
Esse comportamento começou a mudar, abrindo espaço para discussões mais frequentes sobre bem-estar psicológico, condições de trabalho e prevenção de problemas.
“Eu diria que as nossas empresas no estado do Paraná, inclusive baseado em pesquisas, estão investindo mais nesse aspecto da saúde organizacional do que antes de 2019”, afirmou.
O presidente da ABRH-PR também citou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou por mudanças relacionadas à gestão dos riscos ocupacionais e exige atenção das empresas às condições psicossociais do trabalho.
Para Gilmar, as organizações ainda precisam avançar na adaptação de seus processos e na construção de ambientes que favoreçam a saúde e o desenvolvimento dos trabalhadores.
Inteligência artificial deve liberar tempo para atividades estratégicas
A transformação tecnológica foi outro tema central da abertura. Na avaliação de Gilmar, a inteligência artificial deve ser utilizada para reduzir tarefas repetitivas e permitir que os profissionais dediquem mais tempo a atividades que exigem análise, criatividade e tomada de decisão.
Esse movimento também exige uma mudança no comportamento dos gestores. Em vez de concentrar decisões e apenas distribuir tarefas, os líderes precisam ouvir as equipes e aproveitar o conhecimento de quem acompanha diretamente os processos da organização.
“O líder precisa ouvir mais a sua equipe, e não só dizer: olha, faça assim, faça de outra maneira”, destacou.
Segundo Gilmar, os profissionais que participam diariamente da operação podem identificar oportunidades de melhoria, tornar processos mais eficientes e contribuir para a satisfação dos clientes.
A combinação entre tecnologia, equipes engajadas e liderança preparada tende, na avaliação dele, a fortalecer a competitividade das empresas.
Ao comentar o futuro do emprego diante da automação, o presidente da ABRH-PR avaliou que a inteligência artificial poderá potencializar o desempenho dos profissionais que estiverem preparados para utilizá-la. Ele reconheceu, entretanto, que a automação industrial e a robótica já provocam mudanças na quantidade e na natureza dos postos de trabalho em determinadas atividades.
Cinco gerações no trabalho exigem diálogo e segurança psicológica
A convivência entre profissionais de diferentes gerações também ganhou destaque nas discussões de abertura.
Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, a vice-presidente da ABRH-PR e diretora do CONPARH 2026, Vera Lúcia Mattos, afirmou que as empresas precisam superar os estereótipos associados à idade e construir formas de trabalho que aproveitem as experiências e competências de cada grupo.
Para ela, o desafio dos líderes é integrar a experiência dos profissionais mais antigos à disposição para experimentar novas soluções e ao domínio tecnológico das gerações mais jovens.
“Todos nós temos talentos a oferecer”, afirmou.
Vera também chamou a atenção para a importância da segurança psicológica, entendida como a condição necessária para que os profissionais tenham liberdade de expressar opiniões, apresentar ideias e reconhecer erros sem medo de consequências desproporcionais.
Segundo a dirigente, ambientes em que os funcionários escondem problemas por receio de punições podem comprometer os resultados da organização.
“O erro, quando ele é escondido porque eu tenho medo, ele vai se repetir inúmeras vezes e vai causar um grande prejuízo”, alertou.
Para Vera, a escuta ativa deve estar entre as primeiras competências colocadas em prática pelos participantes do congresso. Isso significa que os gestores precisam conhecer suas equipes, compreender mudanças de comportamento e considerar as circunstâncias que podem afetar o desempenho de cada profissional.
RH passou a participar das decisões estratégicas das empresas
Ao analisar a trajetória de seis décadas da ABRH-PR, Gilmar destacou a transformação do papel dos profissionais de recursos humanos.
Antes associado principalmente às rotinas administrativas do departamento de pessoal, o RH passou a ocupar uma posição mais estratégica, participando de decisões ao lado da diretoria e, em algumas organizações, dos conselhos.
A pandemia foi citada como um momento importante dessa evolução, quando as equipes de gestão de pessoas precisaram apoiar empresas e lideranças diante de situações para as quais não havia preparação prévia.
Agora, na avaliação de Gilmar, o desafio é acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas e identificar quais competências serão necessárias nos próximos anos.
A dificuldade não se limita a contratar profissionais qualificados. Envolve preparar as equipes atuais para atividades e exigências que ainda estão em transformação.
Formação profissional precisa combinar teoria e prática
A preparação dos trabalhadores também passa pelas instituições de ensino.
Com 36 anos de experiência acadêmica, Gilmar manifestou preocupação com o que considera uma perda de profundidade teórica em parte dos cursos superiores.
Na avaliação dele, a valorização da vivência profissional é positiva, mas não pode ocorrer em detrimento do conhecimento científico necessário à atuação em diferentes carreiras.
O dirigente defende que as instituições encontrem formas de integrar experiências práticas, fundamentos teóricos e metodologias que estimulem a aplicação do conhecimento.
Essa integração tende a ganhar relevância diante de um mercado que exige aprendizagem contínua e capacidade de adaptação a novas tecnologias.
Prêmio Ser Humano reúne 98 projetos inscritos
Além das palestras e dos painéis, o CONPARH 2026 realiza nesta quarta-feira a cerimônia do Prêmio Ser Humano Paraná, iniciativa que reconhece práticas de gestão de pessoas desenvolvidas por organizações do estado.
Segundo Gilmar, a edição recebeu 98 projetos inscritos, que concorrem ao reconhecimento por iniciativas relacionadas ao desenvolvimento humano e à gestão organizacional.
A cerimônia está prevista para começar às 18h15, integrando a programação do primeiro dia do congresso.
O CONPARH segue nesta quinta-feira (29) com novos debates e atividades, em um encontro que busca aproximar os desafios da gestão de pessoas das necessidades de competitividade e desenvolvimento das empresas paranaenses.

O blog Paraná S/A é atualizado pelo time de Negócios da Gazeta do Povo. Sugestões de pauta podem ser enviadas no e-mail prsa@gazetadopovo.com.br




