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Na Sexta-feira da Paixão, fui até o centro da cidade para me confessar. Depois que contei meus pecados ao padre e mais uma vez recebi o perdão de Deus, caminhei pelas ruas quase vazias. As lojas estavam fechadas; havia apenas um café aberto, perto do bosque.
Entrei, pedi uma água e me lembrei da sede de Jesus, a quem os soldados deram uma esponja embebida em vinagre, das que eram usadas nos sanitários públicos romanos. Senti uma certa vergonha da minha sede tão facilmente saciada, quando vi que faltava pouco para o meio-dia — a hora da crucificação.
No momento em que eu saía do café, um homem jovem me abordou.
Com a voz hesitante, ele me disse:
— Irmão, eu sou violinista e gastei todo o meu dinheiro. Pelo amor de Deus, pague uma dose de vodca para mim.
O balconista do café aproximou-se na mesma hora e disse ao jovem:
— Amigo, seu pai já ligou aqui e pediu para não lhe dar mais bebida. Vá descansar, pare de fazer isso com você mesmo.
Sim, aquele pobre homem, entregue ao vício e ao desespero, tem uma profissão e uma família.
Não foi por acaso que Deus me fez encontrá-lo pouco antes da Hora da Paixão: o violinista era imagem do que eu seria hoje se não tivesse me reencontrado com Deus na frente de uma igreja incendiada, há quase 30 anos.
Aquele homem é o meu irmão.
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Imagino que o desalento nos olhos do violinista seja tão grande quanto o dos discípulos que caminhavam para Emaús, depois da crucificação.
Estavam tão tristes, os discípulos, que nem sequer perceberam a presença de Jesus ressuscitado ao lado deles.
Só se deram conta de que estavam ao lado do próprio Filho de Deus quando o pão foi partido.
Meu irmão, saiba que foi o som de violino que iniciou minha caminhada de volta para Deus.
Nas minhas piores noites, quando eu chegava bêbado e desesperado em casa, ouvia uma ária de Johann Sebastian Bach, da Paixão Segundo São Mateus.
Nessa ária, o violino dialoga com a voz da soprano, que repete as súplicas de Pedro após negar Cristo: “Erbarme dich, mein Gott”, “Tende piedade de mim, meu Deus”.
Pedro encontrou o perdão, eu encontrei o perdão — e eu sei que você também o encontrará, meu irmão.
Um dia, os sons do violino vão soar com a alegria do pai que recebe de volta o filho pródigo.
E todo o tempo será igual a hoje, um eterno Domingo da Misericórdia.
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