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Vi a Duda Campopiano pela primeira vez em 2021. Na época, ela estava com 18 anos, usava cabelo pintado de azul e umas maquiagens meio góticas, um visual que costuma ser associado às jovens (e não tão jovens) militantes de esquerda.
Mas as aparências, no caso, enganavam muito. Duda era articuladíssima, não usava jargões de militância e tratava muito bem a língua portuguesa. Contra todas as probabilidades, era uma jovem conservadora. Quando mostrei um vídeo dela a meu querido amigo Silvio Grimaldo, o cientista político mais odiado das redes, ele comentou:
— Se a menina do cabelo azul está ao nosso lado, nós vamos vencer a guerra.
Hoje, Duda não usa mais cabelo azul, mas eu continuo fã dela. Tive a chance de conhecê-la pessoalmente em 2022, no CPAC realizado em Campinas, quando gravamos uma entrevista bem bacana para o extinto jornal Brasil Sem Medo. Desde então, acompanhei suas manifestações públicas, sua eleição para vereadora em 2024 (sendo a mais jovem e mais votada candidata de Praia Grande), seus debates na internet, sua vida de estudos e — o que me deu enorme alegria — sua conversão à Igreja Católica.
Na semana passada, Duda passou por uma situação constrangedora, que me deixou profundamente indignado. Ela foi convidada para debater num podcast chamado RedCast. O desenho do programa era o clássico choque de visões: de um lado, Duda e uma pastora protestante; do outro, duas mulheres que se autodeclaram “bruxas feministas”.
Duda achou que seria mais um debate firme, mas civilizado, como tantos que já enfrentou. No entanto, o que se viu ali não foi um confronto de ideias, mas uma agressão verbal de cunho sexual explícito.
Uma das debatedoras, de nome Savani, simplesmente interrompeu a conversa para fazer uma importunação ao estilo de filme pornô brasileiro.
O estúdio entrou em choque. Duda, legítima e profundamente abalada, chegou a se levantar para abandonar o programa. Passou quarenta minutos fora do ar, tentando processar a baixaria. Sabendo que a colega pastora tinha viajado de longe e que a produção havia investido no espaço, engoliu a seco o ultraje e voltou. Não por fraqueza, mas por bravura. Voltou e avisou:
— Pode pôr tudo no ar. Nós somos adultos, e ela vai ter que arcar com as consequências do que falou.
E vai. Duda já acionou seus advogados e vai processar a agressora por assédio sexual.
O episódio seria grotesco por si só, mas ganha contornos ainda mais sinistros quando lembramos que, há poucas semanas, Duda já havia sido vítima de violência física: levou um soco na boca desferido por um militante de esquerda no campus da USP.
A sequência desses dois ataques consecutivos deixa exposta uma ferida purulenta da nossa cultura: para a militância progressista, a mulher de direita simplesmente não tem direito algum
Seus corpos podem ser agredidos, sua dignidade sexual pode ser violada em frente às câmeras, e o tribunal da internet — sempre tão célere em acender tochas para denunciar o “machismo estrutural” — assiste a tudo com um silêncio cúmplice e obsequioso. Como a assediadora da vez é uma militante de esquerda, ela ganha passe livre automático para cometer o crime que quiser.
Em um depoimento comovente que me enviou por áudio, numa conversa de amigo para amigo, Duda traduziu com precisão milimétrica a natureza do que estamos testemunhando:
“A gente realmente está numa batalha espiritual, Paulo. As figuras que a gente enfrenta são completamente malignas. A gente se propõe a ir num debate justamente para falar sobre Deus, sobre o cristianismo, sobre a Bíblia, e elas vêm tentar dizer que são a ‘paz e o amor’, que são pela liberdade, que cuidam e oferecem apoio psicológico para as mulheres. Dizem que o cristianismo oprime e que elas é que protegem as mulheres de verdade. Aí a Savani vem e faz isso comigo na frente de uma câmera — imagina o que não faz quando ninguém está olhando! Ela esperou até o meu marido se ausentar do estúdio para me assediar.
O que fica de reflexão, Paulo, é que a nossa briga não é política, ela é espiritual. E existe um lado certo e um lado errado. O lado errado é esse que bate no peito para dizer que defende a mulher contra a opressão cristã e, cinco minutos depois, assedia uma mulher cristã. Isso expõe tanto o problema espiritual quanto o problema da nossa legislação atual, que presume que só o homem é agressor. Se o Brasil fosse um país sério, não precisaria haver distinção de gênero em lei nenhuma; o criminoso seria tratado como criminoso, independentemente de quem é a vítima e de quem é o agressor.”
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