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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

País do Carnaval

“Lula, o operário”: o que você não ouvirá no samba-enredo

O presidente Lula com o estandarte da escola Acadêmicos de Niterói. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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Segundo um antigo dito carioca, não existe nada mais chato do que passar o Carnaval em Niterói. Decerto por vingança, os esquerdistas niteroienses resolveram dar o troco nos cariocas e transformar o desfile da Sapucaí em horário eleitoral gratuito.

Meus sete leitores já sabem que a esquerda tem como prioridade a destruição da alta cultura e a submissão da cultura popular. Sempre que os socialistas chegam ao poder, a propaganda substitui a inteligência, a ideologia substitui a beleza e o medíocre substitui o tradicional. Não foi por outra razão que se criou em torno dos dois maiores assassinos de todos os tempos, Mao Tse-tung e Josef Stálin, toda uma cultura de bajulação e fanfarronice, conhecida como “culto à personalidade”. Nada mais natural do que o nosso Stalinácio também tenha um culto à personalidade para chamar de seu.

Fiel aos princípios históricos da esquerda, a Acadêmicos de Niterói traz neste Carnaval o enredo sobre o “operário do Brasil”. Mas, para cada lantejoula de puxa-saquismo, há um quilômetro de sujeiras reais que a autocensura dos compositores não deixa desfilar.

Vamos à leitura do enredo, entremeando o que se canta com o que se esconde.

“Em Niterói, o amor venceu o medo / Vale uma nação, vale um grande enredo”

O amor que venceu o medo atende hoje por nomes sem glamour: roubo generalizado, impostos criminosos, inquéritos sigilosos, decisões monocráticas e escândalo sem fim. O medo não foi vencido, ele virou instituição. Quem ousa não amar o enredo oficial encontra a vitória do amor na ponta de uma ordem de bloqueio de contas, no silêncio forçado das redes e na perseguição sistemática. A nação vale o enredo, mas o enredo só vale se o Supremo Soviete deixar. E ele não deixa.

“Eu vi brilhar a estrela de um país / No choro de Luiz, a luz de Garanhuns”

A estrela brilhou, de fato, mas foi nos balancetes das empreiteiras do Petrolão, nas propinas do Mensalão, no roubo aos velhinhos do INSS, na ditadura do Supremão. O choro de Luiz é um recurso cênico antigo, usado sempre que a realidade dos fatos — ou o peso de uma condenação por corrupção e lavagem de dinheiro — aperta o cerco. A luz de Garanhuns ilumina uma história de roubo, crime e mentira.

“Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical / À liderança mundial”

A liderança mundial é o eufemismo malandro para o abraço fraterno em ditadores e terroristas. No desfile da realidade, essa estrofe viria acompanhada de alegorias com Nicolás Maduro, Daniel Ortega, os herdeiros de Fidel, os tiranos do bloco russo-chinês, os democidas do Irã, os assassinos do Hamas. Lula lidera, sim: lidera o esforço para celebrar a democracia relativa e financiar obras faraônicas em países comunistas, enquanto a infraestrutura brasileira mofa nas mãos da burocracia.

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“Revolucionário é saber / Escolher os seus heróis / Zuzu Angel, Henfil, Vladimir”

Aqui a cara de pau atinge o seu ápice. O samba evoca Vladimir Herzog, jornalista morto há 50 anos, para celebrar uma ditadura que hoje persegue jornalistas, censura opiniões e suspende veículos de imprensa por “desordem informacional”. Os carnavalescos papa-goiabas — que também são papadores de financiamento público — choram o regime do passado enquanto bajulam a ditadura do presente.

“É, tem filho de pobre virando doutor / Comida na mesa do trabalhador / A fome tem pressa, Betinho dizia”

A fome tem pressa, mas a mentira tem pernas curtas. Os 33 milhões de famintos — uma estatística que o próprio Lula já admitiu ser mentirosa — sumiram tão rápido quanto a responsabilidade fiscal. Usar a barriga vazia do pobre para justificar o banquete do poder é a especialidade da casa. Ah, e o filho que realmente prosperou foi o zelador de zoológico que virou milionário e agora fugiu para a Espanha. A fome tem pressa, dizia Betinho. E a grana também, completou Lulinha.

“Assim que se firma a soberania / Sem mitos falsos, sem anistia”

A soberania petista é aquela que se curva a regimes totalitários e ignora o povo para satisfazer a sanha do Partido-Estado. É claro que no Brasil de 2026 a anistia só existe para os amigos do rei-momo; os inimigos foram atropelados pelos carros alegóricos do regime.

Depois da Quarta-feira de Cinzas, o constrangedor samba-enredo do Lula cairá no esquecimento, como todo lixo cultural petista. Mas restará a ressaca de um país destruído pelos seus próprios governantes.

A Acadêmicos de Niterói cantará que o amor venceu, mas quem pagará a conta — nós, os mortais comuns — sabe que o enredo é lorota e o medo nunca esteve tão vivo.

“Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais
Brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas
Foi o que restou.”

(Vinicius de Moraes/Carlinhos Lyra)

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