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Imóveis em Curitiba: bairros valorizam até 23% e mercado segue aquecido apesar dos juros

Levantamento da Loft mostra que imóveis grandes lideraram a valorização em bairros tradicionais da capital, enquanto unidades compactas ganharam força em regiões mais acessíveis em 2025.

Balanço da Loft utiliza anúncios residenciais publicados nas principais plataformas imobiliárias digitais
Balanço da Loft utiliza anúncios residenciais publicados nas principais plataformas imobiliárias digitais (Foto: Foto: Alfribeiro/iStock )

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Mesmo em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito, o mercado imobiliário de Curitiba apresentou sinais claros de valorização ao longo de 2025. Bairros como Campo Comprido, Bigorrilho e Mossunguê registraram as maiores altas no preço de imóveis grandes, enquanto regiões como Centro, Boa Vista e Cidade Industrial se destacaram no segmento de unidades compactas.

Os dados fazem parte de um levantamento da Loft, empresa de tecnologia e serviços financeiros para imobiliárias, com base em anúncios residenciais publicados nas principais plataformas imobiliárias digitais que operam na capital paranaense. A análise compara o quarto trimestre de 2025 com o mesmo período de 2024.

Imóveis grandes lideram valorização em bairros tradicionais

Entre os imóveis com mais de 125 metros quadrados, o destaque absoluto foi o Campo Comprido, que registrou valorização de 23% no preço do metro quadrado em 2025, alcançando R$ 13,2 mil. Na sequência aparecem o Bigorrilho, com alta de 14% (R$ 15,8 mil), e o Mossunguê, com crescimento de 11% (R$ 13,9 mil).

Segundo a Loft, o desempenho está ligado ao perfil desse tipo de imóvel, menos dependente de financiamento bancário.

“Apesar das condições desafiadoras impostas pelas taxas de juros, algumas tipologias conseguiram se destacar em 2025. Os imóveis maiores, especialmente em bairros consolidados e de perfil mais tradicional, foram um deles”, afirma Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft.

“Para esse tipo de imóvel, o financiamento tem um peso menor, o que ajuda a sustentar a demanda.”

Também apresentaram valorização bairros tradicionais e bem localizados como Juvevê (11%), Batel (4%) e Cabral (3%), além de regiões consolidadas como Hugo Lange, indicando que o movimento de alta ficou concentrado em áreas de padrão médio e alto da cidade.

Imóveis compactos crescem em regiões mais acessíveis

O comportamento do mercado foi diferente no segmento de imóveis compactos, com até 65 m². Nesse recorte, os maiores crescimentos ocorreram em bairros com maior oferta de unidades menores e valores de entrada mais baixos.

O Centro liderou a valorização, com alta de 19% no preço do metro quadrado, seguido por Boa Vista (15%) e Cidade Industrial (12%). Também se destacaram Santa Cândida (12%) e Pinheirinho (11%), regiões que concentram demanda por moradia associada à oferta de serviços, transporte e infraestrutura urbana.

Em bairros como Água Verde, Novo Mundo, Tingui e Portão, os aumentos foram mais moderados, o que, segundo a Loft, indica maior sensibilidade dessas regiões às condições de crédito e renda.

“No mercado de imóveis menores, especialmente fora dos bairros mais caros da cidade, as famílias tendem a ser mais dependentes do financiamento. Ainda assim, o tíquete mais baixo permite que parte da demanda siga ativa”, explica Takahashi.

Juros altos mudam o perfil da demanda imobiliária

O levantamento reforça uma tendência observada ao longo de 2025: com o crédito mais caro, o mercado passou a se comportar de forma mais segmentada. Enquanto imóveis maiores mantiveram demanda sustentada em bairros tradicionais, os compactos ganharam espaço em regiões mais acessíveis, impulsionados por preços mais baixos e maior liquidez.

Esse movimento contribui para um cenário de valorização seletiva, no qual localização, tipologia e perfil de renda do comprador fazem ainda mais diferença na dinâmica de preços.

Metodologia

O balanço utiliza anúncios residenciais publicados nas principais plataformas imobiliárias digitais, processados pela Loft para remoção de duplicidades e inconsistências. Os dados consideram valores de tíquete médio e preço por metro quadrado no quarto trimestre de 2025, comparados ao mesmo período de 2024.

Foram considerados apenas bairros com ao menos 200 anúncios ativos em 2025, garantindo maior consistência estatística ao levantamento.

Imóveis acima de 125m2 – maiores crescimentos 

 Bairro Preço m2 (em R$) Variação 2024-2025 (em %) Tíquete médio (em R$) 
Campo Comprido 13.262  23% 3.487.180  
Bigorrilho 15.815  14% 3.283.065  
Mossunguê 13.994  11% 3.508.171  
Juvevê 13.158  11% 2.465.659  
Batel 16.012  4% 3.838.978  
Hugo Lange 12.032  4% 2.306.705  
Cabral 14.343  3% 3.139.994 
Fonte: Loft, com base em dados de anúncios nas principais plataformas digitais. Considera último trimestre de cada ano 

Imóveis entre 65m2 e 100m2 – maiores crescimentos 

Bairro Preço m2 2025 
(em R$) 
Variação 2024-2025 (em %) Tíquete médio no bairro 
(em R$) 
São Francisco 11.440  64% 882.132  
Centro Cívico 10.879  50% 868.269  
Santa Quitéria 10.345  33% 864.659  
Hugo Lange 12.972  33% 1.118.178  
Campo de Santana 4.500  30% 362.878  
Batel 16.041  29% 1.321.079  
Campo Comprido 11.870  26% 951.384  
Tatuquara 5.425  24% 433.811  
São Lourenco 8.239  20% 725.000  
Bigorrilho 12.557  20% 1.031.921 
Fonte: Loft, com base em dados de anúncios nas principais plataformas digitais. Considera último trimestre de cada ano 

Imóveis até 65m2 – maiores crescimentos 

 Bairro Preço m2 (em R$) Variação 2024-2025 (em %) Tíquete médio (em R$) 
Centro 12.027  19% 509.939  
Boa Vista 9.230  15% 506.098  
Cidade Industrial 7.277  12% 371.809  
Santa Cândida 5.856  12% 282.750  
Pinheirinho 6.498  11% 324.582  
Água Verde 11.318  9% 550.192  
Novo Mundo 8.686  9% 448.225  
Tingui 8.986  8% 502.718  
Portão 9.812  7% 475.717  
Bigorrilho 13.197  6% 626.853 
Fonte: Loft, com base em dados de anúncios nas principais plataformas digitais. Considera último trimestre de cada ano 

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