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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Homenagem

Chuck Norris, o homem que contou até o infinito (e ajudou a derrubar uma tirania)

Chuck Norris como Cordell Walker na série de sucesso "Walker, Texas Ranger" (1993-2001) (Foto: Mark Merola/Wikimedia Commons)

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Era para Chuck Norris ter morrido vinte anos atrás, mas a morte esperou todo esse tempo porque tinha medo de lhe dar a notícia.

Todo mundo sabe — e vocês sete não constituem exceção — que o bicho-papão olhava debaixo da cama para ver se Chuck Norris estava lá; que o Super-Homem desafiou Chuck Norris para uma queda de braço, e o perdedor teve que passar a usar cueca por cima das calças; que, certa vez, uma cobra naja picou Chuck Norris e faleceu após cinco dias de agonia; que Chuck Norris pediu um Big Mac no Burger King e foi atendido; que o Sol usou chapéu para se proteger de Chuck Norris; que as lágrimas de Chuck Norris curavam o câncer, mas, infelizmente, ele nunca chorou; e que Chuck Norris contou duas vezes até o infinito. Isso tudo já é de conhecimento público.

Mas hoje eu quero contar aqui mais alguns fatos relevantes sobre Carlos Ray “Chuck” Norris, que subiu de nível na última sexta-feira, aos 86 anos. (Sim, porque Chuck Norris não morreu, ele subiu de nível).

Quando nosso Chico Anysio morreu, em 2012, escrevi uma crônica intitulada “Morreram Chico Anysio”, da qual alguns de meus sete leitores talvez se lembrem. O título, naturalmente, fazia referência à vasta galeria de personagens do genial humorista brasileiro. Sinto-me inclinado a conjugar o verbo no plural diante do falecimento (da subida de nível) do grande Chuck Norris.

Assim como Chico e o nosso querido professor Olavo de Carvalho, Chuck Norris viveu muitas vidas dentro de uma única existência. E todas, sem exceção, foram admiráveis

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Nascido em 1940, numa família pobre do Oklahoma, Carlos Ray teve uma infância triste: filho de um pai alcoólatra, era tímido, franzino e medíocre na escola. Sua sorte começou a mudar aos 18 anos, quando serviu à Força Aérea dos EUA, na Coreia do Sul. Lá, ele ganhou o apelido de Chuck e começou a aprender artes marciais. Seus feitos como lutador são notáveis: ele foi heptacampeão mundial de karatê entre 1968 e 1974, quando se aposentou invicto. Além disso, obteve o 10º grau em tang soo do e em chuk kuk do, um estilo que ele próprio criou e popularizou; era faixa preta em Brazilian jiu-jitsu (tendo como mestres os lutadores da família Gracie); e criou, em 1990, a Fundação Kickstart Kids, com academias espalhadas por vários estados americanos, nas quais 120 mil crianças e jovens receberam lições de artes marciais, disciplina, equilíbrio e conduta moral.

Sobre os seus filmes de ação — que encantaram as gerações dos anos 70, 80 e 90 — nem é preciso dizer muita coisa. Ele foi um grande astro do cinema. Observo que ele não era um herói qualquer: em geral, os personagens de Chuck Norris usam a força física e a agilidade para proteger pessoas inocentes e indefesas.

E aí que entra uma face de Chuck Norris que poucos conhecem: a sua conversão religiosa. No final dos anos 90, quando conheceu sua esposa, Gena O’Kelley, Chuck estava mergulhado no estilo de vida de Hollywood, com suas noitadas e abusos. Certa manhã, ele encontrou Gena lendo a Bíblia.

— Você faz isso sempre, Gena?
— Sim, Chuck. Eu leio a Bíblia todas as manhãs.

Foi então que Chuck Norris encontrou seu herói: Jesus Cristo. Deve ser por isso que a extrema-imprensa brasileira torceu o nariz diante da morte do astro, reduzindo sua trajetória majestosa à de um “conservador”, “armamentista”, “apoiador de Trump” e “adversário evangélico de Obama”. O universo mental dos jornalistas militantes, no Brasil ou fora dele, jamais alcança algo além da próxima eleição ou da alfinetada contra o adversário político.

Há um motivo adicional para a esquerda detestar Chuck Norris. No final dos anos 80, seus filmes circulavam clandestinamente em fitas VHS entre a população da Romênia, que vivia sob a ditadura socialista de Nicolae Ceaușescu. O povo romeno, cansado dos discursos do tirano comunista, descobria, nos filmes de Chuck Norris e de outros astros americanos, um mundo diferente, em que a liberdade e a prosperidade eram possíveis. Em 1989, Ceaușescu caiu. Essa história é lindamente contada no filme “Chuck Norris Vs. Comunismo”, de 2015.

Além de todos os seus feitos no esporte e no cinema, e de seu encontro com o Logos divino, Chuck Norris ajudou um país a vencer a tirania. Que ele sirva de inspiração também para nós.

Obrigado, Chuck. Você, que sabia contar até o infinito, agora está ao lado d’Ele.

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