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Ontem escrevi que a união da direita é impossível porque essa direita que está aí e se apresenta como a única aceitável é, em essência, performática. E também porque há uma confusão entre a busca por união e o desejo por homogeneidade de pensamento. Ao escrever o texto, porém, foram surgindo outros porquês que desenvolvo rapidamente aqui.
Entre eles está o que vou chamar de farisaísmo ideológico, que nada mais é do que essa necessidade de ter regras claras sobre o que dizer e como se portar politicamente. As pessoas precisam saber se podem dizer isso ou aquilo. Se não pega mal ou “é errado”. Elas têm essa necessidade de que alguém lhe diga como agir, quem elas devem apoiar – e por quê. Só assim elas se sentem parte de um grupo unido. Mais do que isso: só assim elas sentem que estão no caminho certo.
Camaradagem
Porque a liberdade é, de fato, angustiante. Vimos bem isso durante a pandemia. Em liberdade, a gente pode fazer uma escolha errada ou dizer uma bobagem. Várias bobagens. Muito mais fácil, pois, é deixar que decidam por nós. Quem? Aqueles que se dizem líderes. Ou até mesmo os influenciadores que, lá do outro lado do mundo, vivem justamente de dizer que isso pode, isso não pode; isso tá certo, isso tá errado. E quem discordar é traidor ou mau-caráter!
E um outro motivo que me ocorre é a falta da cultura da camaradagem. Uma cultura, aliás, que a esquerda domina. E sem camaradagem, sem amizade, sem afinidades eletivas, sem respeito pelo “idiota” do outro lado da mesa, sem amor genuíno o que resta é o indivíduo naturalmente egoísta tentando impor sua vontade. Aí complica. Ou melhor, aí inviabiliza qualquer projeto coletivo com um objetivo em comum.








