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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Lula e Janja

O casal presidencial me envergonha paca

CR7 no Al Nassr, segundo o Marca
Almoço com paca é mais um episódio da série de hipocrisias do casal presidencial. Enquanto Lula e Janja ostentam, o povo começa a acordar. (Foto: Ricardo Stuckert/PT)

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Devo começar agradecendo ao casal presidencial. Sim, isso mesmo. Não fosse por Janja e Lula, eu não teria recolhido, dos arquivos da memória, uma afetuosa lembrança infantil.

Quando meu pai encontrava crianças, fazia sempre uma brincadeira:
— Repete comigo: paca, tatu, cotia não.
A criança repetia:
— Paca, tatu, cotia não.
Paulo, então, caía na risada:
— Errou! É paca, tatu. Cotia, NÃO.

Foi esse meu primeiro contato com a paca. Agora ela voltou ao noticiário — se é que alguma vez lá esteve — por causa do almoço oferecido no último domingo pela primeira-dama ao ocupante da Presidência.

Todo mundo sabe — e, a essa altura, Janja e Lula devem saber — que o almoço pegou mal paca. Até aquela moça que chora na televisão por causa dos bichinhos ficou brava paca com o casal supremo. Aliás, com o casal presidencial (todo mundo está careca de saber que o casal supremo é outro).

Quem pode querer mal à paca? É um bichinho simpático paca. Seu nome científico — Cunicullus paca — faz referência ao seu hábito de viver em tocas ou galerias escavadas na terra (em latim, cunicullus significa túnel).

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A paca tem manchas brancas horizontais nos flancos, pesa de 6 a 12 quilos e pode chegar, no máximo, a 80 centímetros de estatura. Tem unhas fortes, boas para cavar, e olhos grandes, capazes de enxergar no escuro, apenas auxiliados pela luz da Lua e das estrelas. Tímida, a paca cultiva hábitos noturnos e solitários. Gosta de viver perto da água (como sua prima, a capivara) e alimenta-se de frutas, plantas e sementes. Em suma, é um animal pacífico paca.

Janja disse que a paca jantada (aliás, almoçada, não sei se sobrou para a janta) no domingo foi oferecida por um produtor legalizado e cadastrado. Agora, imaginem — só imaginem — se Michelle Bolsonaro oferecesse o mesmo cardápio silvestre para o sr. Jair. A essa altura, todos os órgãos da extrema-imprensa estariam exigindo nome, CNPJ, ficha cadastral, comprovante de IR e cartão de vacinação não apenas do tal criador legalizado, como de todos os seus funcionários, parentes, amigos e clientes. Por ordem do Supremo Soviete, aquele senador saltitante iria abrir uma CPI dos Animais Silvestres.

O que me chateou nessa história não foi a paca em si. Sim, eu sei que a paca, por conta das leis ambientais e da proibição da caça, é uma carne caríssima, bem mais cara que a prometida e nunca entregue picanha. O que me chateou foi o fato de o casal presidencial simplesmente ignorar o dia mais importante do ano para os cristãos e lançar-se a uma ostentação gastronômica. O que me entristece é saber que o sujeito sentado na cadeira presidencial prefere aparecer sem camisa, tendo ao fundo uma garrafa de cachaça, a falar sobre a Ressurreição do Filho de Deus. O que me envergonhou supremamente foi ver o Domingo de Páscoa transformado em Domingo de Paca.

Eles lulam paca, mentem paca, falam besteira paca e agora comem paca. Mas provavelmente ignoram (assim como eu ignorava até perguntar para o Google) o significado da palavra paca, que vem do tupi paka e quer dizer “aquela que acorda”.

O povo está acordando, Lula. E, para você, isso é ruim paca.

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