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A busca por soluções mais sustentáveis deixou de ser apenas uma tendência e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas da indústria de alimentos. Em um cenário de maior pressão regulatória, exigência dos consumidores e compromissos ESG, embalagens com até 80% menos plástico ganham protagonismo ao combinar inovação tecnológica, viabilidade econômica e menor impacto ambiental.
Entre as alternativas que vêm se consolidando no mercado está o papel com extrusão de polietileno, tecnologia que associa a base renovável do papel à aplicação de barreiras funcionais extremamente finas. O resultado são embalagens mais leves, resistentes e alinhadas às demandas do consumo moderno, especialmente nos segmentos de food service, delivery e refeições prontas.
Sustentabilidade nas embalagens impulsiona inovação na indústria de alimentos
A substituição de materiais como plástico convencional e isopor tem sido acelerada pela necessidade de reduzir a pegada de carbono e melhorar os índices de reciclabilidade. No caso do papel extrusado, a aplicação de camadas mínimas de polímeros permite redução de até 80% do plástico em comparação às embalagens tradicionais, diminuindo a dependência de fontes fósseis e as emissões de CO₂.
“As embalagens de papel com extrusão representam uma alternativa muito mais sustentável em relação a materiais como o isopor, que têm baixa reciclabilidade e pouca aceitação na cadeia de coleta seletiva”, explica Fabricio Cardias, gerente comercial do Grupo Technocoat, empresa especializada na conversão de papel e na aplicação de barreiras termoplásticas customizadas em papel Kraft, papel cartão e outros substratos.
Segundo o executivo, além de ser uma matéria-prima renovável, o papel com barreira extrusada está mais integrado à realidade brasileira de reciclagem. O país possui uma cadeia de papel e celulose estruturada, o que facilita o reaproveitamento do material e fortalece a economia circular.
Embalagens em papel com barreira garantem desempenho técnico e segurança alimentar
Além do ganho ambiental, as novas soluções em papel atendem plenamente às exigências técnicas do setor alimentício. As barreiras aplicadas protegem contra umidade, gordura, oxigênio e variações térmicas, garantindo a integridade dos alimentos durante transporte, armazenamento e entrega.
A evolução tecnológica permite, inclusive, o uso dessas embalagens para produtos quentes ou que precisam ser aquecidos em micro-ondas, como refeições congeladas, lasanhas e pratos prontos. Para isso, são realizados testes rigorosos que avaliam segurança alimentar, resistência térmica e desempenho mecânico, aspectos essenciais para o crescimento do delivery e das dark kitchens.
“Na Technocoat, investimos continuamente em pesquisa e desenvolvimento para criar soluções personalizadas que aliem funcionalidade, segurança e sustentabilidade. Trabalhamos com projetos-piloto e parcerias com grandes marcas para antecipar tendências e entregar embalagens que realmente façam a diferença”, destaca Cardias.
Eficiência logística e redução de custos fortalecem adoção das embalagens sustentáveis
Outro diferencial relevante das embalagens de papel com extrusão está na eficiência logística. Mais leves e menos volumosas do que embalagens rígidas, elas oferecem proteção mecânica, impermeabilidade e resistência estrutural, ao mesmo tempo em que reduzem custos com transporte e armazenamento.
Essas características tornam o material especialmente atrativo para setores como food service, higiene, limpeza e plataformas de entrega, que operam com grandes volumes e margens cada vez mais pressionadas. A otimização logística passa, assim, a ser um fator decisivo na escolha das embalagens.
Mercado avança para embalagens biodegradáveis e economia circular
O setor também registra avanços no uso de resinas biodegradáveis e de fontes renováveis, como o PLA (ácido polilático), derivado de matérias-primas como milho e cana-de-açúcar. Essas soluções abrem caminho para embalagens compostáveis e reforçam o compromisso da indústria com a economia circular.
Embora ainda existam desafios relacionados a custo, escala produtiva e educação do consumidor, grandes marcas e aplicativos de delivery já começam a adotar o papel com barreira extrusada como padrão, integrando sustentabilidade às suas estratégias ESG.
A expectativa é de crescimento acelerado desse mercado nos próximos anos, impulsionado por exigências regulatórias, metas corporativas e mudanças no comportamento do consumidor. Em um ambiente de transformação constante, apostar em embalagens que unem eficiência técnica e responsabilidade ambiental deixou de ser opção e passou a ser necessidade estratégica.




