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Lei de TICs pode destravar R$ 16 bilhões em P&D com modelo inovador da HOTMILK

A HOTMILK, ecossistema de inovação da PUCPR, conecta empresas, startups e pesquisa acadêmica, transformando a obrigatoriedade da Lei de TICs em resultados concretos de inovação tecnológica.

A HOTMILK conecta empresas, startups e pesquisa acadêmica, transformando recursos da Lei de TICs em inovação no Paraná.
A HOTMILK conecta empresas, startups e pesquisa acadêmica, transformando recursos da Lei de TICs em inovação no Paraná. (Foto: Divulgação/Hotmilk)

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O investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação deve ganhar novo fôlego no Brasil a partir de 2026, impulsionado pela Lei de TICs (Lei nº 13.969/2019). Atualizada em 2019, a legislação exige que empresas beneficiadas por incentivos fiscais direcionem parte da receita bruta para atividades de P&D realizadas em território nacional, consolidando-se como um dos principais instrumentos de incentivo à inovação no país. Com apoio da HOTMILK, a lei se transforma em projetos de inovação.

Apesar do potencial, o cenário ainda revela um gargalo estrutural. Apenas 34,3% das indústrias brasileiras investem em P&D, e o Brasil destina cerca de 1,2% do PIB à inovação, percentual inferior ao de economias desenvolvidas, segundo a PINTEC/IBGE. Ao mesmo tempo, a Lei de TICs movimenta cifras bilionárias: mais de 500 empresas são beneficiadas pelo mecanismo, com faturamento estimado em R$ 75 bilhões em 2025, de acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Parte relevante desses recursos, no entanto, permanece represada devido a entraves técnicos, exigências de compliance e à falta de estruturas habilitadas para execução dos projetos.

HOTMILK conecta startups, empresas e pesquisa acadêmica

É nesse contexto que a HOTMILK, ecossistema de inovação da PUCPR e recentemente credenciada pelo MCTI, passa a operar um modelo de incubação e aceleração de startups baseado na Lei de TICs. A iniciativa posiciona a HOTMILK como uma das instituições autorizadas a atuar como ponte entre empresas obrigadas a investir em P&D e startups capazes de desenvolver soluções tecnológicas sob demanda.

Na prática, o modelo permite que grandes empresas destinem os recursos exigidos por lei à HOTMILK, que coordena a aceleração ou incubação de startups alinhadas aos desafios estratégicos dessas companhias. O que antes era tratado como obrigação legal se transforma em estratégia estruturada de inovação aberta, conectando o ambiente corporativo, o empreendedorismo e a pesquisa acadêmica.

“O que fazemos é traduzir uma legislação complexa em algo acessível e aplicável ao dia a dia das empresas”, afirma Thiago Moro, gerente de Growth e Estratégia da HOTMILK. “A companhia conecta seus desafios à nossa rede de startups, pesquisadores e centros tecnológicos da PUCPR, resultando em novos produtos, processos ou tecnologias com segurança jurídica e impacto real.”

A operação é coordenada pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da HOTMILK, sob liderança do diretor Anderson Szejka, e está estruturada em três fases:

•  Pré-incubação: foco em modelagem de negócios e validação inicial;

Incubação: desenvolvimento técnico e comercial intensivo;

•  Pós-incubação: acompanhamento das startups graduadas em seus primeiros contratos com a indústria.

Durante todo o ciclo, as startups têm acesso à infraestrutura da PUCPR, incluindo o Centro de Realidade Estendida (CRE), o CISIA (Centro Integrado de Soluções em Inteligência Artificial), laboratórios especializados, pesquisadores e o supercomputador da universidade. As empresas contam com acompanhamento técnico e jurídico para assegurar conformidade com as normas do MCTI, auditorias e prestação de contas.

Paraná como polo de inovação tecnológica e impacto real

De acordo com dados da HOTMILK, já foram mapeadas 117 empresas e 118 startups com potencial de atuação via Lei de TICs. Somente no Paraná, 60 empresas foram identificadas como potenciais beneficiárias diretas do mecanismo.

“O diferencial está na convergência entre a robustez científica da universidade e a agilidade das startups”, explica Anderson Szejka. “Uma incubadora credenciada pode usar os recursos da Lei de TICs para apoiar startups em nome de uma empresa. Isso reduz riscos, acelera a inovação aplicada e aumenta a chance de que os projetos saiam do papel.”

Segundo estimativas da Associação P&D Brasil, os investimentos em P&D via Lei de TICs podem chegar a R$ 16 bilhões até 2026. Para a HOTMILK, o novo modelo contribui diretamente para destravar esse volume de recursos, ampliar a adesão das empresas ao instrumento e fortalecer o papel do Paraná como polo nacional de inovação tecnológica conectada à academia.

“Nosso papel é facilitar o acesso, conectar os agentes certos e transformar esse investimento obrigatório em resultados tangíveis para empresas, startups e para a sociedade”, conclui Szejka.

O lançamento do edital para startups será realizado em fevereiro, e o início das primeiras incubadas está previsto para março de 2026.

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