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O quê?! Não vai dizer que você, assim como eu, acreditou por um instante que a fritura do ministro Dias Toffoli era para o bem do Brasil. Que a imprensa chapa branca tinha finalmente acordado. Oh! Ou que as autoridades estavam realmente empenhadas em investigar o escândalo do Banco Master. Ah, que tolinhos que somos, não? Eu, pelo menos, sou um tolo confesso. De uma tolice às vezes intencional. Até que deixo de ser.
Porque o recado que Lula está dando por meio da imprensa amiga é claro: ele não gosta do Toffoli, não depois que o ex-advogado do PT o impediu de ir ao velório do irmão; Lula nunca perdoou Toffoli por essa deslealdade e por isso agora age nos bastidores para que o Eterno Estagiário, também conhecido como “amigo do amigo do meu pai”, leve um pé-na-bunda master. Ou supremo, sei lá.
Capacho
Com isso, o sempre astuto (no pior sentido da palavra) Lula mata não dois, e sim três coelhos com uma caixa d'água só: (i) se vinga de Toffoli, (ii) tira um desafeto da instituição que, na prática, manda no Brasil e (iii) o substitui por um pacheco, digo, capacho, digo Pacheco mesmo. O Rodrigo. É um arranjo ótimo para Lula – e péssimo para o Brasil. Como, aliás, costumam ser todos os arranjos bons para Lula.
(Sei que o certo é “dois coelhos com uma cajadada só”. Não sou tão burro. Tão).
Continuando, repara: sempre que parece que vão investigar alguém de verdade, não é justiça, e sim acerto de contas. Coisa de mafioso. O objetivo nunca é o bem comum. O que eles querem, e a fritura de Toffoli é um bom exemplo disso, é apenas beneficiar ainda mais o grupo que está no poder e prejudicar, calar e, em última análise, eliminar (espero que não fisicamente) a oposição, consolidando uma democracia que não é democracia, numa ditadura que se recusa a despir a toga.
Nó górdio
E eis aqui o nó górdio que cabe a você desatar: se a justiça for feita, Toffoli cai em desgraça, sai do STF e dá ainda mais poder a Lula. Agora, se o STF conseguir proteger Toffoli, impedirá uma nova indicação de Lula e manterá o poder imenso que já tem, ainda que à custa da imagem já desgastada da instituição e da sensação geral de impunidade. Aquela que, a bem dizer, estamos mais do que acostumados.
E agora? Quem poderá nos socorrer? A resposta normal, numa democracia digna do nome, seria “o Senado”. Que bem poderia fazer a jogada dupla de tirar Toffoli do STF e vetar a indicação do Lula. Seria lindo. Mas a gente sabe que isso não vai acontecer. O que nos obriga, mais uma vez, a depositar nossas esperanças no imponderável. Imagina uma delação do Toffoli! Só imagina o que ele tem para contar. Tá, talvez eu esteja ficando… tayayá das ideias. Reconheço.




