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Fundador precisa aprender a sair: sucessão empresarial vira pauta estratégica nas empresas familiares

Equipe da Paraná S.A. acompanhou no dia 21 de maio, durante o Senior Experience 2026, discussões sobre sucessão empresarial, governança, cultura organizacional e os desafios da transição de comando em empresas familiares.

Carlênio Castelo Branco durante painel no Senior Experience 2026, em São Paulo. Lideranças da Senior Sistemas defenderam que sucessão empresarial precisa ser planejada antes da crise para preservar cultura, governança e continuidade dos negócios.
Carlênio Castelo Branco durante painel no Senior Experience 2026, em São Paulo. Lideranças da Senior Sistemas defenderam que sucessão empresarial precisa ser planejada antes da crise para preservar cultura, governança e continuidade dos negócios. (Foto: Divulgação)

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A sucessão empresarial deixou de ser um tema distante dentro das empresas brasileiras e passou a ocupar espaço estratégico nas discussões sobre continuidade, governança e crescimento sustentável. Durante o Senior Experience 2026, realizado em 21 de maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo, lideranças da Senior Sistemas defenderam que a transição de comando precisa ser planejada antes da crise e não apenas quando surgem conflitos, queda de performance ou dificuldades de continuidade.

O evento reuniu mais de 2.500 executivos e lideranças da América Latina, além de mais de 80 palestrantes e 50 horas de conteúdo voltadas a temas como inteligência artificial, gestão, inovação, sucessão empresarial e competitividade.

A equipe da Paraná S.A. acompanhou o evento e ouviu executivos que compartilharam experiências sobre sucessão, preservação de cultura empresarial e formação de novas lideranças, temas especialmente relevantes para empresas familiares, grupos industriais, cooperativas e negócios ligados ao agronegócio perfil bastante presente no Paraná.

No painel, Jorge Cenci, fundador da Senior Sistemas, e Carlênio Castelo Branco, atual CEO da companhia, relembraram a transição ocorrida em 2012, quando Jorge deixou a operação executiva e Carlênio assumiu o comando da empresa. A principal mensagem foi direta: sucessão não deve ser improvisada.

Sucessão empresarial exige planejamento

Jorge Cenci destacou que a troca de comando precisa ser planejada e conduzida com antecedência para evitar traumas tanto para a empresa quanto para o próprio fundador. Segundo ele, deixar a operação executiva não significa apenas mudar de cargo, mas abrir mão de uma rotina, de uma identidade construída ao longo dos anos e de um papel de protagonismo dentro da organização.

Por isso, na avaliação do fundador, a sucessão precisa funcionar para os dois lados: para quem sai e para quem assume. No caso da Senior Sistemas, a permanência de Jorge no conselho foi apresentada como parte desse equilíbrio. A lógica defendida no painel é que sair da operação não significa abandonar a empresa, mas assumir uma nova posição, mais estratégica e menos ligada ao dia a dia da gestão.

O fundador precisa deixar espaço para o sucessor

Um dos pontos mais fortes da discussão foi a necessidade de o fundador realmente deixar espaço para a nova liderança. Jorge afirmou que a sucessão deve ser incentivada por quem está deixando o comando e que, após a decisão, é preciso “deixar a cadeira” para que o sucessor tenha autonomia e tempo para construir sua gestão.

O tema é recorrente em empresas familiares e organizações muito marcadas pela figura de seus fundadores. Em muitos casos, a sucessão acontece formalmente, mas o comando continua centralizado em quem saiu da operação. O resultado pode ser uma gestão sem autonomia, equipes divididas e falta de clareza sobre quem toma as decisões.

Jorge também comentou que o fundador não pode simplesmente virar um “aposentado de pijama”, sem rotina ou novos projetos. Segundo ele, a saída da operação exige preparo pessoal e uma agenda que permita ao antigo líder continuar ativo sem interferir na nova gestão.

