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Há muito tempo este cronista de sete leitores vem repetindo a mesma afirmação: o Brasil vive sob uma ditadura socialista. Já disse, já expliquei, já desenhei a explicação, já expliquei o desenho, já desenhei a explicação do desenho, mas ainda há quem acredite que podemos sair desse pesadelo por meio das instituições “democráticas” e de mudanças na lei. Isso não acontecerá. O Regime PT-STF só aceitará uma situação: eles mandam e nós obedecemos. Tertium non datur. A questão é: nós aceitaremos isso?
Em dezembro de 2025, publiquei neste mesmo espaço uma crônica intitulada “Esqueçam as eleições, estamos numa ditadura”. O último domingo provou que eu estava certo (e como gostaria de estar errado!). Confesso que, na minha ingenuidade, cheguei a acreditar, nas últimas semanas, na possibilidade de uma vitória da direita, depois da imensa humilhação sofrida pela esquerda no primeiro turno. Mas eu estava enganado. Como dizia Graham Greene, “a inocência é uma forma de loucura”.
Fomos roubados na cara dura. A probabilidade matemática da virada eleitoral do Presidente Gugo, da forma como se apresentou, era equivalente à de ganhar na loteria. Ninguém acredita nessa mentira, nem mesmo os petistas mais alucinados. Ainda que no fundo da alma, todos eles sabem que foram cúmplices de uma farsa. Agora, mesmo eles começarão a entender a quantidade de sofrimento e decepção que lhes está reservada.
Todos os líderes políticos não-comunistas do Leste Europeu tiveram de se exilar após ganharem eleições — os que não saíram foram presos e mortos
A farsa do último domingo começou a ser escrita em julho de 1990, quando Fidel Castro e Lula criaram o Foro de São Paulo, com o objetivo de retomar na América Latina aquilo que a esquerda havia perdido no Leste Europeu com a queda do Muro de Berlim.
A ditadura socialista que escravizou os povos do Leste Europeu durou 40 anos e começou com eleições supostamente democráticas, após o final da Segunda Guerra, como explica a historiadora Anne Applebaum no excelente livro “Cortina de Ferro — O Esfacelamento do Leste Europeu”. Em alguns países, como a Bulgária e a Iugoslávia, os comunistas nem se deram ao trabalho de disfarçar, e realizaram eleições com candidatura única. Em outros, como a Polônia e a Hungria, a esquerda socialista sofreu derrotas eleitorais humilhantes, que foram solenemente ignoradas por meio da fraude e da perseguição de adversários. Todos os líderes políticos não-comunistas do Leste Europeu tiveram de se exilar após ganharem eleições — os que não saíram foram presos e mortos. Flávio Bolsonaro está coberto de razão ao deixar o país.
Para um socialista, qualquer tipo de oposição real é crime. Por isso, em regimes de exceção implantados pela esquerda, a única maneira de combater os donos do poder não está na oposição, mas na dissidência. É preciso transformar cada brasileiro de bem em um dissidente do atual regime.
Não obedeceremos.

Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



