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Polzonoff

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11 de Setembro de 2001: o dia em que a identidade se tornou ameaça

  • 11/09/2020 10:08
Aos poucos, o mundo vai se esquecendo daquele dia. Mas a verdade é que tudo mudou naquele dia 11 de setembro de 2001.
Aos poucos, o mundo vai se esquecendo daquele dia. Mas a verdade é que tudo mudou naquele dia 11 de setembro de 2001.| Foto: Pixabay

Não, leitor, pode ficar tranquilo que não vou tomar seu tempo para perguntar onde você estava no dia 11 de setembro de 2001, quando terroristas jogaram dois aviões cheios nas torres do World Trade Center, em Nova York. Tampouco vou me demorar aqui narrando o que eu fazia naquele dia – ainda que, para saciar sua curiosidade, eu diga que estava diante do computador escrevendo alguma bobagem sobre literatura.

Hoje aquele dia inesquecível completa 19 aninhos. Tempo o bastante para ter perdido a perenidade que juramos que estaria gravada na retina para sempre. Tempo o bastante, também, para termos entendido que uma Terceira Guerra Mundial não estourará assim tão fácil. E, pior, tempo o bastante para nos esquecermos ou para sentirmos diluído o impacto que aquela tragédia ainda tem sobre nossas vidas.

Todo mundo sabe que os atentados de 11 de Setembro mudaram as regras de segurança nos aeroportos e em grandes eventos. Essa é a faceta mais prosaica e incômoda do evento histórico. O atentado mudou também a forma como passamos a ver os muçulmanos, que até então considerávamos um “povo” envolvido em guerras e problemas geopolíticos distantes e sujos de petróleo, em meio a dunas e camelos.

O efeito mais devastador, e por isso mesmo duradouro, da derrubada das Torres Gêmeas foi a súbita quebra de confiança que ela provocou não só nas grandes cidades. As relações humanas, de um dia para o outro, mudaram para pior. Em Nova York mesmo, durante muito tempo as pessoas andavam de metrô desconfiadas de que qualquer pessoa ali perto, munida de uma simples mochila, podia ser um terrorista em potencial. Quando morei lá, cinco anos depois dos atentados, tive de sair do metrô ao menos cinco vezes porque alguém tinha esquecido uma mochila sob o banco.

O 11 de Setembro marca o dia em que começamos a ter um medo irracional e inconsciente do nosso vizinho, dos nossos colegas de trabalho, dos estranhos no transporte público e no restaurante. Ele instaurou um estado permanente de semiparanoia que hoje, felizmente, encontra vazão não em aviões transformados em mísseis, e sim nos intermináveis (e de certa forma inócuos) embates virtuais.

Ao assistirmos àquela nuvem de poeira, a pessoas cobertas de fuligem pelas ruas de Lower Manhattan, a pedaços de corpos, a ferros retorcidos como se numa obra de arte macabra, nos tornamos menos tolerantes. Afinal, a partir daquele instante nossa vida também passou a correr risco. Num primeiro momento, esse medo tinha tudo a ver com o embate religioso entre muçulmanos e a Civilização Judaico-Cristã. Com o tempo, contudo, o inimigo perdeu essa identidade religiosa e passou a assumir todas as identidades possíveis.

Ninguém imagina que um ativista gordotrans vá, um dia, sequestrar um avião e jogá-lo contra um arranha-céu qualquer só para provar seu ponto. Mais aí é que está a questão do medo/paranoia. Ninguém imaginava que um aluno de aviação fosse um dia tomar um avião cheio de inocentes e jogá-lo contra um dos cenários mais conhecidos do mundo. De uma hora para a outra, todos se tornaram algozes e vítimas em potencial de uma causa aleatória.

Assim, passamos a desconfiar de todos os que não compartilham de nossas identidades. Da mesma forma que todo muçulmano começou a ser visto como terrorista em potencial, hoje os negros consideram todo branco um racista em potencial, as feministas dizem que os meninos são estupradores em potencial e os comunistas têm os não-marxistas como fascistas em potencial.

Hoje, no lugar das Torres Gêmeas há duas novas torres. E no belo cemitério da simpática Trinity Church os mortos dormem, imperturbáveis, seu sono eterno. A poeira daquele dia baixou, lavada por incontáveis chuvas. E os filhos da, digamos, exuberância fértil que toma conta dos jovens casais em acontecimentos do tipo já podem dirigir e, ao menos no Brasil, beber uma cervejinha.

Resta, porém, o medo. Fomentado por quem tem interesse em fomentá-lo. Até aqui, ele foi incapaz de estragos maiores ou tão espetaculosos, embora toda vida perdida para o medo seja um miniatentado contra a Humanidade, desses que a gente não grava na retina, porque senão a vida seria insuportável.

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Comentários [ 8 ]

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    TIAGO SILVA

    ± 17 horas

    Ótima reflexão Polzonoff! Sua coluna realmente é outra qdo não precisa "jogar oara a torcida " conservadora.

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    • I

      IvoHM

      ± 15 horas

      E choram as viúvas de Zé Dirceu.

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    MARCUS VINICIUS TADEU PEREIRA

    ± 2 dias

    Esse artigo do autor sim está bom

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    João Teixeira Pires

    ± 2 dias

    Não acredito que o medo do outro e de tê-lo como potencial inimigo seja unicamente decorrente dos eventos de 11/9/01. A polarização na sociedade e o entrincheiramento nas redes sociais parece também consequência da disseminação de ódio e desabafos, em uma sociedade fraturada por disputas ideológicas e políticas. A moralidade e religiosidade vem perdendo espaço. Não é só o medo do terrorismo. Pior, é a degeneração completa de valores morais, éticos e religiosos, mas que será revertida a tempo. Em frente!

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  • E

    Eduardo RFS

    ± 2 dias

    Sorte nossa que todos esse medos presentes nas sociedades civilizadas nos afetam somente quando conseguimos sair do Brasil nas férias. Talvez existam no twiter. Nos resta o medo diário de sair de casa quando o medo da pandemia permitir.

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  • D

    D. L. Paiva

    ± 2 dias

    O medo hoje é de uma criaturinha invisível que vem de longe e atinge a todos e todos os lugares.

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  • M

    Marcus Pinheiro Machado

    ± 2 dias

    um povo envolvido em guerras e mãos sujas de petroleo em meio a dunas e camelo(sic autor)

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  • R

    renato mello

    ± 2 dias

    So faltou mencionar que os Árabes no geral passaram de vilões a vítimas agora com a chamada islamofobia.

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