Transição deve acontecer antes da crise

Carlênio Castelo Branco reforçou que a sucessão precisa ser antecipada. Na visão do executivo, o ideal é que o processo aconteça quando a empresa está saudável — e não como resposta a crises, conflitos familiares, perda de resultado ou dificuldades operacionais.

Segundo ele, muitas empresas só começam a discutir sucessão quando já estão pressionadas, o que aumenta o risco de ruptura e reduz o tempo de adaptação da nova gestão. A leitura apresentada no painel foi que sucessão deve ser tratada como sinal de maturidade empresarial, e não como medida emergencial.

Carlênio também afirmou que, sempre que possível, o melhor cenário é formar sucessores dentro da própria empresa. Mas fez uma ressalva: não basta promover alguém apenas para preencher espaço. O sucessor precisa estar preparado para assumir o desafio.

O atual CEO da Senior é um exemplo de sucessão fora do núcleo fundador. Ainda assim, ele destacou que a formação interna tende a ser um caminho natural quando há profissionais preparados e alinhados à cultura da companhia.

Cultura organizacional precisa ser preservada

Outro tema central do painel foi a preservação da cultura empresarial durante processos de transição. Jorge afirmou que novas lideranças podem — e devem — atualizar processos, revisar estratégias e buscar novos objetivos, mas sem perder o DNA construído pela empresa ao longo dos anos.

Na avaliação do fundador, mais do que produtos e serviços, a cultura organizacional foi o que permitiu à empresa chegar até determinado estágio de crescimento.

A discussão também passou pela necessidade de modernizar sem romper. Processos, ferramentas e estratégias podem mudar, mas valores ligados à confiança, relacionamento com clientes e forma de tomar decisões precisam ser compreendidos antes de serem alterados.

Para empresas familiares, esse costuma ser um dos pontos mais delicados da sucessão: permitir inovação sem transformar cada mudança em conflito com a história construída pelos fundadores.

Fusões, aquisições e respeito à história da empresa

Carlênio também comentou que parte das mudanças em empresas de tecnologia acontece pela própria velocidade do setor. Em muitos casos, segundo ele, não há espaço para planejamentos longos e as empresas precisam agir rapidamente.

Na gestão do executivo, uma das frentes de crescimento da Senior passou a ser a estratégia de fusões e aquisições. Ainda assim, ele afirmou que adquirir uma empresa não significa impor superioridade ou desconsiderar a cultura construída anteriormente.

Para o CEO, empresas compradoras precisam respeitar a trajetória da companhia adquirida e compreender o que funciona antes de promover mudanças. A lógica, segundo ele, é semelhante à sucessão: quem assume o comando não deve desprezar o passado, mas entender como preservar aquilo que sustenta a continuidade do negócio.

Uma pauta urgente para empresas familiares do Paraná

A discussão apresentada no Senior Experience tem forte conexão com o ambiente empresarial paranaense. O Paraná reúne empresas familiares, grupos industriais, cooperativas e negócios do agronegócio que cresceram sob liderança direta de fundadores ou famílias controladoras.

Muitas dessas organizações vivem hoje um processo de transição geracional, com herdeiros, executivos profissionais e conselhos assumindo funções antes concentradas em uma única liderança. O desafio é que nem sempre essa passagem ocorre de forma estruturada.

Ao longo do painel, a mensagem reforçada pelas lideranças foi que sucessão envolve preparação, governança, comunicação, formação de lideranças e disposição emocional de quem está deixando o comando. Quando o processo não acontece com antecedência, empresas podem enfrentar disputas internas, perda de talentos, insegurança no mercado e paralisia estratégica.

No fim, o debate mostrou que sucessão empresarial vai muito além da troca de nomes no comando. Trata-se de preparar a empresa para atravessar ciclos, renovar estratégias e preservar sua essência mesmo diante das mudanças.

Como resumiu o painel, a transição mais bem-sucedida talvez seja aquela em que a empresa consegue evoluir sem perder aquilo que a tornou reconhecida ao longo de sua história.

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