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A capacidade de adaptação às mudanças, o autoconhecimento e o desenvolvimento das competências humanas estiveram entre os principais temas do Fórum de CEOs e Heads de RH, realizado nesta terça-feira (27), em Curitiba. O encontro reuniu executivos e lideranças de recursos humanos para discutir os desafios da gestão empresarial em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, pelas transformações nas relações de trabalho e pela necessidade de preparar as organizações para um ambiente cada vez mais incerto.
Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná (ABRH-PR), o fórum antecedeu a abertura do 19º Congresso Paranaense de Recursos Humanos (CONPARH 2026), realizado nos dias 28 e 29 de outubro, no Viasoft Experience. O encontro teve como proposta aproximar a visão dos principais executivos das empresas das discussões sobre desenvolvimento de pessoas, cultura organizacional e resultados dos negócios.
A programação contou com a participação de Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page Brasil, além de um painel com dirigentes de empresas de diferentes segmentos. A discussão reforçou que, diante de mudanças tecnológicas e econômicas cada vez mais rápidas, a capacidade de uma organização se transformar depende também da preparação de suas lideranças.
Autoconhecimento precisa gerar desenvolvimento
Um dos principais pontos abordados foi a necessidade de transformar o autoconhecimento em uma ferramenta efetiva de evolução profissional.
Conhecer as próprias características, competências e limitações é importante para quem ocupa posições de liderança, mas esse diagnóstico não deve servir como justificativa para comportamentos que precisam ser aprimorados. O desafio está em reconhecer oportunidades de desenvolvimento e agir sobre elas.
O tema foi destacado por Ricardo Basaglia, que relacionou a qualidade da liderança à capacidade de compreender o próprio comportamento, construir relações de confiança e responder às transformações no ambiente empresarial.
Em um mercado no qual profissionais e empresas precisam lidar com novas tecnologias, diferentes expectativas de carreira e mudanças frequentes nos modelos de trabalho, a adaptabilidade ganha importância estratégica.
Mais do que aceitar transformações, os líderes precisam desenvolver condições para tomar decisões, mobilizar equipes e manter a capacidade de execução mesmo quando os cenários mudam.
Adaptabilidade será cada vez mais exigida dos profissionais
A importância dessas competências também foi percebida por Pamela Marin, gerente da área de Recursos Humanos do GRPCOM, que participou do encontro.
Para a executiva, uma das reflexões mais relevantes foi compreender o autoconhecimento como ponto de partida para a evolução, e não como uma justificativa para deixar de trabalhar aspectos que precisam ser desenvolvidos.
“A nossa adaptabilidade será uma das competências mais exigidas, diante de um mundo tão volátil e em constantes mudanças”, afirma Pamela.
Na avaliação da profissional, outro desafio é preservar a capacidade de construir e realizar projetos mesmo diante de transformações significativas. Isso exige das organizações um processo contínuo de identificação de oportunidades de melhoria e desenvolvimento de competências.
A gestão de pessoas, nesse contexto, não se resume à contratação e à retenção de talentos. Ela também envolve reconhecer lacunas de desenvolvimento, trabalhar para superá-las e preparar profissionais e lideranças para responder às novas demandas dos negócios.
CEOs discutem o papel da liderança nas transformações empresariais
O Fórum também reuniu um painel com quatro executivos de diferentes setores da economia: Adriana Karam, presidente do Grupo Educacional Opet; Celso Tacla, da Valmet; Enrico Milani, CEO da Vapza; e Marcelo Breis, diretor-geral da Leax do Brasil.
Com mediação de Ricardo Basaglia, a discussão aproximou diferentes experiências de gestão empresarial e os desafios enfrentados por organizações de portes e segmentos distintos.
Entre os temas centrais estiveram o papel da liderança na condução das mudanças, a construção de relações de confiança e a necessidade de conciliar o desenvolvimento das pessoas com os objetivos dos negócios.
A diversidade de setores representados no painel também mostrou que a transformação da gestão de pessoas não é uma preocupação restrita aos departamentos de recursos humanos. Ela envolve decisões estratégicas que influenciam a cultura, a capacidade de inovação e a competitividade das empresas.
O presidente da ABRH-PR, Gilmar Silva de Andrade, também participou da programação, que destacou a importância das competências humanas diante do avanço da inteligência artificial.
Nesse cenário, habilidades como julgamento, capacidade de relacionamento, aprendizagem e adaptação passam a ganhar relevância em conjunto com o domínio das ferramentas tecnológicas.
Gestão de pessoas ganha importância estratégica
As discussões do Fórum de CEOs reforçaram uma mudança na forma de compreender a gestão de pessoas dentro das organizações. Em vez de uma atividade concentrada em processos administrativos, a área assume papel cada vez mais próximo das decisões empresariais.
A preparação de lideranças, o desenvolvimento de competências e a capacidade de mobilizar equipes tornam-se questões diretamente relacionadas à execução das estratégias e à sustentabilidade dos resultados.
Para as empresas, um dos desafios está em transformar esses conceitos em práticas permanentes, capazes de acompanhar as mudanças do mercado sem perder de vista a dimensão humana do trabalho.
O Fórum de CEOs e Heads de RH integrou a programação que antecedeu o CONPARH 2026, cuja 19ª edição tem como tema “O insubstituível: humanidade e liderança em tempos de incerteza”.
Neste ano, a realização do congresso também marca os 60 anos de atuação da ABRH-PR, entidade dedicada ao desenvolvimento da gestão de pessoas e das lideranças nas organizações paranaenses.

O blog Paraná S/A é atualizado pelo time de Negócios da Gazeta do Povo. Sugestões de pauta podem ser enviadas no e-mail prsa@gazetadopovo.com.br




