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Pedro Lupion

Pedro Lupion

Oriente Médio

As ameaças da guerra EUA/Israel contra o Irã aos produtores rurais brasileiros

Navio atingido por projéteis no estreito de Ormuz. (Foto: EFE/Armada Real de Tailandia)

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Não bastassem os desafios inerentes à produção de alimentos e aqueles impostos por um governo federal que, abertamente, atua contra quem quer produzir, o agro brasileiro agora precisa lidar com mais um obstáculo ao seu desenvolvimento: a geopolítica internacional.

Não se trata de algo novo. Desde o conflito entre Ucrânia e Rússia, em 2022, os produtores rurais já convivem com os efeitos da instabilidade externa, especialmente sobre o preço dos fertilizantes. E esse cenário pode voltar a se agravar.

O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã acende um alerta, sobretudo diante da possibilidade de alta nos combustíveis, já que uma parcela significativa do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz — área de influência estratégica do regime iraniano.

A informação de que o Irã teria instalado minas naquele trecho elevou a preocupação de diversos países, pelo risco de comprometimento no abastecimento global de combustíveis fósseis. A Agência Internacional de Energia, inclusive, autorizou o uso de reservas recordes de 400 milhões de barris de petróleo.

Outro ponto sensível diz respeito aos fertilizantes. O Brasil importa do Irã e de Omã 18% do fertilizante nitrogenado utilizado internamente, além de outros 13% provenientes do Catar. Isso significa que cerca de 30% da ureia empregada na produção nacional vem do Oriente Médio. Felizmente, neste momento, a demanda por esse insumo não está em seu pico.

No caso do diesel, porém, a preocupação é mais imediata. Estamos em um período decisivo para o plantio da segunda safra de milho em várias regiões do país, além do escoamento das produções de soja e arroz.

A Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 para as distribuidoras neste fim de semana, mas, mesmo antes, já havia quem se aproveitasse da situação para lucrar com o alarmismo do conflito no Oriente.

É necessário investigar com seriedade as denúncias de preços acima de R$ 7 por litro, registradas no estado do Pará na última semana. À primeira vista, trata-se de um aumento artificial e oportunista em um momento que exige cautela — e não alarmismo —, para não criar uma corrida artificial aos postos de combustíveis.

Também preocupam as informações sobre o aumento de 7,7% no diesel S-10, que já está com preço médio de R$ 6,70 no país, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A CNA e nós, da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), cobramos soluções nesta semana. Entre as medidas defendidas estão a redução de tributos, como PIS/Cofins, e a elevação do percentual de biodiesel na mistura ao diesel — uma solução doméstica, viável e estratégica que o agro e o Brasil podem oferecer.

O presidente da República atendeu parcialmente aos apelos do setor no primeiro ponto, mas ainda falta avançar no segundo, que é o mais importante. Há risco real de prolongamento do conflito e, com ele, de agravamento dos impactos sobre o agro, inclusive nas regiões Norte e Nordeste.

Combustível mais caro significa pressão direta sobre o preço dos alimentos. Isso porque, no Brasil, o transporte da produção e dos insumos agropecuários depende majoritariamente das rodovias — sem falar no impacto direto sobre o funcionamento das máquinas agrícolas.

A última safra já foi marcada por custos elevados, com aumento no frete, nos combustíveis e em outros insumos. Ainda assim, o agro contribuiu de forma decisiva para o crescimento do PIB brasileiro. Isso, porém, não significa que o produtor esteja vivendo dias fáceis.

A taxa Selic em 15%, a dificuldade de acesso ao crédito, o endividamento crescente no campo e o avanço das recuperações judiciais compõem um cenário já bastante preocupante. Somada a isso, há agora uma instabilidade externa capaz de afetar ainda mais a economia mundial e penalizar quem produz.

Na FPA, compreendemos o senso de urgência do produtor rural e atuamos em busca de soluções, seja por meio do diálogo institucional, seja por propostas legislativas e outros instrumentos à disposição do Parlamento.

Cabe ao governo federal, mesmo diante de suas limitações fiscais, entender que este não é o momento de transferir ao campo o custo de uma gestão temerária.

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