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Em 4 de março de 2013, a então presidente Dilma Rousseff, nossa eterna Mulher Sapiens, disse:
“Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, nós temos que nos respeitar, porque fomos eleitos pelo voto direto do povo brasileiro”.
É interessante notar que a primeira parte da fala descreve perfeitamente o comportamento da esquerda brasileira durante o período eleitoral (inclusive o comportamento da própria Dilma). Mas a segunda parte da mensagem nunca foi, nem de perto, seguida pelo PT. Na hora da eleição, os petistas fazem o diabo; na hora de governar, também.
Depois de fazer o diabo no governo, Dilma deixou o Brasil na pior recessão de sua história. E Lula está fazendo exatamente a mesma coisa agora, com um terrível acréscimo: reeleita, Dilma destruiu a economia; reeleito, Lula destruirá a economia e os últimos resquícios de justiça e liberdade no país.
O diabo, como se sabe, é o pai da mentira. Mas não se trata de uma mentira qualquer. Aqui estamos falando da mentira universal, aquela que abarca e inverte toda a realidade, transformando o bem em mal, o crime em virtude e a virtude em crime. O intelectual romeno Vladimir Tismaneanu faz uma descrição magistral desse fenômeno no livro “O Diabo na História”, em que retrata os regimes da Alemanha nacional-socialista e da Rússia comunista.
O diabo tem dois ardis fundamentais. O primeiro é tentar convencer as pessoas de que não existe. Quando esse ardil falha — cedo ou tarde, as pessoas percebem que o diabo é perfeitamente real —, ele passa a se travestir como o seu oposto.
Recentemente, Lula arvorou-se em dar conselhos não solicitados à Igreja Católica em questões como o celibato clerical e a ordenação de mulheres. Foi mais longe: afirmou que o vermelho do PT corresponde ao sangue de Cristo.
Faz isso no mesmo momento em que está sendo revelada, aos olhos do país inteiro, toda a podridão do seu governo, em um oceano de lama que inclui o principal algoz de seus inimigos, os mais altos líderes da República, seus assessores diretos e até seu filho mais velho. Essa escalada de crimes me lembra um personagem do Apocalipse: o Anticristo.
Mário Henrique Simonsen tem uma frase antológica: “Se você é dono de uma lavoura e precisa escolher entre uma nuvem de gafanhotos e um administrador petista, fique com os gafanhotos”. A frase de Simonsen pode ser aplicada a toda a imensa lavoura que é o sistema de poder no Brasil. Do mais modesto cargo no menor dos municípios à cadeira da Presidência da República, a esquerda é uma nuvem de gafanhotos que devora e atormenta as forças vitais da sociedade brasileira.
Santo Agostinho ensinava que o mal não possui substância própria; ele nada mais é do que a privação de um bem, que Deus só permite para dele extrair um bem maior. O Brasil não suporta mais ser privado do bem por essa diabólica nuvem de gafanhotos políticos.
Lula está percebendo que vai perder essa eleição e fará o diabo para evitar a derrota, usando sua principal arma — a mentira. Tenho para mim, no entanto, que desta vez a arma não vai funcionar.
O Brasil não aguenta mais você, Lula. Vá embora — e leve seus companheiros.
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



