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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Lula reeleito

O fim do Brasil: crônica de uma eleição envenenada

Ministro Cristiano Zanin estendeu, numa decisão monocrática, o horário de votação em todo o Brasil, até as 19h deste domingo (25), no segundo turno — prorrogação da votação não chegou a tempo para todas as seções Brasil afora.
Ministro Cristiano Zanin estendeu, numa decisão monocrática, o horário de votação em todo o Brasil, até as 19h deste domingo (25), no segundo turno — prorrogação da votação não chegou a tempo para todas as seções Brasil afora. (Foto: Antonio Augusto/STF)

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“Neste quarto mandato, a gente vai poder dizer: ‘O Brasil acabou’.”
(Luiz Inácio Lula da Silva)


1. E não é que o Lula estava certo? O Brasil acabou. Repetiu-se aqui a mesma artimanha que ocorreu nas eleições venezuelanas de 2015. Naquela ocasião, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão sob forte influência do governo socialista de Nicolás Maduro, determinou de última hora a prorrogação do funcionamento das mesas de votação por mais uma hora — estendendo o fechamento das 18h para as 19h locais.

Neste domingo, até as 16h52, tudo parecia definido. Ninguém, em sã consciência, colocava em dúvida a vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais. Era líquido e certo. Todas as pesquisas apontavam um só resultado. As agências internacionais e os modelos matemáticos também eram unânimes.

Eu sabia. Você sabia. Nós sabíamos. Os eleitores dos dois lados sabiam. Flávio sabia. Até o Lula sabia.


2. Mas então apareceu um personagem.

Cristiano Zanin, o advogado pessoal que Lula transformou em ministro da Suprema Corte, decidiu prorrogar as eleições até às 19 horas em todo o território brasileiro. A decisão monocrática de Zanin envenenou uma eleição que a todos parecia decidida. 


3. A interferência de Zanin é um escândalo histórico, possivelmente a maior irresponsabilidade já cometida por uma autoridade eleitoral no Brasil.


4. Ademais, é preciso dizer com todas as letras: o sistema eleitoral não permite uma auditoria do resultado. Estamos diante da tirania dos elétrons. As eleições brasileiras são algo como um jogo de futebol para cegos: sabemos que existe uma bola, mas não sabemos onde ela está, e o juiz muda as regras do jogo em cima da hora. 


5. Foi declarado vencedor das eleições o candidato que, no pleito anterior, já se beneficiara de um golpe cuidadosamente montado para tirá-lo da cadeia e colocá-lo na cadeira presidencial. O mesmo candidato que, utilizando a máquina do Estado, criou mais um rombo de R$ 400 bilhões no orçamento federal, o que aumentará a catastrófica dívida pública do país. O nome disso, todos sabem, é compra de votos.


6. No debate da última sexta-feira, o Brasil inteiro viu que Lula não possui hoje a menor condição cognitiva para continuar no cargo. Um cadáver político foi reeleito; sua permanência no cargo máximo da República significará o esfacelamento geral do país.


7. Há 12 anos, Olavo de Carvalho descrevia o quadro que estamos vivendo hoje com uma espantosa clarividência:

“O que se observa no Brasil é o fenômeno da decomposição: financeira, administrativa, moral, cultural. O Brasil é um país que está se desfazendo diante de nós. A corrupção galopante que ninguém consegue deter, a magnífica compra de consciências com a qual se transforma o Supremo Tribunal Federal num escritório do Partido, são apenas sintomas da decomposição moral. (...) Eles continuarão parasitando as fraquezas do sistema e roubando como doidos.”

Diante desse quadro, o que posso dizer aos meus sete leitores é muito simples: em breve, a população brasileira vai descobrir que as únicas formas de garantir alguma esperança para os nossos filhos são a oposição sistemática, por meio dos nossos representantes eleitos, e a desobediência civil pacífica, por meio da sociedade.


8. O Brasil terá dias muito difíceis pela frente. Portanto, resta-nos voltar nossas faces para Deus e para os nossos intercessores no Céu. 

Ó Virgem dolorosíssima, as vossas lágrimas derrubaram o império infernal.

São Frei Galvão, rogai por nós. São José de Anchieta, rogai por nós. Nossa Senhora Aparecida, padroeira e rainha do Brasil, rogai por nós.

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