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Se você não se arrepende de nada que fez na vida, meu amigo, tenho uma péssima notícia: você não é um ser humano. Todos nós erramos, todos nós pecamos, todos nós temos inumeráveis motivos de arrependimento.
Começo falando por mim. Votei em Lula em 1989, 1994 e 1998. Vergonhosamente, precisei de muitos anos para entender a catástrofe que eram o PT e o Foro de São Paulo. Vi Celso Daniel. Vi os maiores escândalos de corrupção do Ocidente. Vi a parceria com ditaduras genocidas. Vi os tribunais e as cátedras serem tomadas por uma ideologia assassina. Vi milhões de irmãos sendo dominados pelo narcoterrorismo. Vi a Igreja ser vilipendiada por comunistas. Vi o declínio da alta cultura e da inteligência brasileira. Vi um país que poderia ter sido e que não foi — um país mergulhado em miséria, inveja, egoísmo, maldade e ignorância. Só então compreendi que estava sendo cúmplice de um grande crime e tomei como missão de vida reparar a devastação civilizacional que, de alguma forma, ajudei a promover.
Felizmente, uma pequena parte de minha alma foi preservada do erro. Justamente por essa fresta, fui capaz de pedir perdão — e ele me foi concedido por Deus. O perdão, como ensinava um mestre, é a lei geral que estrutura o universo. Há 17 anos, o professor disse:
— O universo só continua existindo porque é continuamente possibilitado. O resgate do finito pelo infinito é um processo permanente e que fundamenta toda a existência física, toda a existência do espaço-tempo. E o que é o perdão? É a tradução desse resgate na escala da alma humana. O perdão é a abertura de novas possibilidades que transcendem o seu esgotamento no campo espaço-temporal.
Mas, Paulo, por que você vem falar de perdão numa hora dessas? Porque não há outra forma de salvar o Brasil. O homem que hoje ocupa a Presidência da República cometeu, ao longo das últimas décadas e com a cumplicidade da elite política nacional, toda sorte de pecados por ações, pensamentos, palavras e omissões. E jamais — jamais — se arrependeu de nenhum deles. Por esse motivo, não pode receber o perdão de Deus, nem dos homens. Rezo, no entanto, para que isso algum dia aconteça e mesmo ele possa salvar sua alma.
As consequências dessa multidão de pecados desfiguraram a alma do nosso país. Somos hoje uma nação dilacerada pelo rancor, pela vingança, pela mentira. Tudo que existe de mais sagrado foi profanado por esse homem e seus cúmplices.
No entanto, o Brasil precisa do perdão de Deus. O Brasil precisa admitir que errou ao permitir que esse homem voltasse ao poder e continuasse sua obra diabólica. O perdão é a única maneira de salvar o nosso país. No próximo domingo, você pode escolher entre aquele que se obstina no erro, no ódio e na mentira — e aquele que tem a chance, por frágil que seja, de oferecer uma esperança de mudar o rumo das coisas.
Está em suas mãos.
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



