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Imagine que hoje é 4 de outubro. Você está andando na rua, indo para o seu local de votação. E está decidido: contra Lula, o PT, a esquerda, a juristocracia e “tudo isso que tá aí”, vai votar em Flávio Bolsonaro. Vai apertar o 2 e o 2 e o botão verde. Vai ouvir a musiquinha e vai se permitir acreditar que seu voto conta.
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Mas no meio do caminho tinha um Eduardo Bolsonaro. Tinha um Eduardo Bolsonaro no meio do caminho. Ou alguém muito parecido com ele. Sei lá. Só imagine. Ele o interpela e assim, à toa, como quem não quer nada e até com um sorriso no rosto, pergunta em quem você vai votar. Você responde e ele:
Pra ser sincero...
— Mas você vai votar convicto de que meu irmão é a salvação do Brasil? De que ele é a única solução? De que só Flávio Bolsonaro pode ajudar o país a voltar ao normal?
— Pra ser sincero... — começa você, mas não termina.
Porque Eduardo Bolsonaro não deixa. Ele pega as reticências e as transforma em pedras.
— “Pra ser sincero” uma ova! Seu burro, tapado. Traidor! Seu mau-caráter, mentiroso. Tucano, isentão! Esquerdista de m—!
Estratégia eleitoral
Absurdo, não? Quem em sã consciência faria uma coisa dessas? Será que o Eduardo Bolsonaro da historinha não percebe que sua postura autoritária afasta quem está disposto a votar em Flávio Bolsonaro apesar dos pesares – e eles existem? Será que ele não entende que o voto contrariado, voto com desconfiança e até o voto com nojo também contam?
Compreende-se o sofrimento de Eduardo Bolsonaro, afastado da família e da terrinha. Afastado do pai. O desespero dele é visível. O que não dá para entender é como o ex-deputado pretende conquistar aliados e eleitores dessa forma. Isto é, por meio do insulto, da intimidação e da humilhação pública. Mas vai ver é uma estratégia eleitoral genial do Carlos Bolsonaro e eu, tolinho que sou, não percebi. Vai ver.
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