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Inadimplência deve atingir novo pico no Brasil até maio e acende alerta para empresas

Famílias enfrentam maior pressão no orçamento, enquanto a inadimplência avança no país.
Famílias enfrentam maior pressão no orçamento, enquanto a inadimplência avança no país. (Foto: Divulgação)

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A inadimplência das famílias brasileiras deve ganhar força nos próximos meses e atingir um novo pico já no segundo trimestre de 2026. O avanço, puxado principalmente pelas linhas de crédito com recursos livres, coloca pressão sobre o consumo e exige atenção redobrada de empresas e instituições financeiras em todo o país.

De acordo com projeção do IBEVAR-FIA Business School, a tendência é de deterioração gradual dos indicadores, refletindo um cenário de crédito mais restritivo, maior comprometimento de renda e desafios persistentes no equilíbrio das finanças familiares.

O que está por trás do aumento da inadimplência

Os dados mais recentes mostram que a inadimplência total das pessoas físicas atingiu 5,24% em janeiro de 2026, enquanto o percentual de operações com atraso entre 15 e 90 dias chegou a 5,66%.

No recorte específico de recursos livres que exclui operações com taxas regulamentadas e linhas vinculadas a recursos direcionados a taxa de inadimplência alcançou 6,95%, com 4,07% das carteiras apresentando atrasos entre 15 e 90 dias.

Esse tipo de atraso é considerado um indicador antecedente, ou seja, costuma sinalizar movimentos futuros de elevação na inadimplência consolidada.

“O aumento recente dos indicadores de atraso — especialmente nas carteiras de recursos livres — sugere que a inadimplência deve se posicionar entre a média projetada e o limite superior do intervalo estimado já em março.”

Claudio Felisoni - Presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School


Projeção: cenário deve piorar até maio

A projeção para o trimestre de março, abril e maio de 2026 reforça a tendência de deterioração gradual. No total da carteira de crédito para pessoas físicas, a inadimplência média estimada é de 5,41% em março, 5,52% em abril e 5,59% em maio, podendo alcançar 6,11% no limite superior do período.

Já nas operações com recursos livres, o avanço é mais expressivo: as médias projetadas são de 7,07% em março, 7,22% em abril e 7,34% em maio, com possibilidade de atingir 7,96% em um cenário mais adverso.

Impactos para empresas e reflexos no ambiente de negócios

O cenário projetado exige cautela redobrada por parte do varejo, do sistema financeiro e de empresas com forte exposição ao consumo das famílias. A tendência é de revisão nas políticas de concessão de crédito, maior atenção à gestão de risco e adoção de estratégias mais assertivas de recuperação.

Ao mesmo tempo, o avanço da inadimplência reforça a importância de iniciativas de educação financeira e renegociação de dívidas, consideradas fundamentais para mitigar impactos econômicos e sociais.

Como o estudo foi elaborado

A análise utiliza modelagem econométrica com base em dados de série temporal do Banco Central do Brasil desde junho de 2016. O acompanhamento sistemático desses indicadores permite identificar tendências estruturais e antecipar movimentos relevantes no mercado de crédito.

O que esperar nos próximos meses

O cenário indica continuidade da pressão sobre o orçamento das famílias e um ambiente mais desafiador para o consumo. Para empresas, a leitura desses indicadores se torna cada vez mais estratégica na tomada de decisão, especialmente em contextos de maior restrição de crédito.

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