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Não, a Bahia não é o câncer do Brasil!

BAHIA
Flávio Bolsonaro venceu em apenas 4 municípios baianos. (Foto: Reprodução)

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Esta semana fui surpreendido com um vídeo de desabafo do Rodrigo Constantino, no qual ele dizia que Salvador é um lixo e que a Bahia é o câncer do país. Tudo porque aquele estado deu 66% dos votos a Lula, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 28%. Citando “evidências anedóticas”, o Consta disse que o baiano é folgado e preguiçoso. Na coluna que escreveu sobre isso aqui na Gazeta do Povo, meu amigo tentou transformar o desabafo num raciocínio, mas só piorou as coisas. Ele citou o famoso Alguém para dizer que “o povo [da Bahia] tem esse DNA de preguiça, de miséria, de mendicância, que não vai mudar nunca”.

Mancada. Mil vezes mancada. Primeiro que, se o baiano tem mesmo esse DNA aí, qual seria a solução? Se todo um estado jamais vai mudar e aderir aos ideais da direita, isso faz de seus habitantes pessoas más, inferiores, indignas da democracia e da prosperidade nas quais se banham os demais brasileiros? O discurso de humilhação do adversário seduz por um único motivo: ele é fácil. Como se numa democracia liberal digna do nome não houvesse espaço para a discordância. Como se os baianos não fossem livres para tomar decisões que eu, você e a maior parte do país consideramos erradas. Claro que são! Mesmo que essas decisões afetem negativamente a minha vida.

Fracasso

Mais produtivo do que simplesmente reduzir 14 milhões de pessoas à figura do homem preguiçoso e escravo por opção seria tentar entender as causas das decisões dos baianoss. O que leva a Bahia a ser tão lulista, petista e esquerdista? Em outras palavras: onde os liberais, conservadores e bolsonaristas estão errando? Porque o fracasso da direita em mostrar aos baianos o desastre coletivo que é a submissão ao petismo e em convencer os baianos de que o Estado é um parasita, e não um amigo ou provedor, é isso mesmo, não tem outra palavra: fracasso. Pode não ser uma derrota de 7 a 1, mas é de 66 a 28. Essa é a exata medida da incompetência da direita.

E não é só lá. A Bahia chama a atenção no mapa eleitoral por causa do seu tamanho, mas outros estados e regiões do Brasil foram majoritariamente lulistas. Isto é, parecem impermeáveis aos ideais da direita liberal e conservadora – e nem por isso houve quem dissesse que o sul do Rio Grande do Sul, por exemplo, é o câncer do Brasil. Bairros populosíssimos e esclarecidíssimos e prosperíssimos da cidade de São Paulo votaram no Lula. E aí, como o determinismo geográfico explica isso? Por outro lado, Rondônia inteira votou em Flávio Bolsonaro – e nem por isso o estado é um Paraíso. Dizer que a Bahia é o câncer do Brasil é um atalho mental idêntico ao que os petistas tanto usam na guerra fratricida que vêm promovendo desde sempre. Esse é o país que você quer para seus filhos e netos? Nem eu.

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