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Era o finalzinho de 2018. Jair Bolsonaro eleito e, com ele, pessoas como Joice Hasselmann e Alexandre de Frota. O ex-marido de Claudia Raia e, para mim, a epítome do homem que sucumbiu ao mundo. À minha frente, um amigo que dali a alguns meses sucumbiria ao antibolsonarismo psicótico e cortaria relações comigo tenta me convencer de que estou errado. Faz frio e chove. Meu erro, no caso, era acreditar nas boas intenções e possibilidade de redenção de tipos como Alexandre Frota e outras figuras mais caricatas do bolsonarismo daquela época. Me dei mal.
Sobre o ex-presidente, o então amigo argumentava que ele era um ser incorrigível por ter dedicado o voto pelo impeachment de Dilma Rousseff a um torturador. Tá, fazia sentido. Homenagear um torturador é indefensável, mas será que o homem, confrontado com as forças históricas, não é capaz de mudar? De se arrepender? Chega a cerveja e a carne de onça. Sei lá o que ele responde. Tampouco sei como o assunto mudou para Alexandre Frota. Mas lembro: espalhei pela redação a mentira assumidamente mentirosa (e carinhosa) de que um colega muito tímido tinha namorado Joice Hasselmann na faculdade. Rimos. Gosto muito do Anderson.
Vida besta
Alexandre Frota. Na década de 1980 foi um galã para mim incompreensível. Casou com a Cláudia Raia, já disse. Estampava as capas das revistas de fofoca. Parece um... Deixa pra lá. Depois apareceu como ator pornô e me lembro de ter pensando que puxa. Acabar assim. Mas Alexandre Frota não tinha acabado e de repente ressurgiu como político. E de direita. E bolsonarista. E conservador ou algo assim. Foi eleito com mais de 150 mil votos. É dessa época o diálogo lá no finado Bar do Pudim. “E se Alexandre Frota estiver buscando alguma forma de redenção?”, perguntei. O ex-amigo me olhou e insisti: “O quê? Não é possível?!”
Logo em seguida Alexandre Frota mandou a direita, o bolsonarismo e a redenção pras cucuias e caiu em desgraça. Virou um traíra e voltou a ser o que era. Sempre com aquele sotaque caricato e o discurso bronco, bem pouco esclarecido. Outro dia apareceu numa manifestação pró-Lula em São Paulo. Coberto de cima a baixo com adesivos. A barba branca. O boné vermelho com a estrela do PT. E o sorriso de quem sabia que estava sendo fotografado e que aquela fotografia circularia. Ao ver a imagem, me lembrei da amizade desfeita pela política e da minha crença insistente na redenção de qualquer um. Até hoje. Perguntei sem esperar resposta: como Alexandre Frota reagiria a este texto se o lesse e entendesse? E ri, concluindo que a vida é mesmo besta.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



