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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Intolerância no campus

Cristofobia e cancelamento: a religião do ódio ataca nas universidades

Bianca Laranjeiras e Tassos Lycurgo: estudante e professor perseguidos por desafiar a hegemonia ideológica nas universidades. Dois rostos da censura acadêmica no Brasil. (Foto: Acervo pessoal/Bianca Laranjeiras; Reprodução/Instagram/tassoslycurgo)

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No último domingo, publiquei uma das minhas crônicas de maior repercussão desde que retornei à Gazeta do Povo. Escrevi que a esquerda não é apenas uma corrente política, mas uma religião do ódio. Afirmei, com exemplos históricos, que o militante revolucionário não busca o debate, mas a erradicação do adversário.

Alguns esquerdistas ou isentões (como se houvesse muita diferença entre eles!), talvez movidos por uma esperança residual na higidez das nossas maravilhosas e puríssimas instituições, podem ter achado o tom excessivo. Dois fatos recentes, porém, demonstram que eu não estava exagerando.

Devo assinalar aos meus sete leitores (e também aos meus críticos) que a religião do ódio não é uma abstração teórica. Muito pelo contrário: ela é reconhecida pelo MEC, tem orçamento bilionário e uma folha de bons salários mantida pelo dinheiro dos pagadores de impostos. Hoje, nos campi brasileiros, a erradicação do inimigo muitas vezes atende pelo nome de processo administrativo e perseguição institucional.

Vejamos o caso da jovem Bianca Laranjeiras, estudante da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Bianca cometeu a ousadia de registrar a verdade. Em uma aula de Gestão de Crise — ironia das ironias —, ela gravou o professor desejando a morte de Donald Trump: “Tomara que este filho da puta morra logo”.

Em um mundo normal, o professor seria questionado por pregar o extermínio de adversários em sala de aula. No templo da religião do ódio, porém, a lógica é invertida. A máquina de R$ 1 bilhão da UNEB — reitoria, assessoria jurídica, sindicatos e conselhos — não se moveu para apurar a conduta do mestre, mas para destruir a vida da aluna. Bianca foi transformada em alvo preferencial no altar da hegemonia. Como eu disse antes: para essa gente, o adversário não é um ser humano; é um animal a ser extirpado.

Mas a engrenagem não para na Bahia; na verdade, existe uma arquitetura nacional de silenciamento. Se, na UNEB, a vítima é uma estudante, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) o alvo é o professor e pastor Tassos Lycurgo. A semelhança entre os casos não é simples coincidência. Trata-se do modus operandi da única religião permitida em ambientes universitários: a igreja neomarxista.

Tassos Lycurgo, um acadêmico que ousa falar de Deus e da Beleza em um departamento de Artes, define o ambiente universitário atual como um panóptico social. A vigilância mútua foi elevada ao status de política pública. O crime de Tassos, aos olhos de seus perseguidores esquerdistas, é o mesmo de Bianca: a recusa em ajoelhar-se diante da ideologia secular que repudia Cristo e persegue a fé.

Para a religião do ódio, a presença de um cristão conservador em uma cátedra ou em uma sala de aula é uma aberração que precisa ser removida. Tassos descreve com argúcia: a universidade deixou de ser o baluarte da civilização para se tornar um instrumento de rebarbarização.

O debate é substituído pelo cancelamento — ou até pela ameaça explícita de morte, como ocorreu com o professor da UFRN. Uma universidade que normaliza isso já não pode ser chamada de centro de conhecimento; melhor seria defini-la como um campo de concentração ideológico.

Nesses ambientes modernos, dizer a verdade é um crime. Bianca foi linchada moralmente porque expôs a feiura ética de um sistema que prega o amor à humanidade enquanto deseja a morte do próximo. Tassos é perseguido porque aponta que a arte e a educação devem elevar a alma, em vez de arrastá-la para o niilismo e o ressentimento.

O que está em jogo na Bahia ou no Rio Grande do Norte é muito mais do que uma disputa de regimento interno. Aqui estamos falando do uso da estrutura estatal para a aniquilação simbólica de quem não professa a cartilha do partido. Ou talvez seja ainda mais do que isso: estamos presenciando uma guerra pela alma das pessoas.

Quando um professor doutor precisa enfrentar ameaças de morte por sua fé e convicções, a universidade pública assina o seu atestado de óbito moral, a sua morte espiritual. Atingido esse ponto, o maligno já dominou tudo

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Mencionei no último texto que a morte do tenente Alberto Mendes Júnior foi o choque que me mostrou a face real da militância. Hoje, o método é menos ruidoso, mas igualmente letal para a alma da nação. A morte agora é civil, acadêmica e reputacional. O objetivo da longa marcha através das instituições é criar e manter um ambiente comparável a um tribunal soviético sempiterno, um dia da marmota socialista.

No entanto, há algo que a esquerda não consegue dominar: a coragem individual. Bianca Laranjeiras, com seu celular em punho, e Tassos Lycurgo, com sua defesa da Beleza e da Verdade, são hoje modelos de uma resistência que não se explica pela política, mas pela integridade moral. Por mais que os militantes do caos tentem transformar a universidade, para sempre, em um necrotério da inteligência, a realidade insistirá em aparecer viva.

A religião do ódio exige o silêncio e o medo. Mas, como aprendi ao longo de décadas, o medo é o único imposto que não somos obrigados a pagar. Bianca e Tassos decidiram ser livres. E essa liberdade, amparada na verdade dos fatos, acabará por expor a mediocridade dos que hoje se julgam donos das consciências alheias. O Justo Juiz se encarregará de colocar cada um em seu lugar: um dia, os perseguidores serão punidos, e os perseguidos, exaltados.

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