
Ouça este conteúdo
O encarecimento do crédito não paralisou o mercado imobiliário — ele apenas acelerou a busca por soluções mais sofisticadas de financiamento. Em Curitiba, incorporadoras já recorrem ao mercado de capitais para viabilizar novos empreendimentos, mesmo em um cenário de juros elevados.
Um exemplo desse movimento é a parceria entre a incorporadora Dreamis e a gestora Quartzo Capital, que estruturaram o desenvolvimento de um projeto residencial com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 160 milhões. A operação ocorre por meio do fundo imobiliário Quartzo Real Estate Development, em um modelo que reduz a dependência do crédito bancário tradicional.
Juros elevados impulsionam novas estratégias de funding
A adoção desse tipo de estrutura ganha força em um ambiente ainda restritivo para financiamento. Com a taxa Selic em 14,75%, o custo do crédito segue pressionando incorporadoras e exigindo alternativas mais eficientes de captação.
Nesse contexto, os fundos imobiliários (FIIs) têm ampliado sua relevância como instrumento de funding. Em 2025, o índice IFIX acumulou valorização superior a 21%, com dividend yield médio próximo de 1% ao mês — desempenho que reforça o apelo desses ativos tanto para investidores quanto para o financiamento do setor.
A combinação entre capital estruturado e atuação de incorporadoras independentes permite maior previsibilidade financeira e diluição de riscos ao longo de todo o ciclo do projeto, da aquisição do terreno até a entrega das unidades.

Projeto no Juvevê prevê duas torres e unidades de alto padrão
O empreendimento fruto da parceria é o Tauá, lançado em dezembro de 2025 no bairro Juvevê, uma das regiões mais valorizadas de Curitiba. O projeto terá cerca de 18 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em duas torres residenciais.
Ao todo, serão 58 unidades, com plantas que variam entre 150 m² e 300 m², todas com três ou quatro suítes, posicionando o empreendimento no segmento de médio-alto e alto padrão.
O investimento total previsto é de R$ 110 milhões, sendo metade aportada pelo fundo imobiliário gerido pela Quartzo Capital — modelo que reforça o compartilhamento de risco e retorno entre os parceiros.
Impacto econômico e tendência de mercado
Além do impacto urbanístico, o projeto deve gerar cerca de 120 empregos diretos durante a fase de obras, com conclusão prevista para dezembro de 2029.
Para o mercado imobiliário, operações desse porte sinalizam um avanço na sofisticação do setor em Curitiba, com maior presença de capital institucional e uso crescente de instrumentos financeiros estruturados.
A expectativa é que esse movimento se intensifique à medida que o mercado antecipa uma possível inflexão no ciclo de juros, o que pode destravar novos projetos e estimular a migração de capital para ativos reais.









