Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Fé cristã

São José, o Carpinteiro da Eternidade

São José, homem do silêncio e da ação, inspira fé, coragem e serviço. Em tempos confusos, seu exemplo recorda que a verdadeira força nasce da humildade. (Foto: Bartolomé Esteban Murillo/Museu do Prado/Wikimedia Commons)

Ouça este conteúdo

Meu santo padroeiro é São José. Por muitos fiéis, ele é chamado de José, o Silencioso, uma vez que não diz uma só palavra na Bíblia. Ele é puro ato: tudo o que faz — aceitar Maria, abraçar a castidade, abrigar-se em um estábulo, fugir para o Egito, sustentar a família — são gestos altruístas. São José é a própria definição do homem que vive para os outros, pelos outros, nos outros.

Em silêncio, ele habita o espaço entre nossas palavras. Com suas mãos calejadas, realiza obras para que as pessoas vivam melhor. Talvez seja um escândalo, para os nossos tempos odiosos, saber que José foi um pequeno empresário da construção civil, assim como Sócrates em Atenas. Na cidade em que viveu a Sagrada Família, ele se tornou construtor de casas e móveis. Mas, ao acolher em sua casa o Menino Jesus e sua Mãe, ele ajudou a construir a morada de nossa salvação.

Há muitos e muitos anos, um grupo de homens piedosos se dirigiu à sua oficina em Nazaré. O esposo de Maria era conhecido como um homem de poucas palavras, mas muito sábio. Sempre que alguma questão afligia os habitantes locais e não pudera ser resolvida pelas autoridades rabínicas, era José quem os nazarenos procuravam. Naquele dia, foram atendidos por Maria, que lhes disse com infinita doçura:

— José está na oficina, terminando um trabalho que precisa concluir hoje.

À sombra da figueira, o pequeno Jesus levou-lhes um cântaro de água e uma travessa de pães. Era, a exemplo de José, um menino calado, mas tinha os mesmos olhos doces de sua mãe. Lá dentro, o mestre trabalhava. Quando José finalmente saiu, trazia um pesadíssimo objeto feito com grossos troncos. Nesse momento, o Menino levantou-se e disse uma frase que eles ficaram sem entender por muitos anos:

— Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

Maria e José guardaram aquilo no coração.

O carpinteiro havia protegido a fonte de toda santidade e, no silêncio de seu ofício, preparava o instrumento da Redenção

Ele é a figura perfeita do homem justo do primeiro Salmo:

Sua satisfação está na lei do Senhor.
É como a árvore plantada à beira de águas correntes.
Tudo o que ele faz prospera.

Desde que meu pai partiu, sempre que sinto saudade dele penso em José. Até hoje, Paulo me aconselha sem precisar dizer uma palavra.

Nesta véspera de São José, o céu sobre Londrina amanheceu nublado, de um cinza denso que deixa a cidade um pouco triste, sem aquele azul cintilante ao qual estamos acostumados. É um tempo de espera, mas também de uma certa apreensão que paira no ar e me faz lembrar que a paz é um edifício frágil.

Olhando para esse horizonte carregado, meu pensamento viaja até o ano de 1889. Naquele final de século XIX, a Igreja e os cristãos enfrentavam tempos tenebrosos, talvez tão áridos quanto os nossos. O mundo queria expulsar Deus de todos os espaços públicos. Foi nesse cenário de cerco que o Papa Leão XIII, o velho e lúcido pontífice, voltou seus olhos para o silêncio de Nazaré.

Em sua encíclica Quamquam Pluries, Leão XIII não buscou a solução no poderio dos grandes líderes, mas na fé de um homem simples. Ele compreendeu que, se Maria é a Rainha do Céu, José é o guardião da casa. Ao elevar o carpinteiro como modelo para os operários e para os pais de família, o Papa nos mostrou que a resistência cristã começa na virtude oculta aos olhos do mundo.

Daquele coração romano, angustiado pela peste do erro e do vício que já ameaçava o povo eleito de Jesus Cristo, brotou uma oração que atravessou os séculos. Leão XIII sabia que, assim como José salvou o Menino Jesus da morte sob Herodes, ele continua a defender a Santa Igreja das ciladas do Inimigo.

Hoje, enquanto as nuvens se movem sobre nós, a súplica de 1889 ressoa com atualidade e força. Pedimos a José que assista, do alto do céu, à nossa luta contra o poder das trevas. Pois, se o mundo é uma oficina em conflito, o Carpinteiro da Eternidade continua sendo o nosso fortíssimo sustentáculo.

Nestes tempos de verborragia, José nos ensina com o seu silêncio. Nestes tempos de medo, ele nos inspira com a sua coragem. Que o seu patrocínio nos ampare, para que possamos — como pedia o Papa — viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança.

Rogai por nós, querido São José!

Canal Briguet Sem Medo: Acesse a comunidade no Telegram e receba conteúdos exclusivos. Link: https://t.me/briguetsemmedo

VEJA TAMBÉM:

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.