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Os efeitos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio, já são sentidos no Paraná e em todo o Brasil — justamente em meio à colheita da soja, que ocupa cerca de 70% da área agrícola do estado.
O preço do diesel já ultrapassa R$ 7 por litro e chega a R$ 7,80 em cidades como Prudentópolis. Antes do conflito, o combustível custava, em média, R$ 5,50, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP).
O impacto é direto: o diesel representa cerca de 40% do custo do frete e é essencial para uma agricultura cada vez mais mecanizada. Ou seja, afeta tanto o escoamento da produção quanto a própria colheita.
Diante desse cenário, a FAEP solicitou o aumento da mistura de biocombustíveis ao diesel e reforçou a necessidade de fiscalização para coibir aumentos abusivos — medidas também defendidas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que presido.
Há ainda preocupação com o aumento no preço dos fertilizantes e com o redirecionamento de cargas de combustíveis para países que pagam mais, o que pode comprometer o abastecimento no Brasil.
Parte desse contexto está ligada às tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa parcela relevante do petróleo mundial. A região também é rota estratégica para o comércio de produtos como milho, carne e frango — commodities nas quais o Brasil é protagonista.
O Paraná, por exemplo, é líder na produção e exportação de frango halal, atendendo principalmente aos mercados do Oriente Médio. Cerca de 29% das exportações brasileiras de carne de frango para a região têm origem no país, com forte participação do nosso estado. A instabilidade internacional, portanto, afeta diretamente esse fluxo.
No Extremo Oriente, outro desafio se impõe. Em plena colheita, a China passou a restringir cargas brasileiras de soja sob a justificativa da presença de ervas daninhas quarentenárias, mesmo quando dentro do limite internacional de até 1% de impurezas.
Pelo menos 20 navios já foram devolvidos ao Brasil e, apenas na primeira quinzena de março, cerca de 2,5 mil caminhões foram barrados no porto de Paranaguá. O número já representa mais da metade de todas as cargas rejeitadas em 2024.
A flexibilização recente, fruto de negociação entre os países, trouxe alívio momentâneo, mas a insegurança permanece. É fundamental estabelecer protocolos claros e estáveis para evitar prejuízos ao produtor, como descontos arbitrários por supostas impurezas.
O cenário internacional é desafiador, mas o agro brasileiro segue demonstrando resiliência, qualidade e capacidade de entrega. Mesmo diante das adversidades, o produtor rural continua garantindo renda, emprego e alimento para o Brasil e para o mundo.
Que esse momento sirva, ao menos, de alerta para que o governo federal deixe de criar obstáculos e passe a apoiar, de forma efetiva, quem produz.








