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Querido diário. Só te digo uma coisa: queódioqueódioqueódioqueódio. Que. Ódio. Que ódio daquela Roberta Luchsinger. Depois de tudo o que o Meu Marido fez por ela. Pilantra. Aliás, custava aceitar o insulto só até o Meu Marido vencer as eleições e depois continuar lá com os esquemas dela e do Lulinha? Mas não! Ela ficou toda melindrada. Ui ui ui. E foi lá dar entrevista na CNN. Falou um monte de barbaridade. Chamou Meu Marido de mau-caráter, acredita? Olha, o Lula pode até ser mau-caráter, mas é meu mau-caráter. Humpf.
Que ódio. Deve ser o inferno astral do Meu Marido. (Quase escrevi “Mau Marido”. Hehehehe). Parece que nada do que a gente faz dá certo. Quando o Janones me falou daquela ideia de trocar o vermelho do PT pelo verde e amarelo da concorrência, até que achei boa. Sei lá, tava distraída. Mas aí. Que desgraça. Me deu até um ruim ver a militância usando as cores do time adversário. Taí. Decididamente o verde e amarelo não combina com a gente. Não tá na nossa paleta. Essa coisa de soldado do Lula também. Até parece que vou bater continência pra macho. Nem morta!
Coitado do Meu Véio
E teve também o debate na Band. Não é por nada, não, mas eu dei um show. Fingi espirro pra chamar o Adversário de mentiroso. Me expressei. Me expressei mesmo. Ué, eles não são a favor da liberdade de expressão? Olha, pra falar a verdade eu só não invadi o palco e falei umas poucas e boas porque, tipo, sei lá. Não se discute com fascista. No mais, fica a dica pra Globo: regras não se aplicam a euzinha. Enfim, tentei ajudar, mas Meu Marido tava nervoso. Coitado do Meu Véio. Tá bidenzinho das ideias já.
Como é mesmo aquela música? Hello darkness my old friend. Só de pensar no nosso leito palaciano sendo ocupado por outros... Ai, que saudade que me dá! De viajar, de comprar, de mandar, de ter dez assessores só pra me lembrarem de que sou tu-do. Primeira-dama. Ninguém pode dizer que o título não combina comigo. Vendo pelo lado bom, se o pior acontecer não vou mais precisar me relacionar com pobre. Mas não vai acontecer. As urnas eletrônicas não vão deixar. E aí, quando entrarem os votos do nordeste, o Brasil vai sorrir de novo. Digo, o Brasil eu não sei, mas eu vou. Preciso de um passaporte novo. Fui.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



