i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Politicamente Incorreto

Ver perfil

Como a transgressão se tornou um cliché da arte contemporânea

  • PorLeandro Narloch
  • 29/09/2017 15:45
Como a transgressão se tornou um cliché da arte contemporânea
| Foto:

Em tempos de polêmicas sobre exposições de arte transgressora no Brasil, é interessante reler o ensaio “Como a arte moderna se tornou refém da necessidade de chocar”, do filósofo Roger Scruton. Principal nome do conservadorismo na Inglaterra, Scruton mostra como a arte atual se resume a um exercício de fingimento coletivo e de esgotamento da ideia de transgressão.

“Não é fácil ganhar o status de artista original”, diz Scruton no ensaio. “Mas as recompensas, numa sociedade em que a arte é reverenciada como a mais alta realização cultural, são enormes. Portanto há um motivo para fingir ser original.”

Na arte contemporânea, esse fingimento é coletivo. Artistas quebram regras e costumes; críticos e curadores posam como gente sofisticada capaz de entender significados ocultos às pessoas comuns; jornalistas tratam de ampliar a importância que esse pequeno mundo dá a si próprio. Em comum, artistas, críticos e jornalistas de arte rejeitam o gosto e os gêneros populares como expressões corrompidas, sentimentais e simplórias.

Foi com os modernistas que nasceu, diz Scruton, um costume de assumir que “não pode existir criação autêntica na esfera da arte superior que não seja um desafio à complacência da nossa cultura pública”. Só ganha valor o que ofende ou não se dobra às tradições e ao “gosto burguês”. A transgressão se tornou a nova tradição – ou o cliché – da arte. Como diz Scruton, muito melhor do que eu:

Surgiu ao redor dos modernistas uma classe de críticos e empresários prontos para explicar por que não é uma perda de tempo admirar uma pilha de tijolos, ou sentar calmamente para ouvir dez minutos de um som excruciante, ou para estudar um crucifixo conservado em urina.

Para convencer si próprios que eram os verdadeiros progressistas, que andam na vanguarda da história, os novos empresários se cercaram de outros da sua laia, promovendo-os a todos os comitês que eram relevantes para seu status, e esperando para serem promovidos em troca. Assim surgiu o establishment modernista – um círculo isolado de críticos que formam a espinha dorsal das nossas instituições culturais.

“Originalidade”, “transgressão” e “trilhando novos rumos”. Esses são termos de rotina emitidos por burocratas dos conselhos de arte e pelo establishment dos museus sempre que eles querem gastar dinheiro público em alguma coisa que jamais sonhariam em ter na sala de casa. Mas esses termos são clichês, assim como as coisas que eles costumam elogiar. Portanto a luta contra o clichê acaba em clichê, e a tentativa de ser genuíno resulta em falsidade.

Para quem lê em inglês, o original deste belo ensaio está aqui.  

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.