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Paulo Briguet

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“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Guerra espiritual

Mexeu com a Duda Campopiano, mexeu comigo

Após sofrer agressões física e sexual, Duda Campopiano expõe a hipocrisia de quem diz defender mulheres, mas silencia diante do abuso. (Foto: Duda Campopiano/Acervo pessoal)

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Vi a Duda Campopiano pela primeira vez em 2021. Na época, ela estava com 18 anos, usava cabelo pintado de azul e umas maquiagens meio góticas, um visual que costuma ser associado às jovens (e não tão jovens) militantes de esquerda.

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Mas as aparências, no caso, enganavam muito. Duda era articuladíssima, não usava jargões de militância e tratava muito bem a língua portuguesa. Contra todas as probabilidades, era uma jovem conservadora. Quando mostrei um vídeo dela a meu querido amigo Silvio Grimaldo, o cientista político mais odiado das redes, ele comentou:

— Se a menina do cabelo azul está ao nosso lado, nós vamos vencer a guerra.

Hoje, Duda não usa mais cabelo azul, mas eu continuo fã dela. Tive a chance de conhecê-la pessoalmente em 2022, no CPAC realizado em Campinas, quando gravamos uma entrevista bem bacana para o extinto jornal Brasil Sem Medo. Desde então, acompanhei suas manifestações públicas, sua eleição para vereadora em 2024 (sendo a mais jovem e mais votada candidata de Praia Grande), seus debates na internet, sua vida de estudos e — o que me deu enorme alegria — sua conversão à Igreja Católica.

Na semana passada, Duda passou por uma situação constrangedora, que me deixou profundamente indignado. Ela foi convidada para debater num podcast chamado RedCast. O desenho do programa era o clássico choque de visões: de um lado, Duda e uma pastora protestante; do outro, duas mulheres que se autodeclaram “bruxas feministas”.

Duda achou que seria mais um debate firme, mas civilizado, como tantos que já enfrentou. No entanto, o que se viu ali não foi um confronto de ideias, mas uma agressão verbal de cunho sexual explícito.

Uma das debatedoras, de nome Savani, simplesmente interrompeu a conversa para fazer uma importunação ao estilo de filme pornô brasileiro.

O estúdio entrou em choque. Duda, legítima e profundamente abalada, chegou a se levantar para abandonar o programa. Passou quarenta minutos fora do ar, tentando processar a baixaria. Sabendo que a colega pastora tinha viajado de longe e que a produção havia investido no espaço, engoliu a seco o ultraje e voltou. Não por fraqueza, mas por bravura. Voltou e avisou:

— Pode pôr tudo no ar. Nós somos adultos, e ela vai ter que arcar com as consequências do que falou.

E vai. Duda já acionou seus advogados e vai processar a agressora por assédio sexual.

O episódio seria grotesco por si só, mas ganha contornos ainda mais sinistros quando lembramos que, há poucas semanas, Duda já havia sido vítima de violência física: levou um soco na boca desferido por um militante de esquerda no campus da USP.

A sequência desses dois ataques consecutivos deixa exposta uma ferida purulenta da nossa cultura: para a militância progressista, a mulher de direita simplesmente não tem direito algum

Seus corpos podem ser agredidos, sua dignidade sexual pode ser violada em frente às câmeras, e o tribunal da internet — sempre tão célere em acender tochas para denunciar o “machismo estrutural” — assiste a tudo com um silêncio cúmplice e obsequioso. Como a assediadora da vez é uma militante de esquerda, ela ganha passe livre automático para cometer o crime que quiser.

Em um depoimento comovente que me enviou por áudio, numa conversa de amigo para amigo, Duda traduziu com precisão milimétrica a natureza do que estamos testemunhando:

“A gente realmente está numa batalha espiritual, Paulo. As figuras que a gente enfrenta são completamente malignas. A gente se propõe a ir num debate justamente para falar sobre Deus, sobre o cristianismo, sobre a Bíblia, e elas vêm tentar dizer que são a ‘paz e o amor’, que são pela liberdade, que cuidam e oferecem apoio psicológico para as mulheres. Dizem que o cristianismo oprime e que elas é que protegem as mulheres de verdade. Aí a Savani vem e faz isso comigo na frente de uma câmera — imagina o que não faz quando ninguém está olhando! Ela esperou até o meu marido se ausentar do estúdio para me assediar.

O que fica de reflexão, Paulo, é que a nossa briga não é política, ela é espiritual. E existe um lado certo e um lado errado. O lado errado é esse que bate no peito para dizer que defende a mulher contra a opressão cristã e, cinco minutos depois, assedia uma mulher cristã. Isso expõe tanto o problema espiritual quanto o problema da nossa legislação atual, que presume que só o homem é agressor. Se o Brasil fosse um país sério, não precisaria haver distinção de gênero em lei nenhuma; o criminoso seria tratado como criminoso, independentemente de quem é a vítima e de quem é o agressor.”

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